Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

O estado do mundo segundo Guterres: “A dúvida é saber se este caos é a nova ordem ou uma fase de transição para uma nova ordem”

J. J. GUILLEN / EPA

Para o próximo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), “o drama é que há guerras cada vez mais violentas e a comunidade internacional tem mais dificuldades em proteger as vítimas”

António Guterres recebeu esta quarta-feira em Madrid o título de doutor "honoris causa" da Universidade Europeia numa cerimónia em que manifestou a sua preocupação pelo estado caótico em que está o mundo, com guerras "cada vez mais violentas". O doutoramento foi-lhe concedido pela forma como liderou durante 10 anos o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e o discurso de elogio foi pronunciado por Felipe González, presidente do Governo espanhol entre 1982 e 1996.

António Guterres recordou que quando era jovem o mundo era bipolar, havia a Guerra Fria com duas grandes potências (Estados Unidos e a União Soviética), em seguida o mundo foi unipolar, com os norte-americanos como potência global, e que agora se vivia uma fase "caótica". "A dúvida é saber se este caos é a nova ordem ou se estamos numa fase de transição para uma nova ordem", disse António Guterres no discurso que fez logo a seguir a ter recebido o grau académico.

Para o próximo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), "o drama é que há guerras cada vez mais violentas e cada vez mais a comunidade internacional tem dificuldades em proteger as vítimas desses conflitos". Guterres sublinhou a necessidade de todas as sociedades aceitarem a "multiplicidade étnica" e deu o exemplo de Portugal e Espanha como dois países tolerantes que aceitam a "diversidade" e onde o "populismo nunca teve uma manifestação própria". "Isto une-nos e devemos estar orgulhosos por isso", concluiu o ex-primeiro ministro português.

Por seu lado, Felipe Gonzalez elogiou o percurso de António Guterres, que conhece há 25 anos, e recordou que pouco tempo depois de o português ter assumido o cargo de primeiro-ministro, em 1995, deixou o lugar de chefe do executivo espanhol que ocupou entre 1992 e 1996. "Há 500 milhões de europeus, o que significa que receber um ou dois milhões de refugiados não é nada e a Europa precisa deles", defendeu Gonzalez.

Antes de receber o título de doutor honoris causa, António Guterres encontrou-se com Mariano Rajoy, presidente do Governo espanhol, a quem agradeceu o apoio dado à sua candidatura para o cargo de secretário-geral da ONU. O português exerceu o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados entre 15 de junho de 2005 e 31 de dezembro de 2015 e a partir de 1 de janeiro de 2017 vai assumir o lugar de secretário- geral das Nações Unidas, por um período de cinco anos.