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Peritos espanhóis acusam Conselho de Segurança Nuclear de não emitir informação fiável

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Central Nuclear de Almaraz, nas margens do Tejo

tiago miranda

Associação de Profissional de Técnicos em Segurança Nuclear e Proteção Nuclear afirma que o regulador espanhol “cede a pressões do sector em detrimento da segurança nuclear” e que os técnicos que inspecionam centrais como a de Almaraz (a 100 km de Portugal) “estão imersos numa política de medo” e “ocultação de informação”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Em carta enviada ao Congresso dos Deputados de Espanha, a Associação espanhola de Profissional de Técnicos de Segurança Nuclear e Proteção Nuclear acusa a atual direção do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) de Espanha de “pressionar os inspetores e técnicos avaliadores” deste órgão regulador “a ocultarem informação interna e externa (não por ser de natureza reservada, mas para não prejudicar interesses espúrios)”.

No documento, que o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) fez chegar ao Expresso, é criticada a alteração do sistema integrado de supervisão das centrais nucleares espanholas, que levou a uma “desvalorização dos incidentes” registados nos últimos anos, entre os quais os da central de Almaraz, localizada junto ao rio Tejo e a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa. O comité que tem a missão de categorizar os incidentes por nível de perigosidade “converteu-se num tribunal em que os inspetores têm de defender as suas propostas perante a hierarquia do CSN, invariavelmente alinhada com argumentos que minimizem a severidade da classificação”, lê-se na carta.

Os técnicos de segurança nuclear denunciaram à associação profissional que são alvo de “pressões e ameaças para alterarem atas de inspeções”; que recebem indicações para “não perderem tempo procurando incidentes” nas centrais nucleares; e que “estão imersos numa política de medo”.

“Esta carta vem confirmar o que já suspeitávamos: a informação do CSN não é fidedigna”, afirma ao Expresso António Elo, dirigente do MIA. E aponta o dedo ao regulador nuclear espanhol por servir interesses económicos e políticos obrigando à emissão de pareceres à revelia dos técnicos e inspetores”. O ativista antinuclear sublinha também que “os peritos lembram o que se passou em Fukushima”, estabelecendo um paralelismo com as falhas na regulação japonesa.

Além de salientar as questões de falta de fiabilidade dos relatórios do CSN, a associação de peritos e inspetores recorda que o presidente do CSN (Fernando Marti) não compareceu perante a Comissão de Indústria do Congresso dos Deputados quando foi chamado em abril último e pede a mudança de direção do organismo regulador espanhol.

Com base em toda esta informação e no anúncio de autorização de um novo depósito de resíduos radiativos em Almaraz, que permitirá o prolongamento da central nuclear para lá de 40 anos de vida, o Movimento Ibérico Antinuclear pediu uma reunião urgente ao ministro português do Ambiente, João Matos Fernandes. António Eloy considera que "há desinformação ou falta de informação do Governo português, que presta demasiada confiança nos pareceres e informações fornecidas pelo CSN”.