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CESPU volta a pedir Medicina, pedido da Católica só em 2017

FORMAÇÃO. No pedido para abertura de um curso de Medicina, a CESPU garante a parceria com dois grandes centros hospitalares que permitiriam uma formação muito prática e de proximidade com cada estudante, explica-se na candidatura

ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Prazo para universidades e politécnicos pedirem a abertura de novas licenciaturas e mestrados terminou no início da semana. Agência de Acreditação do Ensino Superior recebeu 187 propostas. É o número mais baixo dos últimos anos. Mas o encaixe continua a ser elevado: quatro mil euros por pedido é quanto a A3ES recebe (total superior a €700 mil). Big Data, Biomedicina e Saúde são algumas das apostas

A parceria está estabelecida – com o grupo Luz Saúde –, um novo hospital universitário em Cascais poderá acolher os estudantes, mas a Universidade Católica continua a preparar a sua proposta para a criação de um novo curso de Medicina em Portugal. Terminado o prazo de entrega de pedidos de aprovação de novos ciclos de estudo para o próximo ano letivo, na passada segunda-feira, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) - a única entidade que pode autorizar a abertura e funcionamento de licenciaturas, mestrados e doutoramentos - recebeu de facto um pedido para a criação daquela que seria a primeira formação em Medicina ministrada numa instituição privada. Mas esse pedido partiu da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU).

Em declarações ao Expresso, esta sexta-feira, a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Maria da Glória Garcia lembra que os prazos previstos pela instituição nunca apontaram para a entrega do pedido já em 2016, mas apenas no próximo ano. "Queremos construir um projeto forte, o que implica muito trabalho de preparação, antes de apresentarmos a proposta à A3ES", explica Maria da Glória Garcia.

infografia olavo cruz

No caso de Medicina, são várias as instituições privadas que têm tentado entrar nesta área. Mas até agora os pedidos foram sempre rejeitados. A cooperativa de ensino CESPU tenta-o desde 2004 e acredita que desta vez não há argumento que possa chumbar as suas pretensões, confia Almeida Dias, presidente da cooperativa de ensino que se dedica a formações na área da Saúde.

“Ensino de Medicina é o único vedado a privados”

O pedido da CESPU aponta para 60 vagas iniciais no novo Mestrado Integrado, com uma mensalidade que rondaria os 900 a 950 euros, revela Almeida Dias. Os centros hospitalares de Vila Real e Trás-os-Montes e do Tâmega e Sousa, além de outros hospitais privados, assegurariam a formação clínica, com rácios de um médico para no máximo três estudantes, “algo que as faculdades públicas de Medicina não conseguem atualmente”, assegura.

Mas a principal novidade é outra: o curso, de quatro anos, só receberia alunos que tivessem uma licenciatura em Ciências Biomédicas ou equivalente, cuja formação ao longo dos três anos de curso é muito semelhante aos anos iniciais de Medicina. Na prática, seria assim um curso de 7 anos (3+4), explica Almeida Dias. A licenciatura em Ciências Biomédicas pode ser tirada em qualquer instituição, mas só será reconhecida se tiver um plano de estudos equivalente à que já funciona no Instituto Universitário da CESPU, em Gandra, concelho de Paredes.

Em relação ao argumento que tem sido apresentado pela Ordem dos Médicos de que a formação de clínicos em Portugal já é excessiva, Almeida Dias contrapõe: “Se houvesse médicos suficientes o sistema não estaria a contratar profissionais estrangeiros nem a discutir o pagamento de horas extraordinárias. Além de que o que queremos é formar 60 médicos por ano, de alta qualidade, que possam trabalhar em Portugal, nos EUA ou em Angola, num mercado internacional em que há emprego. O ensino da Medicina é o único que tem estado sempre vedado aos privados em Portugal. E há 1700 jovens portugueses a tirar o curso no estrangeiro”, lembra o responsável.

Da Internet das Coisas à Acupuntura

Mas há muito mais propostas em cima da mesa da A3ES, tanto de escolas públicas como privadas. Ainda na área da Saúde, há várias relacionadas com Biomedicina, Fisioterapia e mais pedidos para Osteopatia e Acupuntura.

Nutrição é também outras das áreas em que as instituições de ensino estão a apostar: há três pedidos para abertura de licenciaturas em Ciências da Nutrição e um mestrado em Nutrição Geriátrica, de acordo com o levantamento da A3ES.

E há também o reflexo de um mundo cada vez mais digital e onde a produção de informação em forma de dados é avassaladora. Por isso, há propostas de mestrados em Big Data e Análise Avançada, Análise e Engenharia de Big Data, Internet das Coisas, Marketing e Negócios Digitais ou ainda de uma licenciatura Videojogos e Aplicações Multimédia.

Para o ano letivo em curso, a A3ES tinha recebido pedidos para 85 licenciaturas e mestrados integrados e aprovou 43.