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Argelinos detidos no aeroporto de Lisboa recebem ordem de expulsão

Gonçalo Rosa da Silva

Os seis argelinos detidos que tentavam entrar ilegalmente em Portugal vão ser expulsos do país. Até lá, vão ser transferidos para o centro de detenção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras

Os seis argelinos que tentaram entrar ilegalmente este fim-de-semana em Portugal, pelo aeroporto Humberto Delgado, receberam ordem de expulsão do país, confirmou ao Expresso fonte ligada ao processo. A decisão acontece depois de os homens terem sido presentes, esta segunda-feira, à Autoridade Judiciária.

Por agora, os seis aregelinos vão ser tranferidos para o Centro de Instalação Temporária do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) “para efeitos de afastamento do território”. Além da expulsão do país, acrescenta fonte do SEF, os homens vão ser impedidos de entrar ou fazer escalas em Portugal.

No sábado, os homens tentaram forçar as portas de emergência de um avião com destino a Argel, na Argélia e com saída de Lisboa às 15h30, que já estava em andamento na pista e prestes a levantar voo. A tripulação do voo chamou então a polícia que, juntamente com o SEF, deteve os seis homens levando-os depois para a zona de detenção da PSP no aeroporto.

Mas ainda antes do incidente, as autoridades já estavam a viagiar os seis homens, que aterraram em Lisboa, às 8h de sábado, provinientes de Casablanca, Marrocos.

“Tendo em conta a análise de risco efetuada pelo SEF relativamente aos passageiros do voo, atendendo aos antecedentes relacionados com tentativas de entrada irregular em território nacional, a PSP e o SEF executaram uma operação conjunta com vista ao controlo dos passageiros e na prevenção de fugas da área internacional de trânsito do aeroporto.Assim, pelas 9h, dois dos passageiros do mencionado voo tentaram transpor as baias limitadoras da zona internacional de trânsito de passageiros, tentativa frustrada pela imediata intervenção do SEF, prontamente apoiados pela PSP. Posteriormente, verificou-se mais uma tentativa de outro passageiro, mais uma vez evitada no âmbito do dispositivo de contenção montado”, referiu o SEF e a PSP em comunicado enviado no sábado.

As autoridades mantiveram estes passageiros sob vigilância de forma a confirmar que embarcariam no voo com destino a Argel, como previsto. Isso foi possível, mas “já no seu interior, um grupo de seis passageiros, onde se incluíam os três indivíduos que anteriormente tentaram a fuga”.

Até agora já foram detidas dez pessoas e quatro fugiram

Com este caso, são já dez os cidadãos argelinos detidos nos últimos três meses por tentativa de entrada ilegal no país.

O primeiro caso sucedeu no final de Julho, quando quatro argelinos sem visto fugiram pouco depois de sair do avião e invadiram a pista do aeroporto de Lisboa. Foram detidos e o caso está na Justiça portuguesa, contudo, pediram asilo político por questões humanitárias. E o segundo é agora destes seis que, este sábado tentaram forçar a saída do avião já em andamento na pista.

Há contudo, mais quatro cidadãos magrebinos - dois marroquinos e dois argelinos - que terão conseguido fintar as autoridades e fugiram do aeroporto, precisamente enquanto esperavam pelos voos de escala, estando ainda a ser procurados pelas autoridades portuguesas.

O primeiro acontecimento deu-se em junho com um marroquino que vinha de Casablanca e tinha como destino o Brasil. Em julho, e na mesma rota, um outro cidadão marroquino também conseguiu fugir, e a 22 e 27 de setembro, foram dois argelinos que iam para Casablanca que fugiram e entraram ilegalmente no país.

Tal como noticiou o Expresso a 30 de setembro, as autoridades estão a investigar a hipóteses destes imigrantes terem contado com a ajuda de redes ilegais de tráfico de pessoas. Uma suspeita que agora pode ganhar ainda mais força.

Segundo uma fonte da investigação, é provável que na capital haja alguém dessas redes que conheça bem o mapa do Aeroporto Humberto Delgado, de modo a permitir que as fugas sejam eficazes. “Não está descartado que exista alguém previamente instruído da localização das portas de saída de emergência e salas de fumadores”, referiu ao Expresso, na altura, essa fonte oficial.

Contudo, a hipótese de terrorismo é considerada “mínima”.