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Quercus quer travar regresso da caça na Serra da Malcata

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A Quercus alerta que o regresso da caça à Serra da Malcata “representa um aumento do risco para o Plano Nacional de Reintrodução do lince-ibérico, através do qual estão a ser investidos milhões de euros, e que prevê que venham a ser libertados linces nesta área protegida”

José Caria

No entender da associação ambientalista, a decisão do Governo de voltar a permitir a caça na serra beirã carece da devida fundamentação científica

A Quercus entregou aos ministros do Ambiente e da Agricultura uma petição com 5486 assinaturas para travar o regresso da caça à Reserva Natural da Serra da Malcata, aprovada em fevereiro pelo Governo, anunciou esta terça-feira a associação ambientalista.

Em comunicado, a Quercus informa ter entregado ao Presidente da República e aos ministros do Ambiente e da Agricultura, ao presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e aos partidos uma petição pública com 5486 assinaturas para travar a caça na serra da Malcata.

Em causa está a revogação de uma portaria com quase 23 anos, no dia 8 de fevereiro, que interditava a prática cinegética na Reserva Natural da Serra da Malcata. Na altura, o Ministério do Ambiente justificou a revogação, salientando disse que "são inequívocas" as vantagens do ordenamento cinegético para a conservação dos recursos naturais.

"A Quercus tem vindo a contestar esta opção da tomada pelo Governo, pois a mesma pode colocar em causa a recuperação de várias espécies presa que se encontram a recuperar na zona, tais como o corço, o veado ou o coelho, e ainda de espécies em perigo como o lince, o lobo ou o abutre-preto", é referido.

No entender da associação ambientalista, a decisão do Governo de voltar a permitir a caça na Serra da Malcata carece da devida fundamentação científica, não se conhecendo até à data nenhum estudo sobre as populações de espécies que possam vir a ser exploradas cinegeticamente.

"Esta opção também representa um aumento do risco para o Plano Nacional de Reintrodução do lince-ibérico, através do qual estão a ser investidos milhões de euros, e que prevê que venham a ser libertados linces nesta área protegida", é indicado.

A Quercus diz que não está contra a atividade cinegética, mas lembra que o "abate a tiro é uma das principais causas de morte não natural do lince-ibérico e do lobo-ibérico".

No comunicado, a Quercus solicita ainda ao Governo que cumpra duas resoluções do PAN e do Bloco de Esquerda, aprovadas em maio na Assembleia da República, que recomendam ao executivo que volte a proibir a caça na reserva natural.

A Reserva Natural da Serra da Malcata localiza-se entre a vila de Penamacor e a cidade do Sabugal, junto à fronteira com Espanha, com uma superfície de 16.348 hectares. O seu símbolo é o lince-ibérico, o felino mais ameaçado do mundo.