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Centrais termoelétricas são as maiores emissoras de CO2 no país

Ana Baião

A central da EDP de Sines lídera o ranking das cinco instalações que mais emitem gases de efeito de estufa em Portugal, seguida da do Pego. O sector de produção de eletricidade com base em combustíveis fósseis e o dos transportes são responsáveis por 46% das emissões nacionais de dióxido de carbono, alerta a associação ambientalista Zero.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Em vésperas da entrada em vigor do Acordo de Paris, a Associação Sistema Terrestre Sustentável - Zero verificou que só as duas centrais termoelétricas que produzem energia a partir da queima de carvão — a da EDP, em Sines e a da Tejo Energia, no Pego — somam 19% das emissões de gases de efeito de estufa do país. Para chegar a esta constatação, os ambientalistas analisaram a informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente sobre as maiores instalações industriais do país.

O “top 5” dos principais ‘contribuintes’ nacionais para as alterações climáticas inclui ainda a refinaria de Sines da Petrogal, a fábrica da Cimpor em Alhandra, e a TAP (transportes aéreos). Estas cinco empresas são responsáveis por mais de um quarto (26,8%) das emissões de gases de efeito de estufa (GEEs) em Portugal, denuncia a Zero.

“As centrais de Sines e do Pego deviam fechar dentro de quatro ou cinco anos ou, pelo menos ser definido um prazo para a sua desativação”, afirma ao Expresso Francisco Ferreira. Esse prazo poderá ser 2050, indicou o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, em entrevista ao Expresso, em Dezembro de 2015. A ideia, adiantou então, seria mudar o combustível de carvão para gás natural em 2030 e encerrar as duas centrais em 2050, cumprindo o objetivo de emissões zero.

Porém, para Francisco Ferreira não faz sentido mudar o combustível destas duas centrais, mas sim "substituí-las transitoriamente pelas centrais de ciclo combinado a gás natural já existentes no país e que são mais eficientes". E isso "pode acontecer muito antes de 2030”.

O sector de produção de eletricidade ocupa a segunda posição no ranking dos sectores mais poluentes elaborado pela Zero. Os ambientalistas pegaram no inventário de 2014 das emissões de CO2, entregue por Portugal à Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, e verificaram que a produção de eletricidade com base em combustíveis fósseis emitiu 22,5% do total de gases de efeito de estufa lançados para a atmosfera no paí, nesse ano.

Mas a nível sectorial, a produção de eletricidade é ultrapassada pelo sector dos transportes rodoviários, que totaliza 23,5% das emissões a nível nacional. “Os dois sectores somam 46%, quase metade das emissões de GEEs, o que é uma brutalidade”, sublinha Francisco Ferreira. Por isso, o engenheiro do ambiente defende uma “aposta séria” no transporte público coletivo, no transporte ferroviário para mercadorias e na mobilidade elétrica.

A terceira, quarta e quinta posição a nível dos maiores emissores de CO2 por sectores é ocupada respetivamente pela indústria cimenteira, pelos aterros de resíduos e pela produção de gado (sobretudo bovino). O metano libertado pelo lixo depositado em aterro e pela digestão dos ruminantes soma 11,2% das emissões registadas em Portugal. Aqui o conselho é: “As pessoas têm de comer menos carne e de reciclar mais o lixo que produzem.”

Os cinco sectores — transportes, energia, cimenteiras, resíduos e consumo de carne — são responsáveis por 67% das emissões de GEEs em Portugal.