Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Portugal termina missão militar no Kosovo ao fim de 18 anos

  • 333

ANT\303\223NIO COTRIM

O Conselho Superior de Defesa Nacional deu parecer favorável a uma proposta do Governo para a retração da força nacional destacada no Kosovo, que começa no segundo trimestre de 2017 e estará completa até junho

Os militares portugueses abandonam o teatro de operações do Kosovo em 2017, após 18 anos na missão da NATO no território, uma decisão justificada pelo Governo com a melhoria das condições de segurança e estabilidade naquele país.

Questionado pela Lusa, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, justificou hoje a decisão afirmando que as “condições estratégicas e operacionais que ditaram o envio da força portuguesa se alteraram, nomeadamente as condições de segurança e estabilidade no território, hoje francamente mais favoráveis ao normal desenvolvimento do Kosovo”.

O Conselho Superior de Defesa Nacional deu na quinta-feira parecer favorável a uma proposta do Governo para a retração da força nacional destacada no Kosovo, que começa no segundo trimestre de 2017 e estará completa até junho.

Na resposta enviada à Lusa, Azeredo Lopes defendeu que “a continuação da presença de militares portugueses na missão não se afigura, neste momento, essencial para a defesa dos interesses nacionais na região”.

Atualmente estão 189 militares na KFOR (Kosovo Force), que serão rendidos durante este mês. O primeiro grupo do último batalhão em missão no Kosovo parte a 17 de outubro e será constituído por 48 efetivos do Exército, num total de 186, da Brigada de Reação Rápida (2º Batalhão de Infantaria Paraquedista), para integrar o Batalhão de Reserva Tática da KFOR.

“O desempenho das missões atribuídas aos militares portugueses foi considerado excecional, correspondendo aos elevados padrões da NATO, tendo contribuído decisivamente para a estabilidade social e política do território do Kosovo”, destacou Azeredo Lopes.

O governante frisou ainda que “é certo” que o Governo pretende manter “idêntico empenhamento português no âmbito da Aliança Atlântica” em 2017, embora sem adiantar quais os teatros de operações em perspetiva.

A possibilidade de Portugal participar numa missão da NATO no Iraque já tinha sido admitida pelo ministro em junho passado.

O Kosovo declarou-se unilateralmente independente da Sérvia em fevereiro de 2008, com Portugal a reconhecer o novo país em outubro do mesmo ano.

Portugal participa na força de manutenção de paz da NATO para o Kosovo desde julho de 1999, com contingentes de diferentes dimensões e especialidades em regime de rotação semestral.

Integrou a KFOR com uma unidade de escalão batalhão composto por 300 militares, um destacamento de operações especiais e um destacamento de controlo aéreo-tático, ocupando um setor na região de Klina, a oeste do território.

Atualmente, estão 189 militares portugueses em missão no Kosovo, mas o contingente já chegou a exceder os 300, como aconteceu de 1999 a 2001, ano em que a maior parte dos militares regressou a Portugal.

Entre 2003 e 2004 Portugal manteve apenas uma equipa reduzida no aeroporto da capital kosovar, Pristina, mas em 2005 voltou a enviar cerca de 300 militares para o território, regressando ao formato de rotação semestral de tropas.

A KFOR é atualmente composta por cerca de 5.000 militares de várias nacionalidades.

  • O sítio inacabado

    A casa de Adelina Morina não tem luz e está por terminar. Fica em Bardhosh, onde não existe uma cafetaria, um restaurante, uma hospedaria. Nada. A dez quilómetros de Pristina, a capital do Kosovo, há dois acontecimentos que unem as famílias umas às outras: são pobres e têm familiares migrados. E as casas inacabadas são a metáfora do país