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Portugal melhor que Espanha, Alemanha e França no respeito pelos direitos das raparigas

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Estudo “Every Last Girl”, realizado pela “Save the Children”, lista os países de acordo com indicadores como educação, casamento infantil ou gravidez na adolescência. Estudo revela um dado particularmente preocupante:

No dia em que se assinala o Dia Internacional da Rapariga, a organização não-governamental (ONG) “Save the Children” publicou um ranking mundial com 144 países no qual avalia as oportunidades que são concedidas às raparigas segundo cinco parâmetros. Portugal surge em oitavo lugar, à frente de países como Espanha, Alemanha, Reino Unido e França.

Para a elaboração do ranking foram tidos em consideração cinco indicadores: “casamento infantil, gravidez na adolescência, mortalidade maternal (que pode ser um indicador do acesso a bons cuidados de saúde), número de mulheres no Parlamento (em relação ao número de homens) e a conclusão do ensino secundário”. Consoante se verifiquem falhas nestes parâmetros que a ONG considera serem fundamentais, os países recebem maior pontuação.

Desta forma, os países que obtiveram pontuações mais baixas são aqueles que lideram o ranking – Suécia, Finlândia e Noruega.

O indicador em que Portugal obteve maior pontuação foi na quantidade de mulheres no Parlamento, um problema verificado na grande maioria dos países que figuram no ranking. Ruanda, Cuba e Bolívia são os países onde a proporção de mulheres e homens nos parlamentos é mais igualitária. Devido à grande taxa de gravidez na adolescência e mortalidade maternal, os Estados Unidos ocupam o 32º lugar.

Uma criança a dar à luz uma criança

O estudo revela um dado particularmente preocupante: de acordo com a ONG, a cada sete segundos uma rapariga com menos de 15 anos é obrigada a casar. Esta é uma realidade que ocorre em países como o Afeganistão, o Iémen, a Índia e a Somália. De acordo com o estudo, o casamento infantil é mais provável que ocorra com raparigas que vivam em áreas de conflito e pobreza.

A organização alerta para as muitas consequências negativas que o casamento em idades jovens com homens muito mais velhos pode ter na vida das raparigas. Helle Thorning-Schmidt, CEO da “Save the Children”, referiu que “o casamento infantil provoca o início de um ciclo de desvantagens que nega às raparigas os direitos mais básicos como a educação e o seu desenvolvimento”.

Thorning-Schmidt sugere ainda que as crianças que casam muito cedo e não frequentam a escola estão mais sujeitas a sofrerem de violência doméstica e abusos sexuais. Também estão mais suscetíveis a apanharem doenças sexualmente transmissíveis, como a SIDA, e a engravidarem.

Por acreditarem que ao casarem as suas filhas lhes estão a garantir proteção contra a pobreza ou a exploração sexual, muitas famílias de refugiados optam por casar as raparigas quando estas são ainda muito jovens.

A “Save the Children” deu ainda conta de uma menina refugiada síria a viver no Líbano, que casou com 13 anos e que agora, com 14 anos, se encontra grávida de dois meses. A rapariga revelou à organização que inicialmente pensava que o dia do seu casamento iria ser “fantástico, mas que na verdade foi miserável e muito triste”. A futura mãe garante que se sente “abençoada pelo seu bebé mas que não deixa de ser uma criança a dar à luz uma criança”.

No fundo do ranking está a Nigéria, seguida do Chade e a República Centro-Africana.