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Istambul: entre o Ocidente e o Oriente

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A maior cidade turca combina a história com um lado cosmopolita que não se fica pela tradição

Os tempos não estão fáceis para Istambul. Dizer que é uma cidade sem perigos e limitações seria fugir à realidade, mas viajar é também conhecer outras realidades diferentes da nossa e, com cautela e disponibilidade, usufruir do que cada destino tem de melhor.

Para quem chega pela primeira vez à maior cidade da Turquia é obrigatório deambular pelo bairro mais antigo (em Sultanahmet e arredores), por entre as dezenas de mesquitas com as suas cúpulas e minaretes que marcam toda a silhueta milenar da velha Constantinopla. O Bósforo vale todas as fotografias e hashtags, todas as travessias de ferry e todos os cafés tomados nas esplanadas das suas margens só para o observar. Nos dias quentes, os miúdos mais afoitos atiram-se àquelas águas em voos acrobáticos que disputam com as gaivotas. De que lado vale a pena olhar o Bósforo? Tanto faz, a cidade revela-se sempre assombrosa de um lado e do outro, entre a Europa e a Ásia. O romancista turco Orhan Pamuk escreveu: “O prazer de passear no Bósforo é que a pessoa sente que está num mar em movimento, poderoso e profundo dentro de uma cidade enorme, histórica e descuidada.”

A impressão de estarmos longe de casa é ainda maior quando ouvimos a voz do almuadem — o encarregado de chamar a população para a oração. Uma chamada que se repete cinco vezes por dia.

O centro histórico está entre o Mar de Mármara e o Corno de Ouro e avança na direção do Bósforo, na área onde se situa o Palácio Topkapi. Este foi o primeiro palácio da dinastia otomana em Istambul, construído após a conquista da cidade pelos turcos no século XV, a pedido do sultão Fatih Mehmet II. Na visita ao palácio pode ver como eram as roupas dos sultões, as armas imperiais e o tesouro.

Merece também uma visita cuidada a belíssima Basílica de Santa Sofia, conhecida como Aya Sofya (Divina Sabedoria), símbolo da arquitetura bizantina, que foi catedral ortodoxa, catedral católica, mesquita e museu desde 1935. Com uma cúpula central de 31 metros de diâmetro, durante 500 anos foi a mesquita principal de Istambul.

Foto 2

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Descubra igualmente a Cisterna Submersa, que se revela num espaço de outro tempo, conservado ao longo de milhares de anos. A Yerebatan Sarayi (foto 1) é uma antiga cisterna subterrânea edificada por Constantino e ampliada por Justiniano no século VI para levar água ao palácio imperial. De destacar entre as altas colunas, nesta lagoa artificial, as duas monumentais cabeças de Medusa. Uma delas está virada ao contrário. Reza a lenda que a personagem está de boca para baixo para afastar o poder maléfico do seu olhar, que converte em pedra quem a contemplar. Falta de contemplação não tem, nem de selfies dos turistas...

Não deixe ainda de se perder no Grande Bazar, um labirinto de galerias com 12 portas principais, onde se compra quase tudo. O que é regra naquele lugar é o regateio dos valores pedidos, e quem não entra nesse jogo faz mau negócio e não ganha a simpatia dos vendedores. Passe também pelo Mercado de Especiarias, que é uma tentação para os sentidos, e delicie-se com a baklava, um dos doces mais populares no mundo árabe.
Ao fim da tarde e à noite divirta-se nas discotecas, bares e terraços com vistas panorâmicas espalhados pela rua Istiklal, a mais famosa via pública de Istambul. Uma dica: suba até ao 8º andar do 360 (foto 2), o bar com a melhor vista panorâmica da cidade, que vira um clube dançante após a meia-noite (Istiklal Caddesi, 163).

Postal

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Massagem à moda turca

Conhecer uma cidade envolve gastar muita sola e, provavelmente, ficar com o corpo amassado ao final do dia. Mas, já que está em Istambul, não perca a oportunidade de ir a banhos num Hamam e de receber uma massagem turca, que lhe garante o relaxamento que quer para as suas férias. De resto, não deverá ter muitas oportunidades na vida de passear de toalha (turca, pois claro) à cintura no interior de um monumento otomano do século XVI. Pode encontrar vários Hamams em ambos os lados da ponte Galata. Um dos mais conceituados é o Ayasofya Hurrem Sultan Hamami (foto 3), que sofreu uma meticulosa restauração e proporciona um tratamento tradicional de luxo. Nos dias quentes, pode usufruir também do café e do restaurante que existe no terraço.