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Guilin: o lado verde da China

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Foto 1

Chegar à cidade depois de se ter estado em Pequim é entrar numa bolsa de oxigénio

Se em Pequim a poluição é quase mastigável e o azul do céu uma miragem, em Guilin, uma cidade com mais de um milhão de habitantes (contando com a área metropolitana) a norte da província de Guangxi, o ambiente é leve, o céu é azul e a vegetação realmente verde. As cores aqui respeitam os seus pantones originais e ajudam a ‘criar’ quadros pincelados com exatidão, orgulho e génio. Basta dizer o nome de Guilin a um chinês e logo o sorriso abre e os olhos brilham. “É o paraíso na terra”, costumam dizer.

Guilin é uma cidade de interessantes contrastes. Se por um lado mantém algum do rebuliço que se conhece das cidades asiáticas, por outro consegue ser tranquila e serena para quem a visita. E a elevada humidade parece transportar-nos para outro país que não a China. Isso e as vistas do Monte da Lua, o ponto mais alto do parque Seven-Star, sobre uma cidade que mais parece sul-americana em termos arquitetónicos, se não contarmos com o topo das pagodas.

Apesar da humidade e do calor que colavam a roupa à pele, Guilin é uma cidade refrescante q.b. Um lago gigante no centro, onde se pode ver o sol e a lua, as duas torres icónicas da cidade (foto 2), rodeado de vegetação e o rio Li (foto 1), o principal meio para navegar em direção a outras paragens, que corre lado a lado com a cidade e de onde saem diariamente dezenas de barcos com centenas de turistas em direção a Yangshuo.

Foto 2

Foto 2

Nada nos prepara para a viagem de quatro horas na descida do rio. O cenário idílico, verde, deslumbrante, e todos os adjetivos que se podem imaginar, passa para segundo plano quando se entra no barco. E não é um pequeno barco, é do tamanho dos que atravessam o Tejo de um lado ao outro. Talvez até maior. O silêncio que se devia sentir é rasgado pelo barulho das pessoas, dos muitos chineses que são agora os principais turistas do seu próprio país. Dos barcos da frente e dos que nos seguem, e dos inúmeros barcos de bambu, a motor, que estão dentro de água, em locais que deviam ser quase sagrados, mas que deixaram de o ser porque o turismo assim o quis... O que devia ser uma viagem relaxante, transforma-se em desgaste.

Destino: Yangshuo, que mais parece Albufeira em pleno agosto. Sem nada marcado, decidimos não ficar na vila e viajar a três numa motorizada em direção ao Hostel Zen Box, na pacata aldeia de Jiuxiancun, onde a ruralidade chinesa se mantém. Nós e uma turista de Xangai ocupávamos o hostel ‘perdido’ por entre montes e vales verdejantes, numa paz e silêncio preciosos. Zen era o nome e zen passou a ser o nosso estado enquanto lá estivemos. Armados de bicicleta, percorremos todas a estradas de terra ao longo do pequeno Rio Yulong, que serve de animação turística com o seus pequenos rápidos. Sim, há autocarros de turistas que chegam a uma parte da povoação, mas rapidamente se vão embora, deixando o descanso para quem o procura.

Foto 3

Foto 3

Ainda regressámos a Guilin para mais um par de noites e conhecer melhor os recantos da cidade. Como em grande parte da Ásia, não há nada como fazer refeições na rua. Num pequeno largo por onde passámos, um senhor com idade de avô mantinha altas as chamas que aqueciam a wook onde cozinhou os nossos noodles. Talvez pelo cenário envolvente, talvez por estarmos com fome, talvez por uma razão qualquer, acabou por ser dos melhores jantares que fizemos durante a nossa estada em Guilin.

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O império do picante

Sendo banhada pelo rio Li, Guilin tem como pratos fundamentais os peixes de rio. Grandes peixes abertos, assados no forno com diferentes especiarias e acompanhamentos. Mudam os peixes, a base com que são cozinhados e os temperos que levam por cima. Não sendo a comunicação muito fácil, seguimos o conselho do empregado que bem tentava ‘arranhar’ inglês sem grande sucesso. Quando os gestos não funcionam, o melhor é partir à aventura e deixarmos que decidam por nós. Assim fizemos. O peixe era ótimo (foto 3), de rio e, naturalmente, sem aquele toque de sal a que estamos habituados. Um conselho: se lhe perguntarem se quer provar umas pequenas algas, vá em frente, mas só se gostar de picante. De muitíssimo picante.