Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Suspeita de encomendar morte de ex-marido, namorada dele e ex-sogra fala em desespero

Mulher explicou que, após se ter separado do ex-companheiro, ficou com quatros filhos à sua responsabilidade, dois deste casamento e outros dois de um anterior, e numa situação "muito complicada" para os sustentar

Uma mulher acusada de encomendar a morte do ex-marido, companheira dele - na altura grávida - e ex-sogra, disse esta quinta-feira em tribunal que após a separação ficou com muitos problemas e "totalmente destruída", agindo por "desespero". "Assumo que entrei nisso [plano para matar ex-marido] ", afirmou ao coletivo de juízes do Tribunal São João Novo, no Porto.

A suspeita, de 39 anos, está acusada pelo Ministério Público (MP) de três crimes de homicídio qualificado na forma tentada. Na acusação, o MP salientou que a arguida decidiu tirar a vida ao ex-marido, companheira deste e ex-sogra contratando dois homens, ambos seguranças, para os matar, aos quais prometeu pagar 175 mil euros, não conseguindo apenas por razões alheias à sua vontade. Um dos homens contratados decidiu denunciar a situação ao visado, advogado no Porto, e às autoridades, filmando as negociações, sustentou.

"Agiram com frieza de ânimo e requintes de malvadez", considerou o MP. Juntamente com a presumível homicida, um dos homens contratados para "executar o serviço" é também arguido no processo.

Depois da separação, a mulher ficou responsável pelos quatro filhos, dois dos quais tivera com o ex-companheiro. "Tive muitos problemas com o pai dos meus filhos", realçou. Segundo a arguida, o ex-marido mandou cortar a luz, água e gás da casa onde ambos viviam, e onde ela ficou a viver, tendo entrado num "estado de loucura" e começado a beber álcool e tomar medicamentos em excesso.

"Um dia uma amiga minha foi lá a casa com este senhor [arguido] para me ajudar a resolver esta questão da água, luz e gás e, só dias mais tarde, é que ele me disse que tinha que um amigo que me resolvia a situação, referindo-se à morte do pai dos meus filhos e eu aceitei, nunca fui eu que o procurei", salientou. No entanto, a suspeita nega que "algum dia" tenha sugerido matar também a companheira do ex-marido e a mãe dele.

Por seu lado, o outro arguido, de 45 anos, contou que a mulher só falava em matar o ex-marido e ligava-lhe todos os dias a chorar porque não tinha água, luz ou gás, então foi falar com um amigo -- pessoa que acabou por denunciar o caso -- para ver se conhecia alguém que fizesse o serviço.

Garantindo que não conhecia o ex-marido da suspeita, nem a sua família, adiantou que tentou ajuda-la por pena dos filhos que eram pequenos, estavam a sofrer com a situação e a passar dificuldades. "Se a doutora deixasse [advogada] já tinha ido pedir desculpa ao homem", rematou.

O ex-marido da arguida destacou que continua a ter medo que ela continue a querer mata-lo e que, um dia, um dos homens contratados foi ao seu escritório mostrar-lhe os vídeos.