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Homenagens às vítimas de Paris começam com emocionante discurso de um lusodescendente

Michael Dias, filho de Manuel Dias, primeira vítima mortal dos atentados, apelou à tolerância e à educação para combater o terrorismo. O franco-português é o único familiar dos 130 mortos nos atentados de 13 de novembro a usar oficialmente da palavra durante as cerimónias

As homenagens oficiais às vítimas dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis (arredores da capital francesa) começaram esta manhã com a inauguração, pelo presidente François Hollande, de uma placa em memória de Manuel Dias, o português de 63 anos que foi a primeira vítima da série de atentados que fez 130 mortos.

Na placa, junto a uma das portas do Estádio de França, lê-se: “Em memória de Manuel Dias e em respeito pelos numerosos feridos e vítimas do terrorismo neste local na noite de 13 de novembro de 2015 – Manuel Dias 28.4.1952 – 13.11.2015”.

O português, motorista, tinha conduzido um grupo de adeptos da seleção francesa ao estádio para assistirem a um jogo entre a França e a Alemanha e morreu vítima da explosão de um bombista suicida.

Na cerimónia, apenas falou Michael Dias, filho do emigrante português, já nascido em França. Apelou “à inteligência, à educação, à tolerância e à integração dos imigrantes” na sociedade francesa como resposta para combater o terrorismo. Disse também que, quando soube das três explosões junto ao Estádio de França a sua primeira reação foi pensar: “felizmente que só há um morto”. Não sabia na altura que se tratava do seu pai.

Aos jornalistas repetiu a mesma mensagem de harmonia e chegou a emocionar os repórteres. Michael falou também a sós com o presidente Hollande e revelou que este lhe agradeceu as palavras que proferiu.

As cerimónias continuam durante toda a manhã deste domingo nos diferentes locais onde se verificaram as chacinas e terminarão junto ao Bataclan, a sala de espetáculos onde morreram 90 pessoas que assistiam a um concerto musical. Em todos os locais serão inauguradas placas com os nomes de todas as vítimas mortais.