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Miguel Guimarães é candidato a bastonário da Ordem dos Médicos

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Presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos e urologista do Hospital de São João apresentou, esta segunda-feira, a candidatura a bastonário para o triénio 2017-2019. Aos 54 anos, Miguel Guimarães propõe-se exercer o cargo de corpo e a tempo inteiro na defesa de uma política de saúde centrada nas pessoas, sem servir interesses partidários

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Miguel Guimarães, líder do Conselho Regional Norte da Ordem dos Médicos desde 2010, apresentou, hoje, na Faculdade de Medicina do Porto a candidatura a sucessor de José Manuel Silva, após “largos meses de reflexão” e depois de o bastonário da Ordem dos Médicos ter decidido não se recandidatar nas eleições de 19 de janeiro de 2017.

Licenciado em Medicina em 1987 pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o especialista em Urologia e médico do Hospital S. João afirma que se irá lançar na nova caminhada com um objetivo fundamental: assegurar aos médicos, independentemente de trabalharem no setor público, privado ou social, a “dignidade, o respeito e o valor que merecem na sociedade, mas que a pressão do poder político e económico se tem esforçado por diminuir”.

No discurso de candidato a bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães garantiu que irá defender os médicos das más condições de trabalho, das consequências negativas da falta de recursos técnicos e equipamentos, da falta de capital humano, das crónicas disfunções informáticas e “das imposições absurdas do poder político na relação médico-doente”. Combater o trabalho sem remuneração apropriada e sem o devido respeito são outras das promessas do médico que diz não gostar de deixar projetos a meio, razão porque se propõe exercer o cargo de bastonário a tempo inteiro.

Miguel Guimarães lamenta que no século XXI ainda quem veja os dirigentes da Ordem dos Médicos como “uma espécie de mangas-de-alpaca”, elogiando o trabalho desenvolvido pelo atual bastonário. “José Manuel Silva foi um bastonário virtuoso, que recuperou o prestígio público da instituição e um parceiro ativo para o setor da saúde em Portugal”.

Na opinião de Miguel Guimarães, o papel da Ordem nos últimos anos merece o reconhecimento da generalidade dos médicos, mas gerou muitos “incómodos na classe política, que procurou menorizar a sua capacidade de intervenção, apodando-a de sindicalista e de contrapoder”. Para o dirigente do Conselho Regional do Norte, a ordem não foi nem quer que seja contrapoder, embora deixe claro que “nunca poderá ser uma entidade controlada por partidos políticos ou ao serviço de interesses instalados e lances de carreira”.

Sustentando que não há novos mandatos sem novos projetos, o clínico adianta que a sua candidatura tem por base seis eixos prioritários: a relação médico-doente, a qualidade da medicina, a valorização profissional, a solidariedade interpares, a organização da instituição e a política de saúde. Miguel Guimarães lembrou, hoje, que esta tem sido a matriz da sua intervenção há anos, não tendo descoberto “no último mês a urgência de humanizar os cuidados de saúde”.

A redução das listas de utentes por cada médico de família e minimizar a sobreposição de tarefas impostas aos médicos são outras das suas reivindicações, alertando o Ministério da saúde que não se pode querer uma medicina de hoje com equipamentos e computadores da década passada.

Outra das funções que quer para a Ordem é adequar o numerus clausus em Medicina às capacidades formativas existentes no país e travar a possibilidade de abertura de mais cursos de medicina públicos ou privados, “mercantilizando o acesso à formação e ao mercado de trabalho, como em outras profissões de saúde e com resultados desastrosas”.

Para apoiar a formação médica, o candidato a bastonário defende a criação de uma bolsa específica para os internos de especialidade, bem como de um fundo de apoio à formação especializada contínua. Miguel Guimarães sublinha estar disponível para apoiar projetos das secções regionais que visem a criação da 'Casa do Médico'.

Em termos de política de saúde, Miguel Guimarães diz que, sendo esta da responsabilidade do Ministério da Saúde, a Ordem não abdicará de uma intervenção mais direta em matérias de autorregulação ou de escrutínio do poder político. “Defendo uma política de saúde centrada nas pessoas, que respeite e valorize os profissionais de saúde, e que não se escude nos números e nas finanças para encobrir a incapacidade de planeamento, organização e financiamento”, adianta.

Miguel Guimarães apresenta como mandatário nacional da sua candidatura Carlos Ribeiro. A mandatária da Região Norte é Maria Amélia Ferreira e Edson Oliveira é mandatário jovens médicos.

Álvaro Beleza, clínico do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, também já anunciou que pretende candidatar-se a bastonário da Ordem dos Médicos nas eleições de 19 de janeiro.