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O Parlamento da Saúde

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A SAÚDE PENSA-SE CEDO. É o mote da campanha 
do projeto Health Parliament que procura pessoas entre os 21 e os 40 anos para pensar o futuro das políticas públicas da Saúde, mesmo que não tenham nenhuma formação específica na área. Gente com vontade de mudança como Barack Obama, que “aos 20 anos liderava grupos comunitários em Chicago” e aos 50 reformou o sistema de saúde dos EUA. 
Ou Angela Merkel, que “aos 36 foi a ministra mais nova” do Governo alemão e hoje tem 
o “futuro da Europa” nas mãos. Obama e Merkel, juntamente com Hillary Clinton, são os rostos que provam que a saúde é um tema que se deve pensar cedo para o bem de todos

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Projeto. Durante seis meses uma assembleia exclusivamente ligada à saúde vai funcionar em Portugal, aberta aos jovens que queiram discutir e contribuir para a mudança no país

Começou no Reino Unido, passou pela Bélgica e no terceiro ano de existência o Health Parliament chega a Portugal. 60 jovens, vários mentores, seis temas e um objetivo: pensar a saúde no país. No Parlamento da Saúde, seis comissões ficarão encarregadas de discutir seis temas. Haverá debates e sessões parlamentares, visitas a hospitais e centros de investigação e, no final dos seis meses, o país deverá ficar mais rico com as contribuições dos 60 participantes, que emitirão recomendações sobre o futuro da saúde.

Os grandes temas discutidos até à exaustão são, acreditamos, de primordial importância para o serviço de saúde português. Maria de Belém Roseira, uma das mentoras do projeto, refere-se ao tema “O doente no centro da decisão: que impacto sobre os cuidados de saúde”, sublinhando que “é um princípio da ética médica” onde o doente “deve ser sempre estimulado a que a decisão seja sua”. A ex-ministra da Saúde reconhece que em Portugal às vezes “falta tempo aos profissionais de saúde para interagirem com os pacientes”, por isso esta discussão é importante e faz parte “da qualidade que se exige a um serviço de saúde com maturidade. É preciso investir neste tempo”.

Ex-ministros da Saúde, médicos, investigadores e deputados já se juntaram para ajudar a discutir outros temas como “Saúde Mental: de parente pobre a investimento com retorno”, “Tecnologias de informação em Saúde: que promessa tecnológica e desafios sociais”, passando por “Barreiras aos cuidados de saúde: que desafios demográficos, realidades locais e futuras respostas.”

Alexandre Quintanilha é outro dos mentores e, em relação ao tema “Economia do conhecimento: como potenciar o impacto de I&D na economia”, lembra que “todo o conhecimento tem impacto, mais cedo ou mais tarde. Mas nem sempre esse conhecimento se transforma em instrumentos que permitam que as pessoas se realizem e que as sociedades possam promover um desenvolvimento mais justo. Felizmente, existem exemplos extraordinários, por esse mundo fora, de inovações, baseadas no conhecimento, que melhoraram a qualidade de vida das pessoas e permitiram a evolução de sociedades mais sustentáveis e inclusivas. Devemos seguir esses exemplos”. Mais a norte, Manuel Pizarro também abana a bandeira de apoio ao Parlamento da Saúde.

Por fim o tema, não menos importante, “Ética: o que espera a sociedade dos cuidados de saúde”, “que tem como base fundamentalmente duas coisas”, explica Constantino Sakellarides ao Expresso.

A primeira prende-se com o acesso de todos a todos os cuidados de saúde “um desafio para o qual devemos estar sempre dispostos a dar um passo em frente. Ainda falta fazer bastante, ainda há um acesso desigual aos cuidados de saúde. Reconhecendo esta imperfeição não podemos deixar de dar um passo na direção certa. Para isso o SNS deve ser mais bem financiado e ainda mais próximo das pessoas”, diz Constantino Sakellarides. A segunda está diretamente ligada com a necessidade de se assegurar que os cuidados de saúde são prestados privilegiando a dignidade humana.

Não há parlamento, nem comissão que não tenha consultores para desafiar os participantes. No Parlamento da Saúde a história não é diferente. Vários nomes habituados às andanças parlamentares, como Ricardo Baptista Leite, Luísa Salgueiro, Moisés Ferreira e Isabel Galriça Neto, adicionam às funções mais uma assembleia. Acompanharão as respetivas áreas dando mais material e contribuindo com conhecimentos e dados ao pensamento. Além dos deputados há também outros consultores ligados ao dia a dia da saúde em Portugal: Álvaro Carvalho, Joaquim Cunha, Ana Marta Temido e Henrique Martins são alguns dos que, com os deputados e restantes consultores, ajudarão a escolher os convidados para as palestras ou sugerir os locais a visitar.

Marcelo Rebelo de Sousa também já se juntou — o Parlamento conta com o alto patrocínio da Presidência da Republica. Está aberta a sessão. O projeto começa agora, a saúde em Portugal está a mudar. Quer mudá-la connosco?

COMO SE CANDIDATAR E QUEM SÃO OS MENTORES

O parlamento da Saúde é aberto a todas as pessoas com idades entre os 21 e os 40 anos que quiserem pensar a saúde em conjunto. Só têm de ter ambição e vontade de transformar o futuro da saúde em Portugal. As candidaturas estão abertas AQUI até 28 de outubro. Até ao final de novembro a Kelly Associates selecionará 60 participantes que podem ser de qualquer área. Têm de ter no mínimo um bacharelato, residir em Portugal e ter disponibilidade para participar nas ações parlamentares. Depois dividem-se em comissões de seis e ficaram encarregados da discussão de um tema de acordo com as suas preferências. Que comece o Parlamento da Saúde. Saiba quais os mentores que já se juntaram ao projeto:

Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde

Paulo Macedo, administrador Continental

Manuel Pizarro, médico e vereador CM Porto

Constantino Sakellarides, consultor Ministério Saúde

Fausto Pinto. diretor Fac. Medicina Universidade de Lisboa

Alexandre Quintanilha, investigador e deputado

Maria João Valente Rosa, demógrafa

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 1 de outubro de 2016