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Balsemão: “Perdi um bom amigo”

João Lobo Antunes e Francisco Pinto Balsemão, em 2014, na última aula do neurocirurgião

Nuno Botelho

Era “um grande neurocirurgião e um professor respeitado e admirado. Mas era muito mais que isso. Era um “homem de cultura” e “um cidadão interveniente”. Quem assim evoca João Lobo Antunes é Francisco Pinto Balsemão, fundador e primeiro diretor do Expresso. João Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 72 anos, vítima de melanoma

Francisco Pinto Balsemão

Ainda há pouco tempo, tinha falado com ele e insistido para que viesse à próxima reunião, em dezembro, do Júri do Prémio Pessoa, do qual ele fazia parte desde 2002 (em 1996, fora ele o premiado). Nessa conversa, pareceu-me que ele, embora consciente da gravidade do seu estado de saúde, queria estar presente em Seteais e acreditava que poderia comparecer.

João Lobo Antunes era um grande neurocirurgião e um professor respeitado e admirado pelos seus alunos e assistentes. Recordo-me do calor com que o aplaudiram e acarinharam na magistral última lição que proferiu, em junho de 2014, no Auditório Egas Moniz da Faculdade de Medicina de Lisboa, na véspera de completar 70 anos, numa sala repleta a deitar por fora, onde também marcaram presença as mais altas figuras do Estado português.

Mas o João era mais do que isso. Era um homem de cultura, lia, absorvia, utilizava a riqueza do que ia aprendendo, escrevia – e escrevia muito bem – e nunca parava de aprender. Era também um cidadão interveniente, das campanhas presidenciais, onde se empenhou, à luta pela ética na medicina. Lembro-me, com admiração, de algumas das intervenções exemplares que fez no Conselho de Estado, onde coexistimos durante alguns anos.

Perdi um bom amigo, que me deu excelentes conselhos em fases diferentes da minha vida.

O António e os outros irmãos perderam um irmão insubstituível. Acompanho-os com carinho, neste momento tão difícil para todos nós, mas sobretudo para eles.