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Dois enfermeiros dos Comandos já foram constituídos arguidos

Marcos Borga

Os dois enfermeiros que estavam na tenda onde foram socorridos os dois instruendos dos Comandos que morreram foram ouvidos esta tarde pelo DIAP de Lisboa. Ambos estão indiciados da prática do crime de omissão de auxílio e abuso de autoridade. PGR já confirmou a informação

Os dois enfermeiros que estavam na tenda onde foram socorridos Hugo Abreu e Dylan Silva, os dois instruendos do 127.º curso dos Comandos que morreram a 4 de setembro, foram constituídos arguidos pelo crime de omissão de auxílio. Os dois profissionais de saúde foram ouvidos na tarde desta terça-feira pelo DIAP de Lisboa. Já o médico do curso ainda não foi constituído arguido.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já confirmou esta informação, numa nota aos órgãos de comunicação social: "No âmbito de um inquérito, dirigido pelo Ministério Público, onde se investigam as circunstâncias do treino que levaram à morte de alunos do curso de Comandos, foram, esta tarde, ouvidos, na qualidade de arguidos, dois enfermeiros militares."

Segundo a PGR, concluídos os interrogatórios, que foram conduzidos pelo Ministério Público, os arguidos ficaram sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência.

"Até ao momento, para além dos agora constituídos, o processo não tem quaisquer outros arguidos".

As investigações prosseguem, estando em causa "suspeitas da prática de crimes de omissão de auxílio (art.º 200.º do Código Penal) e de abuso de autoridade por ofensa à integridade física (art.º 93.º do Código de Justiça de Militar)".

Nesta investigação, que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária Militar, realça ainda a PGR.

Fonte da Ordem dos Enfermeiros adianta ao Expresso que vai "de imediato" pedir a identificação dos dois enfermeiros e abrir um inquérito. Lamenta, no entanto, não ter sido oficialmente informada pelo Estado Maior do Exército sobre as suspeitas que recaem sobre os dois enfermeiros.

Na última semana, o Exército abriu dois processos disciplinares no seguimento das investigações sobre as condições de formação no 127º curso de Comandos, em que morreram Hugo Abreu e Dylan da Silva. Em comunicado, o Exército informou que foram detetados “indícios da prática de infração disciplinar”.

Ao Expresso, o porta-voz do Exército, tenente-coronel Vicente Pereira, confirmou que dois instrutores foram constituídos arguidos e que o processo de “averiguações interno continua a decorrer”. Além dos dois casos, cujas identidades não foram reveladas, podem ainda ser abertos mais processos disciplinares a instrutores do mesmo curso.

[notícia atualizada às 18h25]