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Martim não foi alvo de rapto, garante PJ

FOTO LUSA PAULO CUNHA

Investigação da Polícia Judiciária descarta ato criminoso no caso da criança de dois anos de Ourém, que esteve desaparecida durante 25 horas

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Martim, de dois anos, esteve desaparecido durante 25 horas, sendo encontrado por militares da GNR a cerca de um quilómetro de casa dos avós. Especulou-se que teria sido raptado, um dado que uma fonte da Polícia Judiciária não confirma.

Os investigadores garantem ao Expresso que Martim "apenas saiu do seu raio de ação e perdeu-se", não tendo sido levado por ninguém.

Terá sido o facto de ser uma criança "habituada a andar no campo", e em particular na área circundante à casa dos avós, que permitiu que Martim sobrevivesse durante 25 horas, sem o apoio de ninguém.

Depois de ser encontrado por militares da GNR, em "pré-hipotermia", detetaram-se "pequenos hematomas" normais para uma criança perdida numa região com pedras e arbustos.

A prática criminosa está por isso "praticamente afastada" pelos investigadores do caso.

A GNR divulgou a foto do momento em que encontrou o bebé de dois anos, que esteve desaparecido por 25 horas em Ourém. “É com enorme satisfação que partilhamos o momento em que encontrámos o Martim!”,leu-se no post, onde se via três elementos da GNR de Leiria, um deles com a criança ao colo com o rosto tapado.

“O Martim foi localizado esta manhã, pelas 10h, por militares da GNR, na sequência das ações de busca que estavam a ser realizadas desde o dia de ontem. O Martim está bem de saúde e de regresso à sua família”, podia ler-se ainda no mesmo post, publicado na última terça-feira de manhã.

O guarda Duarte, fotografado com o bebé ao colo, andava há uma hora e meia a bater o terreno junto à casa onde Martim, de dois anos, tinha sido visto pela última vez quando ouviu um barulho. “Era um murmúrio, mas não percebi logo o que era. Naquele momento passou um avião e eu e os meus colegas deixámos de ouvir”. Depois de o avião passar, os três militares da GNR voltaram a ouvir o mesmo barulho. “Um murmúrio, um choro baixinho. Era ele”, explicou ao Expresso.

Sentado “na beira da estrada” de terra batida, a oitocentos metros em linha reta da casa dos avós, estava Martim, o bebé de dois anos que tinha desaparecido há 24 horas e que se suspeitava ter sido raptado, até pelo pai, separado da mãe há poucos meses. “Perguntou primeiro pela mãe e depois pela avó”, conta o guarda. “Estava assustado e muito molhado. O meu colega despiu-o, embrulhou-o no casaco da farda e levamo-lo logo para o posto médico. Parou de chorar e via-se que estava aliviado.” Minutos depois estava nos braços da mãe. “Foi indescritível”, admite o guarda Duarte que está na GNR há oito anos e viveu hoje “um dos dias mais emocionantes de sempre”. O momento ficou registado numa selfie. “Tirei para festejar com os meus colegas, a decisão de publicar no Facebook foi da GNR.”.