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Bilbau: Para lá do Guggenheim

Foto 1

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A cidade basca oferece ambientes muito diversos ao longo das curvas do rio Nervión

Entalada entre montanhas, não raro batida pela chuva, Bilbau é o coração pulsante do País Basco. Centro de uma área metropolitana com quase um milhão de habitantes, à sua volta dispõem-se portos como Getxo e Portugalete (ver caixa), praias várias e zonas industriais como Barakaldo. Onde outrora houve minas, singra o sector energético, sinal do dinamismo económico e da capacidade de adaptação que há muito caracteriza a região. Euskadi pode gabar-se do PIB per capita mais alto de Espanha (€30,459, mais 30% do que o valor nacional e acima da média da União Europeia).

O nome Bilbau evoca, desde há 19 anos, a arquitetura arrojada do Museu Guggenheim. Sem menosprezar esse templo da arte moderna e contemporânea, responsável pela conversão da cidade (ou da sua imagem) de centro económico para polo cultural, deixemos hoje as curvas de titânio, vidro e calcário que Frank Gehry moldou e atentemos às que desenha o rio Nervión em torno da urbe, antes de ir ter com o irmão Ibaizábal para seguirem, juntos, rumo ao mar Cantábrico.

O traçado do rio define zonas da cidade e proporciona pontos de vista mutantes ao longo das suas margens, que apetece percorrer a pé, de tão vasto e bem cuidado que é o espaço público. Sabe bem, aliás, ir atravessando para cá e para lá as várias pondes bilbaínas, entre elas a Zubizuri, (foto 1) de Santiago Calatrava, também autor do aeroporto local. Os menos dados ao exercício preferirão o metro, com estações concebidas por Norman Foster, ou o omnipresente elétrico.

Começando de oeste para este, a partir do renovado estádio de San Mamés, casa do Athletic, vão desfilando o Museu Marítimo Ria de Bilbau, o centro de convenções Palácio Euskaldun e, mais além, a Torre Iberdrola, o mais alto edifício bilbaíno. Antes dela, encontraremos a paz e o sossego dos parques de Doña Casilda de Iturrizar e República de Abando, este último batizado com o nome do bairro central de Bilbau, outrora autónomo e anexado voluntariamente em 1890. Entre os dois, a Plaza Euskadi e o Museu de Belas Artes. Legado pelo filantropo Laureano de Jado, é pouco conhecido fora de Espanha, mas alberga preciosidades pintadas por Sorolla, El Greco, Goya, Ribera ou Santiago Rusiñol, num sem-fim de obras que vai do século XII aos nossos dias.

Foto 2

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O berço da cidade está do outro lado do rio, no Bairro Velho, cujo cerne é, ironicamente, a Plaza Nueva. Perca-se sem mapa nas ruas que a rodeiam, visite a catedral de Santiago ou suba os mais de 300 degraus da Plaza Unamuno à Basílica de Begoña. Se o cansaço, a fome ou a sede apertarem, encha-se de txakoli e pintxos, que é como quem diz, vinho branco leve e frisante e as típicas tapas bascas compostas por uma fatia de pão com as mais delirantes construções gastronómicas em cima, mantidas no lugar por um palito (de onde o nome). Oxalá tenha a sorte de encontrar uma boa peça no Teatro Arriaga, ao pé do jardim do Arenal.

De volta a Abando, deambule por largas avenidas cheias de lojas e dê um salto ao recinto de cultural e lazer Azkuna Zentroa (foto 2) (Iñaki Azkuna foi alcaide de Bilbau entre 1999 e a sua morte, em 2014). Instalado na Casa das Alhóndigas, antigo armazém de vinhos, foi alvo de atrevida remodelação em 2010, com a ajuda do designer Philippe Starck. Atente nas 43 colunas (não há duas iguais) e escolha entre piscina, ginásio, mediateca, livraria ou cinema. Depois, volte às ruas retas da cidade e às curvas do rio.

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A ponte que leva carros

Foto 3

Foto 3

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Património Mundial há 10 anos, a Ponte Biscaia (foto 3) liga Portugalete a Getxo e tem a particularidade de transportar os carros de um lado para o outro numa plataforma, em vez de ser por eles atravessada. Feita em ferro e conhecida Puente Colgante (suspensa), é a mais antiga do mundo no seu género e tornou-se um dos ex-líbris da província da Biscaia. Foi em 1893 que Alberto Palacio, discípulo de Eiffel, se aliou ao engenheiro Ferdinand Arnodin para criar uma ponte que permitisse o tráfego entre margens sem perturbar a entrada de navios na ria. Com 45 metros de altura e 160 de comprimento, só interrompeu o seu valioso serviço quando foi dinamitada durante a guerra civil. Com capacidade para seis automóveis, a travessia demora minuto e meio.