Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

PJ e PJ Militar fazem buscas em bases da Força Aérea por suspeita de corrupção

José Caria

Operação envolve mais de 80 buscas domiciliárias e 25 não domiciliárias "em equipamentos militares" e decorre de suspeitas de esquema de corrupção entre oficiais e sargentos que gerem as messes. Há pelo menos quatro militares detidos. Investigação, que durava há dois anos, tem o apoio do Estado Maior da Força Aérea

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Cerca de 400 operacionais da Polícia Judiciária (PJ) e da PJ Militar estão a realizar esta quinta-feira buscas nas messes da Força Aérea de todo o país, depois de uma investigação conjunta que durava há cerca de dois anos.

Trata-se de um esquema de corrupção entre oficiais e sargentos da Força Aérea que, segundo fonte do processo, "desviou do orçamento da Força Aérea um terço da verba destinada à alimentação".

Os suspeitos, que gerem as messes, criaram uma contabilidade paralela para esconder a verdadeira entrada e saída de dinheiro, e de bens alimentares, nas bases militares. "Em pelo menos dois locais das buscas, há provas muito sólidas de corrupção", adianta uma fonte da investigação.

Alguns fornecedores destas unidades foram também investigados nos últimos meses, tendo as suas casas e empresas sido alvo desta operação.

Neste momento, haverá pelo menos quatro militares detidos nesta operação.

Segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República, estão em em curso mais de oitenta buscas domiciliárias e vinte e cinco buscas não domiciliárias "em equipamentos militares localizados na Grande Lisboa, em Beja e em Leiria".

Ainda segundo a PGR, investigam-se suspeitas de, pelo menos, desde o ano de 2015, algumas messes da Força Aérea serem abastecidas com géneros alimentícios, cujo valor a pagar, posteriormente, pelo Estado Maior da Força Aérea, seria objeto de sobrefaturação. "Tal sucederia por acordo entre militares que trabalham nas messes, fornecedores dos géneros alimentícios e um elemento do departamento do Estado Maior da Força Aérea com funções de fiscalização das referidas messes".

De acordo com o gabinete de Joana Marques Vidal, com a concordância destes intervenientes, "os fornecedores de diversas empresas entregariam determinadas quantidades de alimentos, mas, o valor faturado, no final de cada mês, seria cerca de três vezes superior ao dos bens entregues na realidade. A diferença entre o valor faturado e o dos produtos efetivamente fornecidos seria dividida pelos elementos envolvidos".

A investigação conta com o "total apoio e colaboração" das chefias do Estado Maior da Força Aérea, que mostram vontade em "fazer uma limpeza" a qualquer tipo ilegalidade interna, garante fonte do processo.

Participam na operação vinte e sete magistrados do Ministério Público, três centenas de elementos da Polícia Judiciária, quatro dezenas de elementos da Polícia Judiciária Militar e trinta peritos da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística e da Unidade de Tecnologia e Informação da PJ.

Em causa estão possíveis crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de falsificação de documento.

O caso iniciou-se há dois anos, depois de uma denúncia anónima feita à PJ Militar que, dada a envergadura da operação, pediu a colaboração da Polícia Judiciária. Também a 9ª secção do DIAP de Lisboa está envolvida nas buscas desta quinta-feira.