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Grupo de “hammerskins” detido pela PJ possuía vasto arsenal de armas ilegais

O diretor da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ admite que o grupo de 21 pessoas integra um elemento que foi condenado pela morte do jovem Alcindo Monteiro (de origem cabo-verdiana), em 1995, no Bairro Alto, e outros que já haviam sido detidos numa operação desencadeada pela PJ em 2007

Uma caçadeira e outras armas de fogo, munições, facas, catanas, soqueiras, very lights, gás pimenta, bastões e tacos de basebol foram objetos apreendidos aos 21 "hammerskins" detidos esta terça-feira e que a PJ exibiu esta manhã.

Bandeiras, emblemas, cachecóis e blusões, com o símbolo dos "hammerskins", outro material de propaganda e alguma droga (haxixe) foram também exibidos à comunicação social na sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, na presença do diretor e da coordenadora da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT), Luís Neves e Manuela Santos, respetivamente.

Luís Neves admitiu que o grupo de "hammerskins" agora detido pela PJ integra um elemento que foi condenado pela morte do jovem Alcindo Monteiro (de origem cabo-verdiana), em 1995, no Bairro Alto, e outros que já haviam sido detidos numa operação desencadeada pela Judiciária em 2007.

"O grupo não é grande, mas integra um conjunto de novos elementos e alguns crimes foram cometidos como rito de iniciação ligado sobretudo à discrimação racial", explicou o diretor da INCT da PJ.

Este responsável referiu que os detidos têm idades que variam entre os 20 e os 40 anos, havendo entre eles desempregados, pessoas ligadas à segurança privada e "um ou outro estudante". Entre os detidos está ainda um guarda prisional e um outro elemento (Bruno Monteiro) que é apontado como o atual líder dos "hammerskins".

O diretor da UNCT frisou que esta investigação não visou investigar ideologias, mas crimes de ódio, discriminação racial e violência praticados sobre 20 vítimas. Algumas destas ficaram com sequelas, com stresse pós-traumático e pelo menos uma delas com problemas neurológicos devido às agressões sofridas.

Luís Neves estima que o número de vítimas será superior, mas que estas, por medo, pavor ou receio de represálias não apresentam queixa às autoridades. Aproveitou o momento para exortar todas as vítimas deste tipo de crimes a participarem as agressões às forças policiais.

O diretor da UNCT salientou ainda a rápida intervenção da PSP durante a ocorrência das últimas agressões dos "hammerskins", o que facilitou a posterior investigação da PJ, observando que a operação que levou à detenção de 21 elementos teve carácter preventivo mas também repressivo.

A investigação que levou às 21 detenções foi dirigida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e envolveu 40 mandados de busca e 17 de detenção, tendo outras quatro pessoas sido detidas em flagrante delito na posse de objetos ilegais.

Entretanto, segundo informação do Tribunal da Comarca de Lisboa, esta quarta-feira foram ouvidos na 1.ª Secção de Instrução Criminal da Instância Central de Lisboa, os arguidos Jaime Alexandre da Silva Lino Hélder, Bruno Filipe Ribeiro Santos e Daniel Antunes da Silva Marques, indiciados pela prática do crime de detenção de arma proibida.

Verificando-se o perigo de continuação da actividade criminosa, foi-lhes aplicada a medida de obrigação de se apresentarem quinzenalmente no órgão de polícia criminal (OPC) da sua área de residência.

Os restantes 17 arguidos são apresentados esta tarde a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, estando os mesmos indiciados de discriminação racial, religiosa ou sexual, crime de ofensa à integridade física qualificada, crime de homicídio qualificado na forma tentada, crime de dano, posse de arma proibida, tráfico de estupefacientes e roubo.