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Câmara de Lisboa decide abater apenas três árvores em Entrecampos

A decisão foi anunciada após uma manifestação contra o plano de abate de 28 árvores para permitir a construção de um parque de estacionamento

A Câmara de Lisboa informou esta segunda-feira que vai rever o projeto de uma obra na zona de Entrecampos, cortando apenas três das 28 árvores que previa inicialmente abater para dar lugar a um parque de estacionamento, e transplantando outras cinco.

Segundo a organização, mais de 50 pessoas juntaram-se esta manhã na zona de Entrecampos, durante duas horas, numa concentração com o objetivo de tentar travar o abate de 28 árvores num jardim (de um total de 52, de acordo com os moradores). Depois da concentração, um grupo de moradores foi recebido pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado.

À margem da apresentação do Plano de Investimentos da Cidade de Lisboa 2016-2020, o autarca disse à Lusa que informou os moradores de que “o projeto vai ser revisto”. “Com essa revisão, reduziu drasticamente o número de árvores a abater e a transplantar. Eram 28 no total e ficaram três árvores para abater e cinco para serem transplantadas”, frisou Manuel Salgado.

Quanto ao desejo manifestado pelos moradores de que as árvores transplantadas fiquem naquela zona da cidade, o vereador observou que irá “ponderar essa hipótese”.

A concentração foi convocada na passada sexta-feira através dos canais de comunicação do grupo cívico lisboeta Fórum Cidadania Lx e da Plataforma em Defesa das Árvores, para as 8h desta segunda-feira, mas a ideia partiu de dois moradores. Depois de Duarte Raposo Magalhães e a mulher tentarem travar o avanço das máquinas dentro da obra, e de serem recebidos pela Câmara, mas sem notícias que considerassem satisfatórias, decidiram então convocar um cordão para tentar sensibilizar mais cidadãos para a situação.

“Estavam a tentar destruir um jardim para fazer um estacionamento. Achei isto completamente disparatado”, disse à Lusa Duarte Raposo Magalhães.

Apesar das garantias dadas pelo município, o morador diz que “não fica descansado”, mas sim em “vigilância ativa”, prometendo “novas ações de protesto” caso o jardim não se mantenha. “Vamos fazer campanha sempre pela positiva, mas se houver ação radical da Câmara, aí teremos de ser radicais. As árvores sempre estiveram aqui, porque é que agora são um estorvo?”, questiona.

Também presente na concentração, Inês Beleza Barreiros, da Plataforma em Defesa das Árvores, repudiou o “motivo vil pelo qual estas árvores vão ser abatidas”, defendendo que “o projeto deve adaptar-se à pré-existência de seres vivos”.

No final de setembro, a Câmara de Lisboa divulgou estar a reordenar a circulação automóvel na Praça de Entrecampos, onde vai criar mais duas vias e um corredor reservado a transportes públicos para “evitar congestionamentos de trânsito”. “A obra consiste única e exclusivamente em usar o parque de estacionamento [à superfície] da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa - EMEL para fazer duas vias mais um corredor BUS paralelo ao túnel a ir dar à rotunda”, precisou o vereador do Urbanismo.

Segundo uma informação da autarquia transmitida à Lusa na mesma ocasião, a obra, iniciada em meados de agosto, deverá terminar em dezembro.