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Iraque já respondeu ao levantamento de imunidade dos filhos do embaixador

A decisão só foi comunicada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que está ainda a analisá-la. Advogados das duas partes ainda não foram informados. Filhos do embaixador confessaram agressão a adolescente de Ponte de Sor e Ministério Público quer constituí-los arguidos

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta sexta-feira que a embaixada do Iraque "já transmitiu a resposta" ao Governo português sobre o pedido de levantamento de imunidade diplomática dos filhos do embaixador iraquiano.

"Sei que a embaixada do Iraque já transmitiu a resposta. Está a ser analisada, eu próprio a analisarei logo à tarde", afirmou Augusto Santos Silva a jornalistas numa conferência com o ministro do Paraguai.

O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que a resposta das autoridades iraquianas será transmitida ao Ministério Público e remeteu para mais tarde uma "nota pública" sobre o assunto.

Questionado sobre se a resposta ao pedido do Governo português foi positiva, o ministro apenas reiterou que "está a ser analisada".

A advogada de um dos jovens iraquianos, Dina Fouto, garante ao Expresso que ainda não sabe de nada. "Continuamos a aguardar a divulgação da decisão do governo iraquiano, uma vez que o MNE é, até ao momento, o único detentor dessa informação", afirmou.

Também Santana Maia Leonardo, o advogado da família de Rúben Cavaco, o jovem de 15 anos agredido em Ponte de Sor no final de agosto pelos filhos gémeos do embaixador do Iraque em Portugal, desconhece qual foi a decisão do Iraque e qual vai ser a tomada de posição de Portugal.

Na última semana, um representante do embaixador do Iraque anunciou a Vilma Boto Pires, mãe de Rúben, que as despesas hospitalares relativas ao internamento do jovem tinham sido pagas pela diplomacia de Bagdade. "Foram quase 12 mil euros", anunciou a família ao Expresso.

No último fim de semana, a mãe de Rúben Cavaco criticou a atuação do Governo português, depois de saber que o Ministério dos Negócios Estrangeiros se preparava para expulsar os dois filhos do embaixador no caso de, até ao final desta semana, o governo iraquiano não desse resposta ao pedido de levantamento de imunidade diplomática dos dois jovens.

"O que eu gostaria de saber é se o Governo português se está a preparar para dar o caso como encerrado com a expulsão dos dois jovens do território português", escreveu Vilma Boto Pires, num comunicado enviado às redações.

"É que se este crime ficar impune, não é por culpa dos dois jovens iraquianos, que, como toda a gente sabe, já assumiram publicamente que pretendem responder perante a justiça portuguesa, mas porque o Estado do Iraque avalizou o crime cometido, após os seus dois interlocutores, que se deslocaram a Portugal expressamente para esse efeito, se terem inteirado de todos os seus contornos", criticou.

Na semana passada o MNE esteve reunido com a diplomacia iraquiana tendo discutido a questão do levantamento da imunidade diplomática aos filhos do embaixador. Portugal voltou a dar um novo prazo a Bagdade para decidir sobre o assunto, que termina precisamente esta sexta-feira.