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Abuso de menores. Arranca julgamento da falsa seita de Palmela

José Carlos Carvalho

Tribunal de Setúbal começou a julgar oito pessoas suspeitas de abusos a menores numa quinta em Palmela. O líder fazia-se passar por um líder espiritual da falsa seita Verdade Celestial

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O julgamento dos oito arguidos suspeitos de abuso sexual de crianças numa quinta de Brejos do Assa, Palmela, começou esta manhã de terça-feira no Tribunal de Setúbal.

A primeira sessão do julgamento esteve marcada para o final de dezembro mas foi adiada devido à "renúncia de uma das arguidas, e do direito que tem de constituição de mandatário, e por questões relacionadas com um pedido de proteção jurídica".

Segundo a acusação, Rui Pedro, o líder do grupo e principal arguido no processo, que se fazia passar por psicólogo e que se intitulava como mestre da falsa seita religiosa "Verdade Celestial" - que não passava, afinal, de uma estratégia de manipulação e encobrimento dos abusos sexuais de crianças - responde por dezenas de crimes de violação, lenocínio e pornografia de menores, entre outros.

Rui Pedro gostava de ser tratado por ‘Mestre dos Espíritos’ ou simplesmente ‘guru’ e prometia proteger os ‘fiéis’ da seita “Verdade Celestial” das garras do diabo. O truque, que deixava as jovens vítimas aterrorizadas, resultou durante alguns meses.

A falsa seita foi uma invenção de Rui Pedro, que conseguiu convencer adultos e crianças de que era o representante de Deus na Terra. O suspeito terá aplicado alguns ensinamentos religiosos dos pais, que fazem parte de uma conhecida congregação religiosa em Lisboa, e adaptou-os ao grupo em Palmela desde o início de 2014.

Os arguidos "revelavam um total desrespeito pelas crianças" que frequentavam a quinta, para terem explicações ou participarem em atividades organizadas pelo líder do grupo, que as convencia de que as sevícias sexuais eram "atos purificadores", refere o despacho do Ministério Público de Setúbal.

Apesar de os crimes terem ocorrido numa zona rodeada por outras habitações, os residentes nos Brejos do Assa, no concelho de Palmela, distrito de Setúbal, nunca se terão apercebido do que realmente se passava na quinta, uma vez que as vedações altas ajudavam a esconder o que se passava no interior daquele espaço.

O caso só chegou ao conhecimento da Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal devido a uma denúncia de uma pessoa que terá sido maltratada pelo líder da alegada seita religiosa quando manifestou intenção de abandonar o local.

Poucos dias depois, em junho de 2015, a PJ efetuou uma operação policial que culminou com a detenção de oito pessoas - cinco homens e três mulheres. Na mesma operação, a polícia apreendeu computadores, colchões, vídeos e fotografias que constituem elementos de prova dos crimes praticados.

Segundo o Tribunal de Setúbal, cinco arguidos aguardam a realização do julgamento em prisão preventiva.

As próximas sessões do julgamento estão marcadas para os próximos dias 12 e 13 de janeiro.