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Nave europeia despenhou-se a 300 km/hora em Marte

A zona de impacto do módulo Schiaparelli, vendo-se na ampliação à direita uma mancha escura onde estarão os restos do módulo e um pequeno ponto branco em baixo, onde terá pousado o paraquedas

NASA

O módulo Schiaparelli enviado pela sonda espacial europeia Trace Gas Orbiter na quarta-feira, para aterrar em Marte a uma velocidade de 10 km/hora, caiu a mais de 300 km/hora e poderá ter explodido ao embater no solo do Planeta Vermelho

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O módulo Schiaparelli enviado pela sonda espacial europeia Trace Gas Orbiter (TGO) na quarta-feira para aterrar suavemente em Marte, a uma velocidade de 10 km/hora, caiu a mais de 300 km/hora e poderá ter explodido no solo porque os seus tanques de combustível de propulsão estavam praticamente cheios, revelou a Agência Espacial Europeia (ESA), organização a que Portugal pertence.

O módulo deixou de emitir qualquer sinal a 50 segundos da aterragem prevista no Planeta Vermelho e desde então estava calado, mas os primeiros dados da TGO e da própria Schiaparelli enquanto funcionou, recebidos no centro de comando da ESA em Darmstadt, na Alemanha, faziam temer o pior.

Com efeito, tudo correu bem e no timing previsto quando o módulo espacial entrou na atmosfera marciana a 21.000 km/hora e estava a 121 km do solo. O mesmo aconteceu quando o escudo térmico entrou em ação para proteger o módulo do calor gerado pelo seu atrito na atmosfera de Marte. Mas o Schiaparelli libertou o paraquedas mais cedo do que estava planeado e os nove propulsores destinados a fazer abrandar a velocidade do módulo, que ainda era de 250 km/hora, desligaram-se antes de tempo.

Assim, quando a pequena nave estava a uma altitude de 2km a 4 km entrou em queda livre, tendo embatido no solo da planície Meridiani Planum a mais de 300 km/hora, em vez dos suaves 10 km/hora planeados. As imagens enviadas pela sonda americana Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA, que se encontra na órbita de Marte desde 2006 a mapear a superfície do planeta e a procurar indícios de água nos seus polos gelados, mostram uma mancha escura de 15 a 40 metros de largura com o que deve restar do módulo desintegrado. E um ponto mais pequeno a 1 km de distância que será o paraquedas libertado com o escudo frontal protetor quando o Schiaparelli se encontrava ainda a mais de 7 km do solo marciano.

Mas nem tudo se perdeu na missão ExoMars da ESA, a segunda tentativa falhada de aterrar com sucesso em Marte (a primeira foi o módulo Beagle 2 da sonda Mars Express, em 2003, que deixou de emitir qualquer sinal depois de aterrar). A sonda TGO está a fucionar em pleno e vai fazer um inventário dos gases atmosféricos do planeta, em especial os gases raros como o metano, para saber se tem origem geológica ou biológica. E se tiver origem biológica é porque há vida em Marte. A TGO vai também fotografar a superfície marciana e procurar aí água gelada, tal como debaixo do solo.

  • De acordo com a BBC, o satélite americano Mars Reconnaissance Orbiter fotografou a cratera de impacto que o módulo de aterragem europeu terá feito na quarta-feira quando embateu contra a superfície do planeta vermelho