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O talentoso Mr. A

Brad Barket/Getty Images

Writer de graffiti, artista provocador, barão da noite, empresário hoteleiro, argumentista de Hollywood, editor de uma revista de moda, playboy. As sete vidas do português André Saraiva, que depois de conquistar Paris e Nova Iorque deixa agora a sua marca em Lisboa

Lisboa, Uppsala, Paris, Nova Iorque. Em Dreamland, o mundo imaginado por André Saraiva, cabem todas as cidades da sua vida. Cabe o alter ego Mr. A, personagem de sorriso trocista que espalhou por milhares de paredes e lhe deu fama no mundo do graffiti; cabe o Le Baron, discoteca que criou com o melhor amigo e que foi a referência da noite de Paris durante mais de uma década; cabem a Torre Eiffel e o Empire State Building, a ponte 25 de Abril e o Padrão dos Descobrimentos, aviões da TAP e caravelas dos Descobrimentos, garrafas de vinho, casas de fado, Pessoa; cabe até o Museu do Design e da Moda (MUDE), em Lisboa, onde há dois anos realizou a maior exposição da sua carreira e onde nasceu a ideia de “oferecer esta prenda à cidade”. Dois anos depois, o puzzle de 53 mil peças está finalmente montado no muro do Jardim Botto Machado, junto à Feira da Ladra. Cobre mais de 1000 m2, fazendo dele, segundo Saraiva, o maior mural de azulejos pintados à mão do mundo. “É a minha Capela Sistina”, brinca num português a arranhar os érres.

Não é a primeira vez que o artista português nascido na Suécia e agora radicado em Nova Iorque deixa a sua marca na capital portuguesa: foi um dos pioneiros do graffiti em Lisboa e, na década de 90, pintou um grande mural nas Amoreiras para a associação Abraço. Mas, aos 45 anos, depois de uma vida dedicada à arte do efémero, quis deixar algo que perdurasse. “Daqui a 100 anos, se ninguém o tirar da parede, ainda vai lá estar”, afirma, confessando-se orgulhoso pelo resultado e nostálgico pelo tempo que passou em Lisboa, onde apenas viveu por períodos muito breves.

PRÍNCIPE DA NOITE. André Saraiva no Le Baron em Nova Iorque, versão americana da sua popular discoteca em Paris

PRÍNCIPE DA NOITE. André Saraiva no Le Baron em Nova Iorque, versão americana da sua popular discoteca em Paris

foto EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images

Espalhadas pelos quase 200 metros de comprimento do muro cabem também todas as vidas deste homem multifacetado. E não são poucas: writer de graffiti, artista plástico, barão da noite, empresário hoteleiro, provocador subversivo, criador de fantasias. Tantas que se torna difícil perceber como é que por cá ainda não o conhecem, enquanto em Paris e Nova Iorque é cliente assíduo das páginas de publicações conceituadas como os jornais “Le Figaro” e “The New York Times” e revistas como a “Vanity Fair”, a “Vogue”, a “GQ” e a “Harper’s Bazaar”. Seja por causa do graffiti, das suas famosas discotecas, dos hotéis e espaços que cria ou das colaborações com marcas de luxo, como Louis Vuitton, Cartier ou Chanel, forte contraponto com a pobreza que marcou a sua infância e adolescência.

Esta é uma história com muitos capítulos, e o primeiro escreve-se em Uppsala, cidade universitária localizada a cerca de 70 quilómetros a Norte de Estocolmo, na Suécia. Foi lá que o artista nasceu em 1971, depois de os pais fugirem de Portugal para o progenitor escapar à Guerra Colonial. “A minha mãe sempre gostou muito dos filmes de Ingmar Bergman, pensava que a Suécia era parecida. Quando lá chegou ficou um bocadinho desiludida”, conta. Saraiva teve uma infância “muito feliz”. Recorda um país moderno e progressista, “um paraíso para as crianças”, que eram incentivadas a serem criativas. “Acho que a minha paixão por pintar em paredes foi semeada aí.” Deve-a também ao pai, pintor, que abandonou a família quando ele era ainda pequeno. Da infância na Suécia vem também uma das suas perdições: as mulheres loiras.

André tinha 10 anos quando a mãe se apaixonou por um francês e foram viver para Paris. François Mitterrand acabara de chegar à Presidência e tinham grande esperança numa vida melhor. A mudança, porém, foi um choque: teve a sensação de chegar a um país com 40 anos de atraso. “Não havia integração nenhuma. Gosto muito de Paris, posso dizer que sou parisiense porque vivi lá 30 anos, mas havia muito racismo, as pessoas pensavam que os portugueses eram só empregados domésticos...”

A vida também não era fácil. “Vivemos sempre com pouco”, admite. Enquanto a mãe fazia traduções, limpava casas e acumulava pequenos trabalhos para pagar as contas e pôr comida na mesa, André saltava de escola em escola: andava à porrada com os colegas, vendia haxixe e cogumelos alucinogénicos no recreio e acabava expulso. “Talvez andasse à procura de problemas. Tinha de encontrar maneira de sobreviver, todas as formas eram boas.”

MECÂNICO? FUCK YOU!

Os anos 80 marcaram o início do graffiti em Paris. Saraiva sentiu-se atraído de imediato por aquela linguagem. Tinha 13, 14 anos quando começou a pintar, com latas de spray que roubava das lojas. Foi lá que encontrou o seu espaço, um mundo onde podia ser quem quisesse. “Cheguei a França e senti que não havia lugar para mim. Na escola diziam-me que tinha de ir estudar para ser mecânico. E eu dizia não, fuck you! Como não me deram um espaço onde me pudesse sentir confortável, reclamei esse espaço. Foi isso que me fez sentir confortável no graffiti. Criei o meu mundo, a minha existência. Se quero algo, reclamo-o. Não fico à espera que me deem autorização.”

Mais do que arte, era guerrilha. Um mundo hostil e marginal, com perseguições policiais constantes e arraiais de porrada com garrafas partidas e tacos de basebol. O português era pequeno e franzino, mas não virava a cara a uma boa luta. Chegou a ter uma arma apontada à cabeça. Outros tiveram fins mais dramáticos: acabaram presos ou assassinados. Não era vida para meninos de coro

 PARTY BOY I. Tinha 15 anos quando se deixou seduzir pelo mundo da noite. Com a DJ Judith Grynszpan

PARTY BOY I. Tinha 15 anos quando se deixou seduzir pelo mundo da noite. Com a DJ Judith Grynszpan

foto Foc Kan/Wireimage

Era chegar, pintar e bazar antes de apanhar cacetada da polícia ou de outro gangue. Aprendeu a “correr muito depressa” e a ser mais esperto. O seu estilo também o ajudava a camuflar-se: pintava de fato e gravata, roupas que a mãe lhe comprava em lojas de segunda mão, e levava sempre consigo uma pasta onde guardava as latas. “Uma vez um polícia veio ter comigo e perguntou-me se tinha visto um graffiter que eles procuravam. Esse rapaz era eu, mas não imaginavam que me pudesse vestir assim...”

A astúcia nem sempre o livrou de problemas com as autoridades. Foi detido diversas vezes e os caminhos de ferro franceses chegaram a exigir-lhe um milhão de francos de indemnização (cerca de 150 mil euros à época) por ter deixado a sua marca em comboios — o caso acabou arquivado por falta de provas. Mais tarde, teve de fugir para Portugal durante meio ano depois de pintar todas as caixas de correio de Paris. “Fui muito metódico. Peguei num plano das caixas de correio e pintei-as todas. Tinham aquela cor amarela florescente e dois buracos, um para Paris, outro para o resto do país e estrangeiro. Só tinha de pôr um sorriso por baixo para lhes dar vida.”

Interessou-se sobretudo pelo tagging, a arte de deixar a assinatura nas paredes mais inacessíveis da cidade. Mas, enquanto uns escreviam obscenidades como “nique ta mère” (fode a tua mãe), ele assinava André TVB (“tout va bien”, está tudo bem), uma abordagem mais positiva que foi entendida como provocatória por outros taggers. Aconteceu o mesmo quando, anos mais tarde, decidiu mudar as regras do jogo: ainda antes do fenómeno Banksy, foi um dos primeiros a substituir a assinatura por um desenho. Criou então o alter ego Mr. A, uma personagem simpática com uma cruz num olho, chapéu e sorriso provocador. Passava as noites a desenhá-lo nas paredes. “O que me inspirou? Talvez as drogas que tomava naquele tempo! [risos] Queria contar uma história diferente, trazer cor e alegria àquelas paredes. Muitos não gostaram, foi como se traísse a causa. Mas o graffiti é sair para a rua e pintar, e não creio que alguém tenha pintado tanto como eu nestes 30 anos.”

Num mundo onde dominavam o anonimato e a clandestinidade, tornou-se tão conhecido que chegou à capa da revista “L’Express”, dava entrevistas para a televisão, deixava-se fotografar. Nem sempre ajudou a mantê-lo longe de problemas. “Tornou-se mais fácil reconhecerem-me e prenderem-me”, afirma.

Bem cedo começou também a interessar-se pelas coisas boas da vida. E se não havia dinheiro, fazia como com as latas de graffiti: roubava. “Éramos ótimos ladrões”, admite. Foi assim, por exemplo, que conseguiu os primeiros ténis Air Jordan. E era a vender garrafas de bebidas alcoólicas que roubava que fazia algum dinheiro para levar “as raparigas ao cinema”. Quando queria impressioná-las iam jantar a um bom restaurante. Depois, no final da noite, pedia-lhes para esperar por ele na rua e saía sem pagar a conta. Era viciante como o graffiti, adrenalina a correr-lhe nas veias. “Estamos neste mundo tão pouco tempo que mais vale aproveitar cada momento.”

PARTY BOY II Com a modelo Cara Delevingne

PARTY BOY II Com a modelo Cara Delevingne

foto Foc Kan/WireImage

O fascínio pelo mundo da noite começou quando, aos 15 anos, entrou pela primeira vez na discoteca Les Bains Douches, a resposta francesa ao mítico Studio 54. Eram os anos de todos os excessos, fama e dinheiro de mãos dadas. E ali estava ele, um miúdo, rodeado de mulheres sublimes, homens ricos, celebridades. “Havia uma grande liberdade e eu podia ser quem quisesse. Encontrava pessoas interessantes e sentia que se interessavam por mim. Era o início do graffiti, tinham curiosidade sobre isso. Havia uma grande abertura, a noite era mais democrática”, recorda.

Havia, claro, muito sexo e muitas drogas. Mas era mais do que isso. A noite era também o lugar onde se tinham grandes conversas filosóficas e artísticas. “Não era um espaço de estrelas da TV e de jogadores de futebol. O bilhete de entrada não era o dinheiro ou a fama. Era o facto se seres uma pessoa interessante ou com um estilo particular, diferente”. Muitas vezes, adormecia nos bancos da discoteca e só acordava quando a empregada de limpeza o expulsava de manhã.

De dia, renegava a escola. Só lhe interessavam as aulas de Educação Visual, porque desde sempre soubera que queria ser artista. “Não sabia bem como podia ganhar dinheiro com isso, mas era esse o plano.” Passava a vida enfiado nos corredores do Centro Georges Pompidou, absorvendo tudo sobre a arte contemporânea, em especial o trabalho do americano Keith Haring, ícone da arte urbana.

VENDER ARTE AO METRO

No final dos anos 90, começou a experimentar outras artes, como a escultura ou a pintura sobre tela. Abriu uma loja, La Mercerie D’Andre, com rolos de telas que vendia ao metro: “Era como ir a uma mercearia comprar um tecido. Ali comprava-se arte. Se não tinhas muito dinheiro compravas 10 centímetros, se tinhas mais compravas um metro. Sempre gostei de inventar coisas.” Foi o seu primeiro negócio.

O novo milénio trouxe colaborações com marcas de luxo como Louis Vuitton, Chanel, Fendi e Cartier, e muitas outras, da Nike à Levi’s e da Moët & Chandon à Orangina. A mais recente foi com a japonesa Uniqlo, concorrente das cadeias de roupa Zara e H&M. “Fiz uma série de T-shirts com o Mr. A. Vai ser muito acessível, nada elitista. Uma das minhas primeiras T-shirts era do Keith Haring, ainda a tenho. É das coisas mais preciosas da minha coleção de arte.” Há dois anos, foi escolhido como rosto da campanha de moda para homem das prestigiadas Galeries Lafayette, uma honra que coube antes a personalidades como o designer Jean-Paul Gaultier e o realizador Pedro Almodóvar.

PARTY BOY III. Com o controverso fotógrafo Terry Richardson

PARTY BOY III. Com o controverso fotógrafo Terry Richardson

foto Andrew Toth/Getty Images for Moncler

Uma das parcerias mediáticas não terminou da melhor forma. Em 2003, a Disney pediu-lhe que fizesse uma versão do Rato Mickey para assinalar o 75º aniversário daquele ícone da cultura pop. Provocador, André Saraiva acabou por se inspirar num conhecido fármaco para a disfunção erétil. “Criei um Mickey com uma grande ereção e chamei à obra Viagra. A ideia era: com 75 anos ainda podes ter uma ereção.” A multinacional acabou por retirar a peça da exposição que tinha preparado e ameaçou processar o artista, que ficou com o original e já o reproduziu em diferentes tamanhos.

“O sexo é o maior prazer da vida”, diz sem reservas. É também um dos temas recorrentes do seu trabalho. Para a entrada do Castle, um histórico clube à imagem dos gentlemen’s clubs londrinos, de que ele é um dos sócios, criou um enorme tapete com pénis e vaginas, um tema que recentemente transportou também para uma coleção limitada da marca de meias Happy Socks. Tornou-se “muito bom a desenhar pénis e vulvas” no recreio da escola em Paris, onde dava lições de educação sexual aos colegas. “Na Suécia havia uma maior liberdade e os miúdos aprendiam a sexualidade muito cedo. Cheguei a França e os meus colegas eram todos muito atrasados.”

Tido como um playboy, aparece abraçado a mulheres como a modelo Cara Delevigne, as atrizes Chloë Sevigny e Lindsay Lohan, ou ainda Charlotte Casiraghi, filha da princesa Carolina do Mónaco. Apesar disso, diz ser “muito tímido”, mas assume que as mulheres são a sua principal inspiração. “O meu motor, a minha motivação é o amor. A maior parte das coisas que fiz foi para alguém.”

O BARÃO DA NOITE DE PARIS

A paixão do português pelo mundo da noite conheceu o seu capítulo de ouro quando, em 2004, ele e o melhor amigo, Lionel Bensemoun, decidiram criar a discoteca Le Baron, que depressa se tornaria a mais popular da cidade. A ideia começou de forma modesta. Não procuravam fama nem dinheiro, apenas criar um espaço de liberdade para estarem com os amigos. “Havia um bordel cujo dono estava preso. Falámos com ele e propusemos-lhe tomar conta do espaço enquanto ele estava na cadeia. Era uma coisa muito sincera, ninguém tinha experiência de discoteca: tínhamos amigos na porta, no bar, a pôr música, como os Daft Punk e os Justice.”

Durante mais de uma década, o Le Baron foi a discoteca da moda na capital francesa, valendo a Saraiva o epíteto de ‘príncipe da noite de Paris’. Não havia celebridade que quisesse passar umas horas de diversão na cidade e não pensasse em lá ir. O sucesso foi tal que o conceito foi exportado para Londres, Tóquio e Nova Iorque. À chegada ao outro lado do Atlântico houve quem dissesse que o Le Baron vinha “para salvar a noite” da Big Apple. Era o sítio onde se podia ser “tão safado quanto se deseja”, escreveu a “Vanity Fair”. Saraiva tornou-se uma figura tão popular que até um diário de referência como o “New York Times” escrevia frequentemente sobre ele e os seus projetos.

VIDA E OBRA. A oferta de André Saraiva à cidade de Lisboa: um mural de 53 mil azulejos que resume o seu percurso

VIDA E OBRA. A oferta de André Saraiva à cidade de Lisboa: um mural de 53 mil azulejos que resume o seu percurso

foto LUÍSA FERREIRA/MUDE

“Quem frequentava as minhas discotecas? Os marginais e os weirdos, os esquisitos. Eram esses que davam curiosidade aos outros para lá irem. Eram lugares para toda a gente, não eram para VIP.” Quando lhe pergunto sobre os excessos dessas noites e os muitos segredos que seguramente guarda, o português joga à defesa: “As minha memórias são muito desfocadas, esqueci-me de tudo”, ri-se. “Às vezes não sei se são sonho ou realidade. A noite deve permanecer secreta. Ou se esteve lá, ou não se entende. Quando se vive é algo formidável, mas não se pode partilhar.”

Há uns meses, ele e o amigo decidiram fechar as portas do Le Baron Paris, dando-lhe o mesmo fim dos irmãos de Londres, Tóquio e Nova Iorque — só um resiste, em Xangai, gerido por outro sócio. O artista e empresário garante que a decisão não teve motivações económicas: os espaços continuavam a ser um bom negócio. “Fechámos porque tínhamos deixado de lá ir e aquilo perdera a essência. Tens de lá estar, a alma vem das pessoas, mas já tenho 45 anos, às vezes olho à volta e sou o mais velho. Além disso, os anos das discotecas são como os anos dos cães: valem por três. Então, doze anos é muito tempo. Já não me sentia sincero a fazer aquele trabalho, não era mais a nossa história.”

Também se afastou da revista francesa de moda masculina “L’Officiel Hommes”, de periodicidade trimestral e com 15 edições internacionais, onde era editor-executivo desde 2011. Foi responsável por algumas das capas mais populares (e também controversas) da revista, incluindo uma em que o ator Benicio del Toro segura uma modelo nua que finge estar inconsciente e outra em que despiu o casal Kanye West/Kim Kardashian.

UMA SÉRIE SOBRE O TINDER

Apesar disso, continua bem ocupado. Nos últimos anos, fixou-se em Nova Iorque, mas faz viagens constantes a Paris. No rés-do-chão do prédio onde tem o seu estúdio abriu um novo espaço, o Café Henrie, um tributo à filha, Henrietta, de seis anos, resultado do relacionamento breve com uma artista de música eletrónica. No final de 2015, inaugurou também um segundo hotel em Paris, o Grand Amour, e está a preparar o projeto para uma unidade em Lisboa, porque quer “vir cá mais vezes”. Em breve, vai abrir um bar com amigos em Los Angeles, onde tem passado mais tempo por causa da filha, que se mudou para lá com a mãe, mas também devido a uma série de ficção que ele mesmo criou: “Tinder Diaries”, inspirada nas histórias de mulheres que conheceu na app de encontros, que está a ser produzida pela Anonymous Content (“Mr. Robot”). Está também a acabar um livro da Rizzoli sobre a sua carreira, que descreve como “um grande bordel”, e tem regresso marcado a Portugal em novembro: vai integrar o júri do Lisbon & Estoril Film Festival.

Fama. o artista na capa da revista “L’Officiel Hommes”

Fama. o artista na capa da revista “L’Officiel Hommes”

Saraiva continua a pintar o seu Mr. A onde quer que vá, o que lhe valeu recentemente um dissabor: postou uma imagem no Instagram de um desenho numa pedra no Parque Nacional de Joshua Tree, nos EUA, que ele mesmo apagou pouco depois, e foi alvo da fúria de muitos internautas, tendo recebido até ameaças de morte. “Era uma pedra do parque de estacionamento, mas aprendi que as pessoas escondidas atrás da internet podem ser muito perigosas.”

Por mais espaços que abra, por mais obras que crie, o artista português nunca hesita quando lhe perguntam o que faz: “Respondo sempre que desenho sobre paredes. Fazer graffiti é como ter um orgasmo interminável. É um prazer imenso.”

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 29 de outubro de 2016