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Sociedade

Ambientalistas contra “taxa de chumbo”

Ana Baião

Seis das principais associações ambientalistas nacionais consideram que taxa aplicada ao chumbo utilizado na caça não resolve os problemas de contaminação e querem que o Governo interdite de vez o uso deste tipo de munições

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A taxa de dois cêntimos aplicada ao uso de cartuchos de chumbo de caça a partir de 2017 foi chumbada pela Coligação C6, que integra seis associações nacionais de defesa do ambiente. GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus, SPEA e WWF Portugal consideram que a medida não reduz nem compensa a contaminação ambiental provocada.

Os ambientalistas lembram que “a utilização de cartuchos com chumbo em atividades de caça provoca uma libertação não controlada deste metal pesado, que resulta na contaminação dos solos e das águas superficiais e lençóis freáticos, com efeitos indiretos na fauna local e na saúde humana (por ingestão de água ou alimentos cultivados em solos contaminados), sendo absorvidos pelos organismos e acumulando-se nos mesmos de forma lenta”. E por isso defendem que “a solução passaria, sim, por dar um chumbo às utilizações de cartuchos com chumbo, interditando o seu uso e substituindo-o por materiais não poluentes”.

Este metal pesado está associado ao envenenamento de aves e outras espécies selvagens e pode entrar na cadeia alimentar de espécies protegidas, mas também na humana. Ao acumular-se no organismo ao longo de anos, pode “comprometer o funcionamento do sistema nervoso, patologia conhecida por saturnismo, ou do funcionamento da medula óssea e dos rins”, sublinha a coligação C6.

Desde a década de 80, a União Europeia começou a restringir o uso de chumbo em baterias, tubagens, na gasolina e em equipamentos elétricos e eletrónicos. “A sua utilização nas munições das armas de caça também já foi banida na maior parte dos países da União Europeia, tendo sido substituída por outras ligas metálicas sem impactes no ambiente”, recordam os ambientalistas em comunicado.

Por isso, criticam o facto de Portugal ser dos poucos países europeus que não aboliram o seu uso e lamentam que, ainda por cima, a taxa reverta para o sector da caça em vez de ser utilizada em “investimentos para despoluir, proteger espécies ameaçadas pelo chumbo ou mesmo em medidas destinadas a banir definitivamente a utilização do chumbo”.