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“Imaginem um hotel de cinco estrelas com cuidados médicos. É onde escolhi morar!”

marcos borga

Quando a idade começa a fragilizar o corpo e a mente, uma das soluções são os lares. Há uns anos surgiram no mercado residências sénior que prometem serviços de excelência para a última morada dos idosos. Fomos conhecer como se vive nalguns deles

O melhor do dia são sempre as manhãs. Quando as cortinas se abrem e o sol e o imenso azul do mar invadem o quarto de Carlos Faro. Ao fundo avista-se a praia de Carcavelos, o forte de São Julião da Barra e a torre do Bugio. A solidão é a companheira da madrugada, mas vai-se com a luz e o som dos carros que passam velozes na marginal. A empregada traz o primeiro ‘bom dia’, mais o pequeno almoço e o jornal. No tabuleiro vem sempre café com leite, uma sandes com fiambre e um sumo de laranja. Quando está para isso, Carlos liga a aparelhagem para ouvir música sinfónica e os clássicos que nunca envelhecem: Beethoven, Bach, Mozart ou Schubert. A sombra mansa que pousa na varanda dura até às 11h e convida, por vezes, a estender-se no cadeirão de vime para sentir a brisa marítima enquanto lê as notícias em papel ou no tablet, onde os filhos lhe colocaram também alguns livros em formato digital — “Ainda sou um deformado do livro tradicional. Mas tenho no tablet várias obras, como os “Maias”, de Eça, que tanto gosto e ao qual já regressei umas vinte vezes. Mas para ler neste aparelho tenho que colocar a letra muito grande senão fico com a vista cansada”. Carlos, engenheiro químico reformado, tem uns vivaços 85 anos e um acordar bem-disposto, apesar das dores de ter perdido a mulher há ano e meio. “Claro que custa. Mas já me conformei.” Na cabeceira da cama e na parede tem a família para o aconchegar: O retrato da esposa, da mãe, dos três filhos, dos nove netos e cinco bisnetos. E para o abençoar estão expostos num móvel dezenas de Santos Antónios. “Foi das poucas coisas que trouxe comigo. É uma espécie de altar com uma figura que me representa. A minha mãe era devota dele. Os restantes pertences entreguei aos meus filhos.”

O seu calcanhar de Aquiles é mesmo... o calcanhar, que partiu há três meses, e o coração, que foi operado este ano, e que o deixou em convalescença. Nada que o impeça de ir três vezes por semana à piscina da residência para dar umas braçadas. “Gosto de nadar debaixo de água e de me deitar de costas, de barriga para o ar, para fazer alguns exercícios de pernas. E já estou bem melhor.”

Foi após a morte da mulher, que Carlos decidiu desfazer-se do património, deixar a casa que tinha em São Pedro do Estoril e mudar-se para a residência sénior Domus Vida, localizada na Parede, pertencente ao grupo José de Mello (que tem outra unidade no Parque das Nações, Domus Vida Lisboa). Uma espécie de lar de idosos, mas com condições e serviços de excelência. “Imaginem um hotel de cinco estrelas com cuidados médicos. É onde escolhi morar. Um lugar compatível com a minha estrutura económica, que me dá apoio.” Carlos Faro tem uma boa reforma, cerca de 3000 euros líquidos. “Junto a esse valor algumas economias para me ajudar a pagar este quarto, mais os tratamentos específicos que tenho precisado fazer.” Para aqui chegar Carlos acumulou um currículo excecional. “Considero-me um homem de desenvolvimento. Fui eu que remodelei a indústria dos sabões, ao lançar para o mercado o sabão Clarim, bem mais barato do que o sabão tradicional. E trouxe para Portugal o primeiro hipermercado Pão de Açúcar, no qual fui administrador.”

Carlos afirma que agora faz uma vida fechada, de poucos convívios, naquele lugar de design moderno, sofisticado, forrado com madeiras claras. “Andam por aqui pessoas assim e assado, meio alheadas, e isso não se dá com o meu feitio. Claro que eu tenho algumas mazelas, mas ainda guio e faço a minha vida quotidiana. Tenho pavor de perder o juízo e a inteligência.” Carlos refere-se ao facto de metade dos utentes daquela residência sofrerem de alguma demência — muitos não têm a autonomia de Carlos.

“Culturalmente, em Portugal a maioria das pessoas entra nos lares quando está dependente ou semidependente”, explica Luísa Loureiro, a diretora da unidade. O que quer dizer que não conseguem cuidar da sua higiene pessoal, vestirem-se, andarem sozinhos, alimentarem-se, tomarem a medicação e por aí fora. O valor mais baixo de permanência naquela residência é de 1990 euros, para um quarto partilhado, com vista para terra, e acesso ao serviço de hotelaria, de tratamento de roupa, atividades de grupo, atos médicos e enfermagem. A esse valor somam-se 30 euros por dia nos tratamentos de recuperação de ortopedia e geriátrica. Ou mais 50 euros por dia nas recuperações neurológicas. Os valores podem subir consideravelmente se o quarto for individual, com vista mar.

É um luxo acessível para muito poucos, dado que a média das pensões em Portugal, em 2015, era de 467,50 euros para os abrangidos pelo regime geral da segurança social (13 meses, incluindo os duodécimos do subsídio de Natal) e de 1112 euros no caso da Caixa Geral de Aposentações (os funcionários públicos). Atualmente, estão naquela unidade 95 residentes e há vagas para mais dez. Numa das salas de estar, com janela para o oceano, está um casal entretido em leituras. Ele lê “Propagandas Silenciosas” de Ignacio Ramonet e ela “Nada do Outro Mundo”, de António Munõz Molina, sem precisar de óculos.

Rui Costa Pinhão, de 95 anos, e Palmira Rombert, de 94 anos, são professores catedráticos jubilados, durante boa parte da vida trabalharam no Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa. “Fazemos 70 anos de casados em dezembro.” É a primeira informação sobre eles que é passada por Palmira. Na verdade, a mais importante. Mostram-se bons companheiros. Entraram juntos há uns anos por uma curta temporada para que Palmira recuperasse de uma operação à anca. Regressaram uma segunda vez quando Rui sofreu um traumatismo provocado por uma pancada. “Fomos muito bem tratados pelos médicos, enfermeiros e funcionários. E, claro, gostámos das condições do espaço.” Mas a decisão de se mudarem de vez para a suite onde agora vivem, com dois quartos, aconteceu há três anos. “Éramos um casal de velhotes sozinhos em casa. Entretanto, a nossa empregada reformou-se e nós decidimos vir para aqui morar. Isto resolve-nos os problemas todos, não temos maçadas, tirando o pagamento das mensalidades. Não tem nada a ver com o clássico lar de idosos. Saímos e entramos do quarto e da residência quando queremos. Recebemos visitas quando queremos. É um meio termo entre hotel e casa.” Ao seu lado, Palmira emenda: “Aqui estamos bem, mas a nossa casa é outra. Onde vamos uma vez por semana cuidar das plantas.” Com uma pensão de quase 3000 euros, cada, dizem que o que recebem quase chega para os gastos na residência, ‘mais uma dentadinha nas economias, porque os cortes que o Estado nos fez assim nos obriga’. Palmira tem um gosto especial em ir às aulas de movimento, estímulo cognitivo e memória que se realizam semanalmente. Rui prefere os passeios pelo jardim das imediações ou entreter-se com os livros, jornais e o sempre estimulante Sudoku. “Deixei-me de ver os canais por cabo. Já sei de cor como se matam pessoas, não preciso de aprender mais nada sobre esse assunto...”, ironiza.

Naquela casa para pessoas sénior há mais de uma dezena de outras atividades semanais, que vão desde o jogo do bingo, às aulas de pintura, aulas de culinária onde se aprende a fazer scones, até à leitura de poemas ou sessões de cinema.

Mas aquela casa não é só para acolher idosos. Recebem acidentados em recuperação e doentes oncológicos ou com doenças degenerativas. Nesses casos é cobrado uma diária, que começa nos 88 euros para um quarto partilhado. “É para nós uma alegria ver chegar uma pessoa com grandes limitações, sem poder andar, e sair pelo seu próprio pé. Anima o pessoal técnico”, comenta a diretora.

A poucos metros dali, também na Parede, ergue-se outro edifício para séniores, com condições privilegiadas, que se pode avistar na marginal que liga Lisboa a Cascais. É a Residência Montepio Parede, propriedade do grupo Montepio, que acolhe 75 utentes em 20 quartos duplos e 35 individuais. O preço mais baixo é de 2150 euros, para uma pessoa num quarto partilhado. Quem quiser a comodidade de um quarto individual vê a mensalidade subir para 2750 euros. Que também inclui os serviços de hotelaria com os de enfermagem, psicologia, animação e cuidados médicos de uma equipa multidisciplinar. A este valor acrescem os medicamentos, fraldas e fisioterapia individualizada que vier a ser necessária. No entanto, a procura não falta. “Neste momento estão 30 pessoas em lista de espera. Em breve teremos uma nova unidade nesta morada, com mais 30 camas.”

A aula de Chi Kung arranca às 10h30 no ginásio daquela residência com mais de uma dezena de participantes. Esta prática chinesa associada às artes marciais e desenvolvimento espiritual é ali adaptada à condição física dos presentes, que têm entre 70 e 90 anos. Estão sentados e movem suavemente braços, mãos, pescoço e tronco junto com respirações profundas, de acordo com as instruções em voz pausada do terapeuta. Chi Kung significa literalmente ‘energia’ (Chi) e ‘habilidade, treino’ (Kung). Ou seja, treina-se ali o desenvolvimento da energia.

“Já conhecia bem esta modalidade, que aprecio bastante. Há muitos ginásios que têm”, diz para toda a turma Manuela Banha, de 85 anos, uma mulher de cabelo branco, sorriso largo e muito bem aprumada. Esta engenheira química na reforma conta que foi para ali morar para escapar a uma situação familiar delicada. “Tenho 4 filhos, um deles, com quem ainda vivia, sofre de esquizofrenia. O que me deixava muito em baixo. E após um AVC que sofri, os meus outros filhos aconselharam-me a vir para aqui. Foi o melhor que fiz.” Conta que está encantada com as instalações, as atividades em que participa e os filmes, espetáculos de sapateado ou concertos que passam num grande televisor. Apenas tenta escapar das salas onde se juntam as pessoas com demência. “Em certos locais, o ambiente às vezes não é o melhor para uma pessoa felizmente ainda boa da cabeça. Prefiro descansar nos cadeirões com vista para o mar ou pôr-me a ver à tarde, na RTP, a Dina Aguiar a falar das notícias do nosso país.”

Suite. Carlos Faro, 85 anos, decidiu desfazer-se das propriedades e mudar-se para uma residência sénior à beira-mar após ficar viúvo

Suite. Carlos Faro, 85 anos, decidiu desfazer-se das propriedades e mudar-se para uma residência sénior à beira-mar após ficar viúvo

marcos borga

Ao lado há uma sala com um grupo de idosos que acusa mais o peso da idade. Têm limitações, demências várias, e estão em tarefas de estímulo cognitivo. O ambiente não é pesado, assiste-se a momentos de poesia, capazes de arrancar sorrisos pela ternura do momento. Uma mulher de 85 anos tem as mãos mergulhadas numa caixa de plástico cheia de feijões. De lá vai encontrando botões coloridos. Já contou dez. E continua a busca, serenamente. Ao seu lado outra mulher, com as rugas dos seus 94 anos, de auscultadores colocados, assiste atentamente a um vídeo que passa num computador portátil, que lhe mostra os mais variados animais e seus sons. “Que animal está a ver?”, pergunta uma das animadoras. A mulher reconhece o pato, o elefante, a coruja e o leão. E toda a arca de Noé que lhe apresentam. Prova superada.

A poucos metros, um grupo de mulheres trata da aparência no cabeleireiro da residência. Maria Helena Teixeira, de 72 anos, uma senhora elegante com um acentuado risco roxo nos olhos, pede o penteado habitual, que leva sempre muita laca e inúmeros movimentos de escova para arredondar o cabelo. “Só preciso de vir ao salão uma vez por semana para lavar, de resto consigo fazer o penteado sozinha. São muitos anos.” Afirma que está ali por uma temporada para recuperar de uma forte depressão. Chegou em junho passado. “Desde que o meu marido morreu fui muito abaixo. E esta residência está a ajudar-me a recompor-me. Espero poder voltar para casa. Sei que vou precisar de uma empregada de dia e de noite, o que me vai custar bastante dinheiro, mas prefiro estar no meu espaço. Não há como a nossa casa, não é? Mas só o farei quando o médico achar que posso. Não quero apressar a situação e ser obrigada a regressar a esta residência.”

Uma opinião bastante diferente tem Isabel Goulão, de 71 anos, que, três anos depois de entrar neste edifício de malas feitas, já o sente como a sua casa, apesar de partilhar um quarto com uma outra mulher que conheceu na própria residência. “Vai dando certo. Já deitava o meu apartamento pelos olhos. Tinha infiltrações, estava velho e já me sentia muito cansada para assegurar as rotinas quotidianas.” Diagnosticada com bipolaridade há mais de vinte anos, esta professora reformada de matemática e físico-química afirma estar a viver uma fase ‘tranquila’, controlada pela equipa médica. “Em casa tinha o apoio dos meus filhos, mas custava-me vê-los a terem tanto trabalho comigo. Aqui estou com as condições todas. Tenho cama, mesa e roupa lavada, mais ginástica e cuidados de saúde, não preciso de me preocupar com compras ou cozinhar e posso fazer caminhadas à beira-mar. O que posso querer mais?” Para conseguir assegurar a mensalidade, vendeu o T5 no bairro da Graça e comprou outro bem mais pequeno que tem alugado para juntar à pensão de reforma, que anda pelos 1900 euros. “Não tenham dúvidas que aqui tenho mais mordomias do que tinha em minha casa.” A conversa é tida no hall de entrada, onde se destacam dois belíssimos quadros a óleo. Um ilustra a Basílica da Estrela o outro representa a serra de Monchique e as suas águas. Estão assinados por Maria Luísa Patrocínio Brito Costa, uma artista que viveu nesta residência durante quatro anos. “Esta senhora foi-se embora porque não conseguiu continuar a pagar a estadia. Enquanto cá esteve deu quadros a toda a gente, pessoal técnico e utentes. Chegou a ensinar muitos residentes a pintar”, conta a diretora Isabel Sérgio, que esclarece que o grupo Montepio tem no total 640 utentes distribuídos em residências no Porto, Gaia, Coimbra, Montijo, Lisboa e nesta unidade da Parede.

A cinco quilómetros da vila de Sesimbra, num edifício moderno emoldurado por um pinhal, avista-se a Residência Sénior Egas Moniz. À primeira vista parece um hotel de charme plantado no campo. Não é um hotel, mas charme e campo é o que não falta nesta residência. Na manhã da visita, observámos a caminhada de três mulheres pela zona verde do espaço. Maria Manuel Cabral, de 85 anos, marcava o passo das três. “Acabámos de tomar o pequeno-almoço, café com leite e pão com marmelada, e agora quero mexer o corpo. O melhor disto é o ar puro. Não é uma maravilha?” Esta antiga educadora de infância assume que aquela nova morada tornou-se uma inevitabilidade. “Claro que tenho saudades da minha casa, mas estou velha. É melhor estar aqui, onde sou acompanhada, em casa estava sozinha. E a minha filha tem a sua casa, a sua vida...”

Naquela mesma manhã decorria uma aula de hidroginástica na piscina da residência, que não ficava atrás de nenhum hotel ou ginásio de topo. Quatro alunas davam as mãos e rodavam em círculo na água, para depois exercitarem os braços com uma barra de espuma. A aula estava sob o comando de uma instrutora com idade para ser bisneta da maioria das alunas. E, por uns momentos, naquela piscina pareciam todas da mesma idade. O maior espanto é causado pelo vigor de Susete Ribeiro, 94 anos de vontade e entusiasmo, apesar da viuvez que ainda lhe turva os olhos de lágrimas quando fala do homem que tanto amou. A hora da piscina é a hora em que o tempo anda para trás. “Não sei nadar, mas adoro água desde pequena. É onde me sinto bem. Parece que tenho menos uns 15 anos”, conta.
De entre os 54 residentes (a lotação é de 60) a maioria está numa sala comum, a assistir em silêncio às bandas de baile que desfilam no programa da manhã num dos quatro canais. Isto até que a dança passe para a sala de refeições onde a estrela do dia é o robalo no forno. 80% da comunidade são mulheres. Sabe-se que elas duram mais. Nada de novo. À tarde, é tempo de cinema e de (re)ver e suster o fôlego com o “Ladrão de Casaca”, de Hitchcock, filme de 1956, com Cary Grant e Grace Kelly. “São os filmes do nosso tempo. Enquanto isso estou entretida com malha, não a fazer uma casaca, mas um casaquinho para um bisneto meu”, revela uma das mulheres. O que é mais difícil de gerir num espaço como este? A resposta da diretora, Sandra Martins, é pronta: “Gerir a expectativa das famílias é o mais complicado. Porque não viviam com o idoso que nos trouxeram. Julgam que ele tem uma autonomia que não se verifica e o próprio idoso, que durante muito tempo foi o motor da família, não quer mostrar aos filhos que perdeu capacidades. Quer fazê-los acreditar que é autónomo a tomar a medicação, a fazer a higiene. E, em muitos casos, não é verdade.” Uma das particularidades desta residência é o facto de pertencer à Universidade Egas Moniz, uma instituição com sede na Caparica e os melhores alunos das várias especialidades vão estagiar naquele lugar.

marcos borga

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Atividades. Na residência Montepio Parede há atividades para todos os gostos, capacidades e feitios

Atividades. Na residência Montepio Parede há atividades para todos os gostos, capacidades e feitios

Marcos Borga

Fora da cena, no aconchego do quarto, há um casal que andou muito tempo a namorar um lugar como este para passar o resto dos dias. Américo Santos, de 82 anos, e Maria Emília Santos, de 85, ambos funcionários de seguros aposentados, estão no sofá junto à janela entretidos a ler o Expresso e o romance “Serpentina”, de Mário Zambujal. “A maneira como o Zambujal se dirige a nós, com a sua particular ironia agrada-me muito”, comenta Maria Emília. Américo explica o que os levou até aqui: “Estávamos a chegar aos 80. Quisemos antecipar uma situação mais frágil em que precisássemos de auxílio e preferimos ser nós a escolher a residência onde iríamos ficar. Temos total confiança nos nossos dois filhos, mas fizemos questão que esta mudança fosse uma escolha nossa. Só nossa. A maioria das pessoas vai para um lar escolhido pelos filhos. E nem sempre corre bem. Nós fizemos diferente. Experimentámos, gostámos e ficámos.” O ditado diz que homem prevenido vale por dois. E foi o que lhes valeu, quando Maria Emília sofreu uma delicada encefalite quando já ali moravam. “Tivemos um acompanhamento cinco estrelas. Foram excecionais numa fase em que a minha mulher precisava de todos os cuidados, não mexia uma palha. Felizmente ela está muito melhor e essa fase foi superada.” Ambos pagam agora o preço base daquela residência, 1400 euros por quarto duplo, para casais independentes. Os preços aumentam de acordo com as limitações dos utentes, podem chegar aos 1700 euros (quarto duplo para pessoa dependente) ou 2000 euros (quarto individual para pessoa dependente). “A minha reforma dá para pagar esta suite e ainda sobra um bocadinho para a gasolina do carro e outras pequenas despesas. Caso contrário não ficaríamos aqui.” Isto porque Américo e Emília vão todos os dias a casa, a casa de sempre, regar o jardim e fazer um passeio pelas redondezas. De manhã, Américo ainda dá umas braçadas na piscina, fora das aulas de grupo que não lhe interessam. Se vivem num lar de luxo? “Temos boas condições e para o serviço nem é caro. Mas o meu verdadeiro luxo é ainda poder almoçar com os meus amigos de vez em quando e ter o prazer de poder tratar das árvores de fruto da minha casa: as videiras, a ameixoeira, as tangerineiras, as laranjeiras e o limoeiro. Além das flores que são a grande paixão da minha mulher. Só podar aquilo tudo é um trabalhão. E um enorme prazer.” Dos pequenos grandes luxos, portanto.