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Pedro Dias fica em prisão preventiva

PAULO NOVAIS/LUSA

O suspeito de duplo homicídio em Aguiar da Beira ficará em prisão preventiva e não falou em tribunal. "Quando a defesa tiver acesso ao processo Pedro Dias prestará declarações", diz ao Expresso Mónica Quintela, advogada do suspeito

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Pedro Dias vai ficar em prisão preventiva, decidiu o juiz de instrução que o ouviu no tribunal da Guarda. Esta é a medida de coação, a mais gravosa, é justificada pelo juiz "dado o elevado perigo de fuga, continuação da atividade criminosa, perturbação do inquérito e alarme social".

O suspeito do duplo homicídio em Aguiar da Beira, ocorrido na madrugada de 11 de outubro, foi indiciado por dez crimes: dois de homicídio qualificado, três de homicídio qualificado na forma tentada, três crimes de sequestro e um de roubo.

Ao juiz recusou-se a prestar declarações. "Quando a defesa tiver acesso ao processo Pedro Dias prestará declarações. Com o processo em segredo de justiça não fala", diz ao Expresso Mónica Quintela, advogada do suspeito.

A defesa admite recorrer da decisão. "Quando recorremos, não recorremos em vão, é porque entendemos que temos razão", disse à agência Lusa Rui Silva Leal, o outro advogado do suspeito, explicando que a defesa tem "30 dias para interpor recurso" e o Ministério Público tem 30 dias para responder ao recurso, "depois sobe ao Tribunal da Relação" e "há mais 30 dias para decidir".

Apesar de ter entrado nas instalações do tribunal por volta das 11h da manhã, o interrogatório a Pedro Dias iniciou-se apenas às 18h. À chegada ao tribunal, 'Piloto' foi recebido com vaias por parte dos populares que estavam no local.

Depois da decisão do juiz, 'Piloto' regressou esta noite ao Estabelecimento Prisional da Guarda.

O homem de 44 anos entregou-se esta terça-feira às autoridades depois de ter estado 28 dias em fuga. Uma equipa da RTP filmou em direto o momento.

Pouco tempo antes, Pedro Dias deu uma entrevista ao canal público alegado ser inocente dos crimes que o acusam, garantindo ainda que o militar da GNR que sobreviveu poderá dar explicações sobre o que terá realmente acontecido naquela madrugada.

O fugitivo disse ainda que não tinha tido oportunidade para se entregar mais cedo e que receava pela vida. "Foi alvo de uma caça ao homem por parte da GNR que o queria abater", garantiu ao Expresso a sua advogada, Mónica Quintela.

Nas últimas 24 horas, a PJ constituiu como arguida uma mulher de 61 anos, ex-professora do suspeito, por suspeitas de o ter ajudado a esconder-se nos últimos dias. O crime de favorecimento pessoal pode punido com 3 anos de prisão.

A PJ garante que ao longo de aproximadamente quatro semanas de investigação, "em estreita colaboração operacional com a GNR", foi, segundo os investigadores da Judiciária, possível "reconstruir parte substancial do itinerário de fuga empreendido pelo ora detido" bem como "recolher relevantes elementos indiciários relativos à vasta atividade delituosa que lhe é imputada".

[notícia atualizada às 23h00]