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Dois dos detidos no protestos dos taxistas já foram libertados

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Marcos Borga

Um foi detido por ter arremessado alguns objetos contra um carro da polícia e o outro por ter lançado um artefacto pirotécnico contra os agentes. Um terceiro outro homem, taxista, foi detido por vandalismo a um carro da Uber

Dois dos três homens detidos esta segunda-feira pela PSP durante o protesto de taxistas, na zona do aeroporto de Lisboa, foram libertados e serão julgados em processo sumário, anunciou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

“Dois dos indivíduos detidos foram presentes ao Ministério Público (MP) e libertados após terem sido notificados para comparecerem em tribunal a fim de serem julgados em processo sumário, respetivamente nos dias 20 e 27 de outubro, ambos indiciados pela prática do crime de dano qualificado e um deles indiciado ainda pela prática dos crimes de detenção de arma proibida e ofensa à integridade física qualificada”, lê-se num comunicado divulgado à tarde no site da PGDL.

O terceiro detido será presente ao MP na terça-feira, adianta a PGDL.

Dois dos homens foram detidos junto à Rotunda do Relógio e o outro junto ao aeroporto de Lisboa, onde os taxistas estão concentrados desde segunda-feira de manhã.

Em relação aos detidos na Rotunda do Relógio, fonte oficial da PSP adiantou que um foi detido por ter arremessado alguns objetos contra um carro da polícia e o outro por ter lançado um artefacto pirotécnico contra os agentes.

O outro homem, taxista, foi detido por vandalismo a um carro da Uber.

Quando a marcha lenta de protesto passava a zona do aeroporto, depois de partir do Parque das Nações, os taxistas saíram dos carros e ocuparam a Rotunda do Relógio, tendo os elementos policiais tentado impedi-los.

A situação originou uma atitude mais agressiva por parte dos manifestantes, explicou fonte oficial da PSP, avançando que os taxistas atiraram vários objetos contra os polícias, nomeadamente garrafas.

Segundo a PSP, alguns agentes lançaram gás pimenta contra os manifestantes.

O diretor-geral da Cabify Portugal, Nuno Santos, contactado pela Lusa, escusou-se a comentar os confrontos e consequentes ameaças contra motoristas das plataformas que operam junto à zona das partidas do aeroporto.

“São atos que não merecem o nosso comentário”, afirmou Nuno Santos, acrescentando que os funcionários da empresa não temem pela sua segurança.

Segundo o responsável, durante esta segunda-feira não se registaram incidentes com os motoristas da Cabify Portugal e, consequentemente, não houve feridos ou danos materiais.

Numa resposta enviada à Lusa sobre o protesto, o diretor-geral da Uber em Portugal, Rui Bento, afirmou que a empresa respeita “o direito que todos os grupos têm de se manifestar, desde que o façam com espírito cívico, e com respeito pela segurança e ordem públicas”, mas “infelizmente” isso não está a acontecer esta segunda-feira.

“Este é um momento-chave para a mobilidade nas cidades portuguesas. Acreditamos que este diploma poderá ser um passo importante para que Portugal caminhe para um modelo de mobilidade mais moderno e sustentável, alinhado com as necessidades das pessoas nas nossas cidades, e que proporcione importantes oportunidades económicas e de criação de emprego no setor”, adianta Rui Bento.

Os profissionais do setor estão em luta contra a regulação que o Governo propõe para a atividade das plataformas de transportes de passageiros como a Uber ou a Cabify e tinham como destino a Assembleia da República.

As plataformas Uber e Cabify permitem pedir carros descaracterizados de transporte de passageiros através de uma aplicação para ‘smartphones’, mas os operadores que a elas estão ligados não têm de cumprir os mesmos requisitos - financeiros, de formação e de segurança - do que os táxis.