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Relação mantém Carlos Alexandre. Agora é a vez de o Conselho avaliar o juiz

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Marcos Borga

Tribunal da Relação de Lisboa decidiu esta terça-feira que não há motivo “grave e sério” para afastar o juiz Carlos Alexandre da condução da Operação Marquês. O Conselho Superior da Magistratura pode agora avaliar as entrevistas ao Expresso e à SIC

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

O acórdão assinado por Cid Geraldo é claro: Carlos Alexandre não se estava a referir a José Sócrates quando disse na entrevista à SIC que não tinha "amigos pródigos" ou dinheiro em "contas de amigos". "Consubstanciam um desabafo do juiz perante os cortes salariais sofridos desde 2010, de que não dispõe de outros rendimentos, senão aqueles que estão à vista em seu nome, não tendo como objetivo qualquer ataque pessoal ou qualquer alusão ao requerente (José Sócrates), pois em momento algum afirmou ter o requerente dinheiro em contas de amigos".

Carlos Alexandre vai continuar assim a conduzir o processo Marquês em que José Sócrates é suspeito de receber dinheiro de empresas que ocultava nas contas bancárias do amigo de infância Carlos Santos Silva. Mas as ondas de choque provocadas pela entrevista à SIC e, depois, ao Expresso não ficam por aqui: o Conselho Superior da Magistratura, que tinha decidido esperar pela decisão da Relação, vai apreciar na sessão do próximo dia 25 de outubro as duas entrevistas. Houve uma queixa da defesa de Sócrates e o Conselho vai decidir se há motivo para levantar um processo disciplinar ao juiz que pode, no limite, culminar numa suspensão. Caso a decisão seja essa, será difícil que se possa manter à frente do processo.

A Operação Marquês tem 18 arguidos e até março de 2017 terá de haver uma acusação ou um despacho de arquivamento. Sócrates é suspeito de se deixar corromper em troco de favorecer várias empresas. O despacho de acusação já foi adiado quatro vezes.