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Suspeito de crimes de Aguiar da Beira pode sobreviver escondido “alguns dias”

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PAULO NOVAIS / Lusa

Além da vantagem de conhecer o terreno na zona de Candal, S. Pedro do Sul, a GNR tem informações de que o suspeito de ter abatido duas pessoas e ferido outras duas é “um indivíduo capaz de sobreviver durante alguns dias, uma vez que tem propriedades e tem pessoas que o poderão abrigar nesta área”

A GNR está convicta de que o suspeito dos crimes de Aguiar da Beira consiga sobreviver durante "alguns dias" na zona de Candal, em S. Pedro do Sul, onde estão concentradas as buscas, disse esta manhã o major Pedro Gonçalves.

"Pelas informações recolhidas, estamos a falar de uma pessoa que, além de conhecer bem o terreno, uma vez que ele é [de] muito próximo daqui, tem familiares e residência em Arouca", afirmou aos jornalistas a meio da manhã, no posto de comando da GNR instalado na localidade de Póvoa as Leiras.

Além da vantagem de conhecer o terreno, a GNR tem informações de que se trata de "um indivíduo que é capaz de sobreviver durante alguns dias, uma vez que tem propriedades e tem pessoas que o poderão abrigar nesta área", acrescentou.

"Poderá manter-se por aqui durante alguns dias", sublinhou Pedro Gonçalves, aludindo à zona do concelho de S. Pedro do Sul, no distrito de Viseu, que faz fronteira com o concelho de Arouca, no distrito de Aveiro.

Cerca das 15h desta terça-feira, um dos suspeitos dos crimes de Aguiar da Beira "foi localizado e observado nesta área", o que levou à intensificação das ações no terreno.

"O suspeito foi avistado por uma patrulha desta guarda, que se encontrava já aqui em operações no terreno, durante o dia de ontem [terça-feira] por volta das 15h. Fora isso, até ao momento não tivemos mais qualquer avistamento ou conhecimento de que algum civil tenha tido avistamento sobre o suspeito", referiu.

Segundo Pedro Gonçalves, encontram-se no terreno cerca de 200 militares das várias valências da GNR, nomeadamente, "uma mais especializada nestas situações da unidade de intervenção, uma vez que se trata de uma situação de elevada perigosidade".

O responsável explicou que os militares estão a executar "ações estáticas" em alguns pontos considerados "fundamentais para controlar toda esta área, nomeadamente nos pontos mais elevados", e há "equipas que se encontram móveis no terreno em busca do suspeito". "Pensamos que o suspeito ainda se localiza nesta área. O mesmo estará apeado, pelo que as operações decorrem com alguma intensidade nesta área", frisou.

A orografia do terreno está a dificultar o trabalho dos militares, "principalmente junto à zona da linha de água, onde existe uma vegetação muito intensa", o que dificulta o avanço e "eleva a perigosidade da situação".

Pedro Gonçalves garante que esta operação se vai manter na zona de Candal "enquanto houver informações de que o suspeito se encontra na área" e até que a GNR ou as forças e serviços de segurança que se encontram a colaborar consigam deter suspeito.

"As operações são móveis, são subordinadas às informações que estamos constantemente a recolher no terreno. Neste momento, estamos a intensificar as ações aqui, se recolhermos informações de que o suspeito já poderá não estar neste local, rapidamente o nosso dispositivo é ajustado no terreno e é movimentado para outro local", realçou.

No que respeita a um outro suspeito de que a GNR tinha falado na terça-feira, o responsável escusou-se a fazer declarações, uma vez que "se trata de matéria do foro de investigação que não está atribuída à GNR, está atribuída à PJ".

Apesar de a GNR ter informado esta manhã em comunicado que todos os residentes das localidades de Candal, Póvoa das Leiras e Coelheira podem regressar às suas atividades diárias, Pedro Gonçalves assegurou que "em momento algum" a GNR aligeirou as operações no terreno.

"Durante a noite, a GNR, face às condições climatéricas que se fizeram sentir, nomeadamente com queda de chuva intensa e muito nevoeiro, teve que concentrar os seus meios junto das populações para garantir, por um lado, a sua segurança, e também através da nossa visibilidade transmitir um sentimento de segurança junto das populações", contou.

Com o nascer do dia foi reforçado o efetivo, que "está orientado para a área" onde julgam estar o suspeito.

Um militar e um civil foram assassinados a tiro na terça-feira de manhã em Aguiar da Beira, no distrito da Guarda, onde também um outro militar e uma civil ficaram feridos com gravidade.

Já durante a tarde, na zona de Candal, S. Pedro do Sul, no distrito de Viseu, um outro militar da GNR foi também ferido com uma arma de fogo.

Na sequência do tiroteio em Aguiar da Beira, a GNR montou uma operação policial na zona de São Pedro do Sul.