Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Mortes nos Comandos. Exército abre dois processos disciplinares

Marcos Borga

Até agora, foram abertos dois processos disciplinares depois de ter sido apurados “indícios da prática de infração disciplinar” no 127º curso de Comandos

O Exército abriu dois processos disciplinares no seguimento das investigações sobre as condições de formação no 127º curso de Comandos, em que morreram Hugo Abreu e Dylan da Silva. Em comunicado, enviado esta quinta-feira às redações, o Exército informa que foram detetados “indícios da prática de infração disciplinar”.

Ao Expresso, o porta-voz do Exército, tenente-coronel Vicente Pereira, confirma que dois instrutores foram constituídos arguidos e que o processo de “averiguações interno continua a decorrer”. Além dos dois casos, cujas identidades não foram reveladas, podem ainda ser abertos mais processos disciplinares a instrutores do mesmo curso.

A partir desta altura, os dois arguidos vão ser novamente ouvidos e podem ser representados por um advogado.

O porta-voz do Exército salienta ainda que se trata de um processo interno e que neste momento estão a ser ouvidas mais pessoas. “Este é um processo que estamos a levar com toda a transparência”, refere o tenente-coronel.

Neste momento, estão em curso três processos de averiguações às mortes do segundo furriel Hugo Abreu e do soldado Dylan Silva: um por iniciativa do próprio chefe de Estado-Maior do Exército, que pretende saber o que passou no 127.º curso de comandos e verificar se foi de alguma forma violado o Regulamento de Disciplina Militar (RDM); um outro, bem mais abrangente, nas mãos da Inspeção-Geral do Exército, que tem como principais objetivos inquirir sobre as condições de admissão ao curso e se a formação ministrada (reconhecidamente muito dura) se adequa às missões dos comandos; e um terceiro inquérito-crime, aberto por iniciativa do Ministério Público, estando a investigação no terreno a cargo da Polícia Judiciária Militar.

O Expresso sabe que, no limite, até ao final do mês, o Exército deverá anunciar publicamente as conclusões do primeiro inquérito. Ficarão os portugueses a saber se algum dos militares violou, um ou vários, dos 13 deveres previstos no RDM, como por exemplo o dever de autoridade, que “consiste em promover a disciplina, a coesão, a segurança, o valor e a eficácia das Forças Armadas, mantendo uma conduta esclarecida e respeitadora da dignidade humana e das regras de direito” (artigo 13.º, n.º 1, do RDM).