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Mortes nos Comandos: autópsias deverão ser conhecidas para a semana

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Marcos Borga

Instituto de Medicina Legal tem “a expectativa" de concluir os relatórios às mortes de Hugo Abreu e Dylan Silva ainda antes do final do mês. Exército já deu a entender que os culpados serão punidos

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Carlos Abreu

Jornalista

As análises aos corpos dos dois militares que morreram no segundo dia do 127.º curso de Comandos, no início de setembro, estão quase concluídas. Uma fonte do Instituto Nacional de Medicina Legal diz ao Expresso que existe "a expectativa" de que o relatório às autópsias de Hugo Abreu e Dylan Silva esteja pronto na próxima semana.

Nesta altura, faltam ser conhecidos os resultados de alguns dos exames complementares realizados aos corpos dos dois jovens militares que, segundo o Exército, foram vítimas de "um golpe de calor" num dia em que as temperaturas no campo de tiro de Alcochete, distrito de Setúbal, ultrapassaram os 40 graus centígrados.

No limite, os resultados podem nem sequer ser conclusivos, mas existe a expectativa de que possam indicar pistas para o que se passou na manhã de 4 de setembro.

O Exército já anunciou estar a analisar a eventual negligência por parte dos militares com responsabilidades no curso de Comandos, e se for concluído que foi por isso que os dois instruendos acabaram por morrer, aqueles serão punidos. A garantia foi dada esta terça-feira pelo chefe de Estado-Maior, o general Rovisco Duarte.

“Vou aguardar tranquilamente pelos relatórios. O Exército é uma instituição fortemente hierarquizada. Há responsabilidades de comando aos diferentes níveis. Os processos de averiguações estão a decorrer. Espero que a muito curto prazo estejam concluídos e iremos agir em conformidade”, afirmou.

Neste momento, estão em curso três processos de averiguações às mortes do segundo furriel Hugo Abreu e do soldado Dylan Silva: um por iniciativa do próprio chefe de Estado-Maior do Exército, que pretende saber o que passou no 127.º curso de comandos e verificar se foi de alguma forma violado o Regulamento de Disciplina Militar (RDM); um outro, bem mais abrangente, nas mãos da Inspeção-Geral do Exército, que tem como principais objetivos inquirir sobre as condições de admissão ao curso e se a formação ministrada (reconhecidamente muito dura) se adequa às missões dos comandos; e um terceiro inquérito-crime, aberto por iniciativa do Ministério Público, estando a investigação no terreno a cargo da Polícia Judiciária Militar.

O Expresso sabe que, no limite, até ao final do mês, o Exército deverá anunciar publicamente as conclusões do primeiro inquérito. Ficarão os portugueses a saber se algum dos militares violou, um ou vários, dos 13 deveres previstos no RDM, como por exemplo o dever de autoridade, que “consiste em promover a disciplina, a coesão, a segurança, o valor e a eficácia das Forças Armadas, mantendo uma conduta esclarecida e respeitadora da dignidade humana e das regras de direito” (artigo 13.º, n.º 1, do RDM).

  • Mortes nos Comandos. Chefe do Exército garante que culpados serão punidos

    O general Rovisco Duarte não afasta a possibilidade de negligência por parte dos responsáveis pelo 127.º curso de Comandos e assegura que se o Regulamento de Disciplina Militar tiver sido violado haverá punições. O Expresso sabe que as conclusões do inquérito ordenado pelo chefe do Estado-Maior do Exército deverão ser divulgadas, no máximo, até ao final do mês