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Seis argelinos tentaram sair de avião da TAP que já estava em andamento na pista

FOTO MARCOS BORGA

Os homens forçaram as portas do voo da TAP que iria descolar às 15h30 do Aeroporto da Portela, em Lisboa, com destino a Argel, capital da Argélia, porque queriam entrar em Portugal ilegalmente. Depois do incidente foram detidos pelo Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF)

Seis cidadãos argelinos tentaram, este sábado, abrir as portas de um avião da TAP que se preparava para descolar do aeroporto de Lisboa, com destino a Argel, na Argélia. Os homens, cujo objetivo era entrar ilegalmente em Portugal, já foram detidos e serão presentes à Autoridade Judiciária na segunda-feira, 24 de Outubro.

A notícia foi avançada pelo Jornal de Notícias, mas o Expresso já confirmou o sucedido junto de fonte oficial da TAP e também dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e da PSP, que entretanto fizeram um comunicado conjunto sobre o sucedido.

"O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, através da Divisão de Segurança Aeroportuária, em conjunto com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, no âmbito das operações conjuntas de acompanhamento de passageiros com perfil de risco, procedeu à detenção de seis cidadãos de oriundos do norte de África por perturbação da tranquilidade e da segurança a bordo de aeronave", pode ler-se no documento.

O avião, que estava previsto sair de Lisboa às 15h30, já estava em andamento na pista e prestes a levantar voo quando os homens tentaram forçar as portas de emergência para fugir.

A tripulação do voo chamou então a polícia que, juntamente com o SEF, deteve os seis homens levando-os depois para a zona de detenção da PSP no aeroporto onde aguardarão ser "presentes perante a Autoridade Judiciária em 24 de Outubro", diz ainda o comunicado.

De acordo com a mesma nota, "em virtude da intervenção, o voo que tinha saída prevista para as 15h30 foi suspenso, tendo todos os passageiros sido evacuados, sendo retomada a normalidade pelas 19h00, com a realização do voo com destino a Argel".

Contudo, a história destes seis argelinos começa bem antes, logo peloas 8h00 da manhã deste sábado, como explica o SEF e a PSP no comunicado.

"No dia 22 de Outubro, pelas 8h00, aterrou no Aeroporto Internacional Humberto Delgado, em Lisboa, uma aeronave proveniente de Casablanca, Marrocos, com destino à cidade de Argel, na Argélia. Tendo em conta a análise de risco efetuada pelo SEF relativamente aos passageiros do voo, atendendo aos antecedentes relacionados com tentativas de entrada irregular em território nacional, a PSP e o SEF executaram uma operação conjunta com vista ao controlo dos passageiros e na prevenção de fugas da área internacional de trânsito do aeroporto. Assim, pelas 9h00, dois dos passageiros do mencionado voo tentaram transpor as baias limitadoras da zona internacional de trânsito de passageiros, tentativa frustrada pela imediata intervenção do SEF, prontamente apoiados pela PSP. Posteriormente, verificou-se mais uma tentativa de outro passageiro, mais uma vez evitada no âmbito do dispositivo de contenção montado".

O SEF e a PSP mantiveram estes passageiros sob vigilância de forma a confirmar que embarcariam no voo com destino a Argel, como previsto. Isso foi possível, mas "já no seu interior, um grupo de seis passageiros, onde se incluíam os três indivíduos que anteriormente tentaram a fuga, conjugaram esforços no sentido de proceder à abertura da saída de emergência da aeronave, tendo sido solicitada a presença policial com vista à reposição da condição de normalidade".

Dez detidos até agora e mais quatro que fugiram

Com este caso, são já dez os cidadãos argelinos detidos nos últimos três meses por tentativa de entrada ilegal no país.

O primeiro caso sucedeu no final de Julho, quando quatro argelinos sem visto fugiram pouco depois de sair do avião e invadiram a pista do aeroporto de Lisboa. Foram detidos e o caso está na Justiça portuguesa, contudo, pediram asilo político por questões humanitárias. E o segundo é agora destes seis que, este sábado tentaram forçar a saída do avião já em andamento na pista.

Há contudo, mais quatro cidadãos magrebinos - dois marroquinos e dois argelinos - que terão conseguido fintar as autoridades e fugiram do aeroporto, precisamente enquanto esperavam pelos voos de escala, estando ainda a ser procurados pelas autoridades portuguesas.

O primeiro acontecimento deu-se em junho com um marroquino que vinha de Casablanca e tinha como destino o Brasil. Em julho, e na mesma rota, um outro cidadão marroquino também conseguiu fugir, e a 22 e 27 de setembro, foram dois argelinos que iam para Casablanca que fugiram e entraram ilegalmente no país.

Tal como noticiou o Expresso a 30 de setembro, as autoridades estão a investigar a hipóteses destes imigrantes terem contado com a ajuda de redes ilegais de tráfico de pessoas. Uma suspeita que agora pode ganhar ainda mais força.

Segundo uma fonte da investigação, é provável que na capital haja alguém dessas redes que conheça bem o mapa do Aeroporto Humberto Delgado, de modo a permitir que as fugas sejam eficazes. “Não está descartado que exista alguém previamente instruído da localização das portas de saída de emergência e salas de fumadores”, referiu ao Expresso, na altura, essa fonte oficial.

Contudo, a hipotese de terrorismo é considerada "mínima".

Notícia atualizada pela última vez às 23h00