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Sociedade

Falantes de português vão duplicar até ao final do século. E a maioria estará em África

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RITMO. No Senegal há mais de 40 mil alunos a aprenderem Português com o entusiasmo africano

foto INSTITUTO CAMÕES

O objetivo é tornar a língua portuguesa mais presente, espalhá-la pelos quatro cantos do mundo. Há pouco dinheiro e muito a percorrer. Por isso, a mensagem é: anda conhecer o mundo. E o Português vai, passo a passo. Em 2016, o Governo aumentou em 80% o volume de bolsas a estudantes nos países de expressão portuguesa, sem contar o Brasil. Agora, será lançada uma aplicação para aprender português nas plataformas móveis

O Português é a quinta língua com mais utilizadores na Internet e a terceira mais usada no Facebook. Mais de 260 milhões de pessoas expressam-se em Português, ensinado em mais de 80 países. Pode parecer muito, mas não é. Há potencial para mais, pelo menos a contar com os projetos do Governo, que em 2015 e em 2016 investiu anualmente cerca de 28 milhões de euros na divulgação da Língua Portuguesa.

Internacionalizar o Português como se de uma marca de prestígio se tratasse e conquistar novos falantes e novos destinos, alargando a geografia da Língua Portuguesa aos cinco continentes, foi o foco da conferência de imprensa realizada esta terça-feira em Lisboa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, na sede do Instituto Camões. O ministro recordou as 261 milhões de pessoas que falam português como língua nativa, os falantes na diáspora e aqueles que querem falar português como língua estrangeira. Anunciou a estimativa de 487 milhões de falantes nativos de português no fim deste século, quase duplicando os atuais. Falou nas “condições de orçamento muito duras e restritivas” e que mesmo assim, a rede Camões continua a crescer.

“A defesa da língua é uma das obrigações essenciais do serviço públixo de rádio e televisão”, disse o ministro. “O essencial é ter consciência do valor da nossa língua e da nossa responsabilidade face à língua”, acrescentou.

“Se Camões existisse hoje teria sonetos na internet”, comentou Augusto Santos Silva.

Acompanhado da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, um dos homens fortes do Governo de António Costa fez o balanço de como a instituição está a promover a Língua Portuguesa este ano, em tempos de pouco dinheiro.

Ana Paula Laborinho, presidente do instituto, anunciou as novidades: lançamento de uma app para aprender português em plataformas móveis, utilização da RTP Internacional e certificação digital da aprendizagem para o público infantojuvenil.

Tudo começou com a divulgação do alargamento da rede externa do Instituto Camões e o reforço da rede de ensino de Português em universidades estrangeiras, a qual, por exemplo, passou a incluir leitorados (professores de Português de nível universitário) em Santiago de Compostela (Espanha), Toronto (Canadá), Boston (Estados Unidos), Luxemburgo, Nairóbi (Quénia) e Tailândia. Há atualmente 49 leitores portugueses a lecionar em 72 universidades em todo o mundo e uma rede de 700 professores na rede Camões a ensinar em mais de 400 instituições de nível superior.

Também foi apresentado o reforço da rede de cátedras e de investigação em estudos e cultura portuguesa em universidades estrangeiras e que passou pela criação da Cátedra José Saramago em Vigo (Espanha), Eugénio Tavares em Cabo Verde e Joaquim Heleodoro da Cunha Rivara (médico, intelectual e político português que estudou a história da presença portuguesa na Índia) em Goa.

Foi ainda anunciado o reforço dos centros universitários de língua portuguesa com a abertura de novas unidades no Chile, Vietname e na Ucrânia e a consolidação dos centros de Berlim e Pequim. Simultaneamente foram atribuídas 200 bolsas a estudantes estrangeiros.

Visando aumentar a competência linguística e formativa, o Instituto Camões decidiu aumentar em 80% o volume das bolsas de estudo anuais para estudantes de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor.

Mas nem só de estudantes se faz o alargamento da Língua Portuguesa no mercado internacional, daí o instituto ter reforçado a presença de recursos humanos em organizações externas ao passar a colaborar com instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento na Costa do Marfim ou a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, em Abuja, na Nigéria.

Também passou a ser prestado apoio bibliográfico, cultural ou científico a universidades estrangeiras em Minsk, na Bielorrússia, ou em Kiev, na Ucrânia. E, conforme foi apresentado na conferência de imprensa, estão ainda a ser analisadas novas parcerias de cooperação com universidades em diversos continentes.

A opção pelo ensino do Português integrado nos sistemas de ensino de outros países, como língua de opção estrangeira, acontece não só nos países de tradicional imigração portuguesa, como França, Luxemburgo ou Alemanha, mas também em destinos novos como Croácia, Bulgária, Hungria, República Checa, Polónia, Roménia ou Noruega, em alguns destes casos como projetos-piloto. E em África, tal integração já acontece em países Namíbia, Senegal, Suazilândia, Tunísia e Costa do Marfim.

O Instituto disse ainda na conferência de imprensa que está a ampliar o sistema de certificação para validar o conhecimento da língua portuguesa para quem frequenta a rede de ensino Camões, com o lançamento de um novo sistema de reconhecimento.

Números - Rede Camões

84 países
1372 docentes
160.769 alunos