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A moto elétrica feita para Barcelona que se adapta bem a Lisboa

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d.r.

O design futurista e o prazer de condução são as características mais positivas da Volta BCN City. Mas tem € a mais no preço e kWh a menos na bateria

Esta moto é extremamente fotogénica e fez virar muitas cabeças enquanto a testámos. O design tem tanto de futurista como de eficiente, já que o comportamento dinâmico está à altura do aspeto. Esta é uma moto ágil, fácil de, por exemplo, usar em trânsito intenso, com um conforto bastante satisfatório e que oferece um bom prazer de condução. Aliás, BCN significa Barcelona, a cidade-berço desta moto.

A autonomia, sempre a autonomia

Se enrolarmos o punho com frequência, é fácil obtermos uma autonomia abaixo dos 50 km, embora também tenhamos verificado que se consegue fazer os 70 km anunciados quando o terreno é plano e se circulamos a velocidades abaixo dos 50 km/h no modo mais poupado. O suficiente para a grande maioria dos percursos urbanos, mas pode ficar no limite para quem vive na periferia das grandes cidades, situação em que muitas vezes se faz mais de 40/50 km diários. A grande vantagem é que se pode carregar em qualquer tomada comum em relativamente pouco tempo.

d.r.

Para carregar, é só usar a chave da moto para abrir (levantar) o banco do pendura, onde está escondido o cabo com uma ficha standard. As nossas medições provaram que a carga a partir da “reserva” até aos 100% é feita em pouco mais de duas horas, como indicado pela marca. Mas medimos uma potência máxima na tomada de cerca de 1 kW, o que significa que, mesmo em condições ideais, a bateria carrega cerca de 2 kWh (1 kW x 2 h). Ora, a Volta indica que a bateria é de 3 kWh e que a carga total é feita em duas horas. Isto talvez signifique que a reserva de bateria seja grande, de modo a aumentar a longevidade deste componente, ou que os 100% indicados não são realmente 100%.

d.r.

A Volta optou por não incluir sistema de regeneração. Ou seja, as desacelerações e travagens não são usadas para recarregar a bateria. Num veículo leve, a regeneração normalmente tem pouco impacto sobre a autonomia, e até pode prejudicar a longevidade da bateria. Por outro lado, sobretudo em zonas acidentadas, sente-se um pouco a falta da travagem com o motor permitida pela regeneração. Uma característica a considerar para motociclistas que circulam em zonas mais acidentadas.

d.r.

Mais rápida que as motos convencionais

Ao contrário do que é comum em muitos veículos elétricos, não se sente o binário explosivo no arranque. Mesmo no modo Sport – opção que é oferecida na fase de lançamento, mas que será opcional – não há o risco de fazer o cavalinho. Longe disso. Mas depois sente-se, e de que maneira, a aceleração. Aliás, sente-se bem mais a aceleração quando aceleramos a fundo dos 20 ou 30 km/h do que que quando iniciámos a marcha. Esta progressividade faz sentido numa citadina e funciona quase como um controlo de tração. Útil para evitar contactos de primeiro grau com o chão.

Verificámos como outros motociclistas ficaram surpreendidos, sobretudo quando perguntavam “qual a cilindrada?”, ao que respondíamos “é elétrica, não tem cilindrada, mas em termos legais é equivalente a uma 125”. O que significa que esta Volta pode ser usada com “carta de carro”. Mas é bem mais rápida que uma 125 tradicional.

Convincente, mas cara

O prazer de condução e a agilidade desta Volta fazem-nos esquecer, em grande parte, a limitação da autonomia. Esta é uma moto viciante. A forma como desenvolve velocidade, como curva, como permite progredir facilmente pelos engarrafamentos... São aspetos muito positivos. Quanto ao preço: sim, é elevado, mas estamos a falar de um veículo que gasta, literalmente, cêntimos de energia aos 100 e que quase não tem necessidades de manutenção. E, mais importante, que não enche as cidades de fumo e de ruído.

CARACTERÍSTICAS

VOLTA BCN CITY

Preço: €9.215
Velocidade máxima: 120 km/h
Autonomia: 70 km
Tempo de carga: 2h (220 volts)
Potência nominal/pico: 11/25 kWh
Bateria: 3 kWh, 74 volts
Peso: 135 kg