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Já vem com motorista

fotos d.r.

A Mercedes já comercializa um carro que quase anda sozinho: é até capaz de estacionar sem ninguém a bordo

O novo classe E introduz a mais recente evolução da plataforma tecnológica da Mercedes e representa um passo importante no desenvolvimento da condução autónoma. Aliás, o Drive Pilot é uma das novidades mais importante, permitindo uma condução praticamente autónoma, embora exija as mãos no volante para funcionar. Há quem diga até que é mais eficiente que o Autopilot da Tesla. Infelizmente, não nos foi possível verificar se assim é porque o pack com Drive Pilot (e mais uma série de assistências) ainda não estava disponível em Portugal quando ensaiámos este carro. Mas o veículo que testámos já consegue estacionar sem condutor.

Já há muitos carros com sistemas de estacionamento automático. Alguns, ainda poucos, até são capazes de sair e entrar no lugar de estacionamento com o condutor fora do carro. Mas só o Remote Parking Pilot consegue fazer manobras complicadas com o condutor fora do automóvel. Ou seja, não se limita a avançar ou recuar e a fazer pequenas correções de direção.

Não tirar as mãos… do smartphone

O processo é simples: quando nos aproximamos da zona onde queremos estacionar, pressionamos um botão para “pedir” um lugar de estacionamento, os sensores do carro começam a “varrer” a área em redor, indicando no ecrã os lugares identificados e disponíveis. Depois só temos de selecionar o lugar pretendido no ecrã do computador de bordo, escolher entre o estacionamento com o condutor a bordo ou sem condutor e iniciar o processo.

Para estacionar com o condutor fora do veículo é preciso recorrer a uma app, que ainda só está disponível para iOS. Nesta app confirmamos a intenção de estacionar e, a parte mais estranha, temos de fazer círculos continuamente com o dedo sobre o ecrã até que o estacionamento esteja concluído. Aparentemente, os círculos só servem para garantir que o condutor está a interagir com o sistema. Talvez por razões legais e de responsabilidade. Mas o carro faz, literalmente, tudo sozinho: ativa o pisca e faz a manobra. E não se limita a fazer uma ou duas curvas.

O Classe E faz as manobras que for preciso para estacionar no lugar. Experimentámos em vias estreitas e com lugares de estacionamento apertados. E o carro lá mexeu freneticamente o volante, avançou, recuou… Enfim, tudo o que foi necessário para ficar bem estacionado. É impressionante e, confessamos, assustador, ver o carro a fazer manobras em espaços apertados entre outros veículos e paredes.

Está ali um lugar!

Mas o sistema não é perfeito. Muitos lugares evidentes para o olho humano não são detetados pelo Mercedes (é preciso que o lugar esteja delimitado por linhas e/ou com outros carros em redor), o sistema recusou-se a funcionar em vias inclinadas e, num dos estacionamentos, o carro ficou com duas rodas em cima do passeio – talvez porque era bastante baixo.

Este sistema representa verdadeiramente uma mais valia? Nem por isso, já que ainda não podemos, para ganhar tempo, pedir ao carro para estacionar ou sair do estacionamento à distância. Temos de estar nas proximidades (raio de alcance do Bluetooth) e, como referimos, a fazer círculos num telemóvel. Também verificámos que a ligação entre o carro e o iPhone pode ser um pouco demorada.

Por outro lado, em lugares apertados, onde pode ser difícil ou mesmo impossível abrir as portas – o Classe E é um veículo espaçoso e largo – este sistema pode dar, de facto, muito jeito. Há também vantagens em termos de segurança porque, durante as manobras, o carro é capaz de identificar objetos em movimento e evitar o choque. Por exemplo, é útil para evitar atropelamentos em manobras de marcha atrás, que são, infelizmente, muito frequentes.

Montra para o futuro

Mas não é só a tecnologia de apoio à condução que brilha no novo Classe E. Logo que entramos, não há como não reparar nos dois grandes ecrãs LCD colocados lado a lado: o central e o que está em frente ao condutor, que substitui os mostradores tradicionais. Ficámos impressionados com o cuidado com o pormenor e com a forma como a Mercedes conseguiu integrar tanta tecnologia e, simultaneamente, manter a elegância clássica típica da marca. O Classe E nunca foi tão luxuoso e até consegue ser tecnologicamente superior ao Classe S.

Como é habitual, o sistema Command, agora muito renovado, funciona através de uma roda/stick clicável e de botões diretos. Um método que permite um controlo mais rápido e mais seguro que os ecrãs táteis. Por cima da roda há um outro elemento, o touchpad, que permite, por exemplo, controlar o rato quando navegar na Web e escrever endereços para o GPS ou nomes para pesquisar na agenda.

O sistema de reconhecimento de texto é eficiente, mas não percebemos porque é que este painel tátil não está integrado diretamente na roda de comando. Assim, torna-se um pouco confuso. Aliás, parece-nos que o sistema Command não está tão intuitivo como em versões anteriores. O grafismo está mais minimalista em termos de aspeto, mas tantos botões, incluindo no volante, e tantos menus exigem alguma habituação.

Há também uma app com funcionalidades de acesso remoto, via rede móvel, que até funciona como chave. Isto significa que, por exemplo, vários telemóveis podem ser autenticados, o que é uma boa forma de partilhar as “chaves” do carro numa família. A mesma app acede a vários tipos de informação, como a posição da viatura, a autonomia restante e, por exemplo, é capaz de alertar caso o carro esteja destrancado.

Com o novo Classe E, a Mercedes conseguiu colocar-se na liderança da tecnologia a bordo. E pelo que conseguimos ver com o Remote Parking, a marca demonstrou que está e evoluir muito bem na direção do carro autónomo.