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Relação nega recurso aos sete arguidos de rapto de empresário em Braga

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Suspeitos de terem raptado e assassinado o empresário bracarense João Paulo Fernandes, em maio, vão manter-se em prisão preventiva, após o Tribunal da Relação de Guimarães ter validado a prisão preventiva por mais três meses aos sete arguidos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Depois do Supremo Tribunal de Justiça ter recusado há duas semanas a libertação de Pedro Grancho Bourbon, advogado indiciado de ter sido o mentor do plano de rapto do empresário bracarense desaparecido desde maio, o Tribunal da Relação de Guimarães de Guimarães rejeitou agora os recursos apresentados pelos sete detidos, todos indiciados ainda por sequestro, homicídio premeditado e profanação de cadáver.

Rodrigo Santiago, advogado de Pedro Grancho Bourbon, pediu ao Supremo a libertação imediata do ex-representante legal e amigo de João Paulo Fernandes alegando prisão ilegal, adianta o "Correio da Manhã". Ainda a aguardar a acusação do Ministério Público, Pedro Bourbon encontra-se detido na cadeia anexa à Polícia Judiciária do Porto, tendo sido o único suspeito a prestar declarações no primeiro interrogatório judicial, em finais de maio.

Os dois irmãos do advogado bracarense, suspeitos de terem participado no crime, mantêm-se na cadeia de Braga, enquanto os restantes arguidos ficaram detidos no estabelecimento prisional de Custoias, em Matosinhos. Após a detenção Pedro Boubon negou todas as acusações, tendo os outros seis arguidos, entre os quais se conta António Emanuel Paulino, ervanário conhecido por Bruxo da Areosa, amigo de infância dos três irmãos de Braga, optaram por manter um pacto de silêncio.

O empresário bracarense, de 41 anos, terá sido assassinado poucas horas depois de ter sido raptado, na presença da filha de oito anos, à porta de casa da ex-mulher, em Lamaçães. A PJ não descarta os indícios de que o corpo poderá ter sido decomposto com ácido sulfúrico, substância encontrada durante as buscas na garagem de um dos supostos executantes do crimes, em Gondomar.

Ligações perigosas

Na origem deste caso macabro estará uma operação fictícia de desvio de bens no valor de quase dois milhões de euros do pai de João Paulo Fernandes, Fernando Martins Fernandes, que após ter visto declarada a insolvência de duas empresas de construção civil recorreu aos serviços de Pedro Grancho Bourbon, por intermédio do filho. Através de um esquema fraudulento de desvio de 19 imóveis da família Fernandes, os irmãos Bourbon criaram uma empresa de fachada, a Monahome, que começou a vender o património sem contrapartidas para Fernando Martins Fernandes.

Ainda antes da desavença com o seu antigo advogado, também João Paulo Fernandes terá recorrido aos serviços de Pedro Grancho Bourbon quando viu a sua empresa de climatização, a Climalit, ser declarada insolvente em 2013, com dívidas de 3,6 milhões de euros. Logo que o filho foi raptado, o pai apontou o seu ex-advogado como o provável mandante do crime, queixando-se que ele lhe teria ficado com o património e o dinheiro da suposta venda.

João Martins Fernandes e o filho apresentaram há dois anos e meio uma queixa ao Ministério Público contra o advogado, mas foi entretanto foi arquivada depois do advogado ter supostamente apresentado comprovativo do pagamento dos imóveis por quase um milhão de euros. Ao que o Expresso apurou junto de fonte próxima do processo, o Tribunal Cível de Braga mantinha, contudo, em aberto, na altura do rapto, um processo para reverter a venda do património, onde a vítima de homicídio figurava como principal testemunha.

João Paulo Fernandes, de 42 anos, e a restante família foram nos últimos anos confrontados com ameaças de agressões, situação que levou os pais e um irmão a viverem durante um tempo na Madeira.

Os três irmãos Boubon e Emanuel Marques Paulino eram filiados no PDR, tendo sido expulsos do partido após as detenções.

  • Brigada de Combate ao Banditismo da Judiciária do Norte está a efetuar buscas domiciliárias e a um escritório de advogados bracarenses, depois de ter detido esta manhã, na zona do Grande Porto e em Braga, vários suspeitos de envolvimento no rapto e possível morte do empresário João Paulo Fernandes, desaparecido desde 11 de março