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Lobo Antunes fundou o Instituto de Medicina Molecular, um dos maiores centros de investigação do país

O iMM, localizado no Centro Académico de Medicina de Lisboa, tem 35 laboratórios, cinco empresas start-up, mais de 500 investigadores, 200 doutorados e um orçamento anual de 15 milhões de euros

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

João Lobo Antunes fundou em 2002 o Instituto de Medicina Molecular (iMM) e foi seu presidente durante mais de dez anos. O iMM, localizado no Centro Académico de Medicina de Lisboa - que integra ainda o Hospital Universitário de Santa Maria e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa - é hoje um dos maiores centros de investigação do país, tendo 35 laboratórios, cinco empresas start-up, mais de 500 investigadores, 200 doutorados e um orçamento anual de 15 milhões de euros.

É um instituição privada sem fins lucrativos, que tem como presidente Maria do Carmo Fonseca (Prémio Pessoa 2010) e como diretora-geral Maria Manuel Mota (Prémio Pessoa 2013). O iMM foi classificado de "Excelente" na última avaliação aos centros de investigação nacionais feita pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O instituto promove a investigação biomédica básica, clínica e de translação (aplicada), tendo grande projeção nacional e internacional. Uma parte significativa do seu orçamento anual é obtida de forma competitiva através dos projetos de investigação que desenvolve, que são financiados pela Comissão Europeia e por fundações, empresas e instituições de investigação nacionais e internacionais.

O iMM tem o maior banco de amostras biológicas português, o Biobanco, que fornece centros de investigação em Portugal, Espanha e Alemanha. Em abril deste ano o Biobanco guardava 133 mil amostras de 14 mil doadores doentes e saudáveis.

Do envelhecimento à doença do sono

Em 2015 os seus investigadores publicaram 232 artigos científicos em revistas internacionais de referência, relacionados com descobertas feitas nas mais diversas áreas das ciências da vida. Um dos mais recentes artigos, divulgado a 30 de agosto de 2016, revela que a cafeína retarda perdas de memória associadas ao envelhecimento, porque diminui a resposta ao stresse.

O estudo foi publicado na conhecida revista "Scientific Reports", do grupo Nature, e descreve o mecanismo pelo qual a cafeína ou os seus análogos têm efeitos beneficos na perda de memória associada ao envelhecimento. O estudo foi desenvolvido durante três anos por uma equipa constituída por cientistas alemães, norte-americanos e franceses e coordenada por Luísa Lopes, investigadora do iMM Lisboa.

Outro estudo, divulgado a 30 de maio e publicado na revista "Cell Host & Microbe", descobriu que o parasita da doença do sono se esconde na gordura do doente. O estudo foi conduzido por uma equipa liderada pela investigadora Luísa Figueiredo, e poderá abrir novos caminhos de tratamento desta doença, que é contraída através da picada da mosca Tsetse, e que coloca em risco mais de 60 milhões de pessoas em África.

Sem tratamento, esta doença é fatal e além dos humanos, atinge também outros animais, como vacas e cavalos,o que tem um impacto económico devastador, contribuindo para a pobreza em muitos países africanos.

A doença do sono é provocada por um parasita (Trypanosoma brucei), que se julgava viver sobretudo no sangue de pessoas. Com alguma frequência, o tratamento dos doentes parece eficaz numa fase inicial, mas posteriormente verifica-se que afinal nem todos os parasitas foram eliminados.