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Mãe de jovem agredido em Ponte de Sor critica posição do MNE

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Tiago Miranda

A mãe de Rúben Cavaco questiona se o Governo português “se está a preparar para dar o caso como encerrado” ao assumir perante o governo iraquiano que expulsará os dois jovens do país se o Iraque não aceitar o pedido de levantamento de imunidade dos filhos do embaixador. Expulsão dos jovens, sem serem julgados, seria “prova de má fé” dos dois Governos, defende a mãe de Rúben Cavaco

A mãe de Rúben Cavaco, o jovem brutalmente agredido em Ponte de Sor no final de agosto, critica a atuação do Governo português, depois de saber que o Ministério dos Negócios Estrangeiros se prepara para expulsar os dois filhos do embaixador no caso de, até ao final da próxima semana, o governo iraquiano não dar resposta ao pedido de levantamento de imunidade diplomática dos dois jovens.

"O que eu gostaria de saber é se o Governo português se está a preparar para dar o caso como encerrado com a expulsão dos dois jovens do território português", escreve Vilma Boto Pires, num comunicado enviado este sábado às redações.

"É que se este crime ficar impune, não é por culpa dos dois jovens iraquianos, que, como toda a gente sabe, já assumiram publicamente que pretendem responder perante a justiça portuguesa, mas porque o Estado do Iraque avalizou o crime cometido, após os seus dois interlocutores, que se deslocaram a Portugal expressamente para esse efeito, se terem inteirado de todos os seus contornos."

A mãe do jovem português de Ponte de Sor questiona se o Governo português e o governo iraquiano estão "a agir de boa fé". As suas declarações surgem depois de o MNE ter informado que estipulou um prazo até ao final da próxima semana para que o governo iraquiano dê resposta ao pedido de levantamento de imunidade. Caso isso não aconteça, o MNE declarará os dois filhos do embaixador do Iraque como "persona non grata", resultando na sua expulsão do país.

"A declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros português assusta-me porque dá a sensação de que tem conhecimento de que o Governo do Iraque não vai levantar a imunidade diplomática e que apenas pretende agora, em estreita colaboração com o governo iraquiano, ganhar tempo e preparar a opinião pública para uma saída airosa", defende, em comunicado.

Na opinião da mãe do jovem português, este caminho permitiria "não beliscar" as relações diplomáticas entre os dois países. Assim, o MNE anunciaria "a solução que interessa aos iraquianos (a expulsão dos dois jovens iraquianos), como se fosse a única medida que o Governo português pudesse tomar".

No comunicado, a mãe de Rúben Cavaco diz ainda que, se se confirmasse essa solução, "seria a prova da má fé com que os dois governos actuariam, representando uma nova agressão ao meu filho, à justiça portuguesa e a todos os cidadãos portugueses".

Rúben Cavaco, de 15 anos, foi brutalmente agredido em Ponte de Sor no final do mês de agosto, sofrendo múltiplas fraturas que obrigaram à sua transferência para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde esteve internado mais de uma semana. Os dois rapazes que o agrediram são filhos do embaixador iraquiano em Lisboa, Saad Mohammed Ali, e têm imunidade diplomática, que o Governo português pediu que fosse levantada.