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Outuno com sabor a verão

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d.r.

As temperaturas estão a descer mas não admira que este tenha sido um bom verão para as vendas de descapotáveis. O Audi A3 tem gama renovada e a versão Cabrio tem argumentos que o tornam uma proposta tentadora. O Rui Pedro Reis abriu-lhe a capota mas também comprovou que fechado o A3 resiste aos rigores do inverno

Rui Pedro Reis/SIC

À hora a que escrevo estas linhas tenho como som de fundo a chuva que anuncia a chegada do outono. Ainda agora começou e já dá saudades do verão e dos dias passados na estrada, de capota aberta. A despedida oficial dos dias de verão aconteceu ao volante do Audi A3 Cabriolet.

Bastam 18 segundos para transformar o A3 num convite a passeios sem pressa. A banda sonora neste caso é do motor 2.0 TDi a debitar 150cv. É bem conhecido no grupo Volkwagen, faz consumos a rondar os 6 litros é muito dinâmico desde baixos regimes. O único problema acaba por ser a sonoridade. Não que seja demasiado ruidoso, mas num descapotável prefiro sempre o som de um motor a gasolina. A caixa automática S Tronic é opcional, mas encaixa como uma luva neste conjunto. As passagens de caixa são quase impercetíveis, com mais ímpeto no modo desportivo.

Desportivo sem egoísmos

O Audi A3 consegue um bom compromisso entre precisão e conforto. Isso nota-se logo nos primeiros quilómetros. Mesmo na versão descapotável, a rigidez da carroçaria é muito boa. A entrada em curva acontece sem surpresas e a direção é bastante informativa. Nesta derivação descapotável, fica a ideia de que os limites do A3 se revelam mais cedo. Quando se abusa do acelerador é mais fácil sentir o eixo dianteiro a ganhar vontade própria, mas nada que comprometa a segurança. Com o hábito, até dá para retirar algum divertimento. A céu aberto, quem viaja nos lugares de trás pode contar com uma experiência arejada. É assim em qualquer descapotável do género. Para quem viaja à frente, com os vidros fechados e o defletor que tapa os lugares traseiros, a experiência é muito tranquila. Já com os vidros abertos e com os lugares traseiros destapados, há turbulência garantida. Mas, faz parte da experiência. Compensa o conforto da edição S Line, com bancos que oferecem um bom apoio em curva e até convidam a uma condução mais desportiva.

O melhor de dois mundos

A chuva que cai lá fora enquanto escrevo, lembra-me a necessidade de sublinhar a experiência de condução do A3 Cabrio com a capota fechada. Não sendo um automóvel com capota rígida, é assinalável a insonorização que se consegue e os ruídos aerodinâmicos não são muito superiores aos da versão hatchback. O único senão é a visibilidade. O vidro traseiro tem dimensões reduzidas e torna obrigatórios os sensores de estacionamento. Num automóvel que leva nota positiva a combinar o melhor de dois mundos, convém deixar bem claro que os lugares traseiros têm algumas limitações. Desde logo porque o espaço para as pernas não é muito. Depois, porque com a capota fechada dois adultos altos vão viajar com a cabeça colada ao tejadilho. Ou seja, são dois lugares ideais para crianças ou dois adultos em deslocações curtas. Na bagageira há 285 litros quando capota está fechada, o que é um valor muito aceitável. Quando a capot abre o espaço fica reduzido a um valor simbólico que dá para pouco mais que um trolley.

Num automóvel passional e com um bom potencial para ser usado durante todo o ano, o preço acaba por ser um dos fatores que no mercado português pode comprometer o sucesso do A3 Cabrio. A diferença de valor face ao A3 hatchback ou a outros descapotáveis do segmento, pode levar alguns clientes a abdicar do A3 e a escolher outras propostas, ainda que menos tentadoras.

FICHA TÉCNICA

Audi A3 Cabrio 2.0 TDi 150 cv

Motor
1968 cc
150 cv
380 nm às 3500 r.p.m.

Transmissão
Dianteira
Caixa Automática S-Tronic 6 velocidades

Prestações
224 km/h vel. máxima
8,8 s 0-100 km/h

Consumos
4,6 l / 100 km ciclo misto
120g CO2/km

Preço: €45.800