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Mortes nos comandos: autópsias não encontraram vestígios de substâncias ilegais

Marcos Borga

Relatório das autópsias a Hugo Abreu e Dylan Silva revela que não tomaram substâncias dopantes, como chegou a ser sugerido por alguns militares após as suas mortes. Ambos foram vítimas de “um golpe de calor"

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Hugo Abreu e Dylan Silva, os dois militares vítimas de "golpe de calor" durante o segundo dia do 127.º curso de Comandos, não tomaram substâncias dopantes, como chegou a ser sugerido por alguns militares após as suas mortes.

O relatório da autópsia realizado pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLC) revela que ambos os jovens de 20 anos não tinham vestígios de produtos anabolizantes.

Segundo várias fontes militares ouvidas pelo Expresso no último mês, o uso destas substâncias ilegais não é incomum entre alguns jovens instruendos dos comandos. Servem para melhorar a performance nos treinos físicos destas tropas especiais.

Os dados oficiais dos peritos do INMLCF confirmam que os militares foram vítimas de "um golpe de calor", uma informação avançada pelo Expresso logo no dia seguinte aos incidentes no campo de tiro de Alcochete onde se realizava o segundo dia do 127.º curso dos Comandos, a 4 de setembro.

Na altura, e de acordo com uma fonte hospitalar, o soldado Dylan Silva, tinha admitido nas Urgências do Hospital do Barreiro, no dia 4 de setembro, depois das 23h, com uma temperatura corporal de 42 graus (mais seis graus do que o normal). Viria a morrer no sábado seguinte.

Horas após a morte em Alcochete do primeiro militar, Hugo Abreu, o Exército fez um comunicado em que já usava a mesma expressão, revelando que o médico que acompanhava a instrução diagnosticou “um golpe de calor” ao jovem militar de 20 anos.