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Politécnicos vão ao Parlamento defender doutoramentos: “O objetivo não é igualar, é diferenciar”

D. R.

Institutos consideram que Governo ainda não mostrou abertura para medidas concretas, apenas para discutir a questão. Mas confiam que a comissão parlamentar de Educação pode pressioná-lo a agir nesta questão. Possibilidade de ministrarem doutoramentos e de adotarem a designação internacional de Universidade de Ciências Aplicadas são as duas grandes bandeiras

Será na comissão parlamentar de Educação, esta quarta-feira, que os presidentes dos Conselhos Gerais dos Institutos Superiores Politécnicos vão defender a possibilidade de terem doutoramentos e a alteração do seu nome para uma designação internacional: Universidade de Ciências Aplicadas.

A possibilidade dos institutos superiores politécnicos poderem abrir doutoramentos tem vindo a ser estudada pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior e pelos responsáveis dos institutos. Em junho deste ano, o gabinete do ministro Manuel Heitor deixou em aberto essa possibilidade, mas não se comprometeu com uma proposta formal nesse sentido.

“Temos tido abertura em todas as instâncias na Assembleia da República, da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), Conselho Nacional de Educação”, diz ao Expresso o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). No entanto, Joaquim Mourato diz que embora exista um compromisso do Ministério da Ciência e Ensino Superior para colocar esta questão na agenda, “não existiu ainda abertura para que se faça alguma coisa em concreto”.

O também presidente do Instituto Politécnico de Portalegre acredita que a comissão parlamentar de Educação poderá ter um efeito persuasor no Governo para que equacione “mais seriamente” estas questões.

Mais formação e internacionalização

A possibilidade dos politécnicos ministrarem doutoramentos “não é obrigar a que todos os tenham, mas deixar esta questão à consideração da agência de avaliação, independentemente do sistema ser privado ou público, universidade ou politécnico”, defende Joaquim Mourato.

Esta é uma oportunidade que tem o objetivo de usar um conjunto de condições que já existem nos politécnicos e “criar uma diferenciação entre o sistema politécnico e universitário, ao contrário do que normalmente é dito”. Para o presidente do CCISP, o facto dos docentes dos politécnicos terem que estar “sempre com um pé nas universidades para progredirem na carreira”, através de doutoramentos, é um fator que dificulta a diferenciação dos dois sistemas.

E há ainda a questão da internacionalização. O facto de não poderem realizar doutoramentos nem usar uma designação internacional - Universidade de Ciências Aplicadas - leva estes institutos, na sua perspetiva, a perder terreno em muitas parcerias internacionais. “Se em Portugal fôssemos Institutos Politécnicos e no estrangeiro University of Applied Science já seria positivo.”