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Espanhol de 12 anos acumulou dívida de €100 mil ao Google sem perceber

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GOOGLE. A multinacional é uma das empresas abrangidas pelas medidas propostas pela Comissão

Reuters

José Javier pensava que ia ganhar uma fortuna com os anúncios que empresas iam pôr nos vídeos da sua banda. Mas usou a aplicação errada

Luís M. Faria

Jornalista

Um menino espanhol de 12 anos acumulou uma conta de cem mil euros no Google sem dar por isso. José Javier, de Torrevieja, toca trompete numa banda rock chamada Los Salerosos. Fiados na qualidade da música, ele e um amigo resolveram pô-la na internet e começar a cobrar pela publicidade que empresas lá quisessem meter. Mas enganaram-se e em vez de usar a aplicação destinada a isso usaram outra que serve para o contrário.

Quem usa o Adwords, como eles fizeram, paga por cada click que alguém der no material. Sem dar por isso, José Javier aumentou muito rapidamente o seu passivo: de 15 euros iniciais a quase vinte mil foi instante, e daí até aos cem mil não demorou.

O banco onde ele tinha conta (os pais tinham-na aberto para ele ir poupando e um dia poder pagar a sua carta de condução) apercebeu-se de que o respetivo débito estava a subir muito depressa. Notificaram os pais, que a cancelaram imediatamente. Mas ficou o problema da dívida já acumulada.

Os pais reconheceram que era um problema complicado, mas o Google resolveu ser sensato. Anunciou que tinha analisado o assunto e não ia cobrar os cem mil euros. Ficou por saber como é possível uma criança utilizar o serviço em causa sem qualquer tipo de controlo além da simples declaração – feita com uma simples cruz numa caixa – de que tem mais de 18 anos.

Os advogados notam que, em qualquer caso, o contrato feito com o Google seria declarado nulo, pois um menor não tem capacidade legal para contratar. Mas os pais de José perguntam como é que a empresa nem sequer exigiu ao seu filho um número de identificação pessoal para verificar a sua idade.