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A Canastra e a Caixeira: duas amigas unidas pelo crime e pelo mesmo amante

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ILUSTRAÇÃO Retrato-robô de Maria Alves e Maria Amélia

ILUSTRAÇÃO joão roberto

Esta é a história de Maria Alves e de Maria Amélia, amigas inseparáveis na atividade criminosa e nos amores pelo mesmo Romeu. Ficaram conhecidas pelas alcunhas “Canastra” e “Caixeira”, foram presas mais de 40 vezes ao longo da sua vida e enganaram vítimas e polícias com as suas inúmeras identidades falsas e falinhas mansas. Este é o terceiro capítulo da segunda temporada da série “Crime à Segunda”

Anabela Natário

Anabela Natário

texto

Jornalista

João Roberto

João Roberto

ilustração

Motion designer

A história de Maria Alves, “a Canastra”, só se consegue contar juntando-lhe a de Maria Amélia, “a Caixeira”, e vice-versa. Durante perto de uma vintena de anos, as duas mulheres viveram juntas, amadureceram, protegeram-se, zangaram-se, viajaram pelo país, enganaram a polícia, partilharam alegrias e tristezas, furtos e roubos, dinheiro, celas de prisão e… o mesmo amante.

A Canastra e a Caixeira… É mais fácil designá-las pelas alcunhas, já que se diziam uma Maria diferente cada vez que lhes perguntavam o nome — Maria Rosa, Maria Amália, Maria Lopes, Maria da Conceição, só para mencionar alguns. Maria Alves e Maria Amélia são, no entanto, os mais usados pela polícia, pelos jornais e livros, quando se referem às “gatunas amigas” que se conheceram contavam pouco mais de 20 anos de idade, portanto, antes de 1888, data em que começaram a somar inscrições no livro negro da polícia civil e no registo criminal.

A Caixeira, nascida em 1865, no concelho de Cantanhede, foi para Lisboa acompanhar o marido, transferido da cadeia local para a do Limoeiro. O nome do dito nunca surge, é referido como sendo “um homem manchado de crimes” ou por ter praticado um “crime grave” e estar a aguardar a decisão do Supremo Tribunal quanto à pena de prisão maior dada pela primeira instância. Mas dá-se a conhecer que só esperou uns meses para ver a sentença confirmada e ser transferido para a prisão celular, o mesmo período de tempo que a mulher levou a passar de vendedeira de fruta a prostituta.

Como acontecia com outras mulheres a quem o governo pagava as passagens para Lisboa para ficarem mais perto dos maridos prisioneiros, a Caixeira instalou-se em frente à cadeia, no Pátio do Gama - ou, entre o povo, o Pátio do Carrasco, título que ainda hoje ostenta esse espaço entre prédios, cujo acesso é um portão no recanto do Largo do Limoeiro. O nome popular dever-se-á ao facto de ali ter morado o último “executor de justiça”, tido como o homem que enforcou os assassinos Diogo Alves e Matos Lobo, os últimos a sofrer a condenação à morte em Lisboa, mais de 20 anos antes da abolição da pena capital. Foi nesta “lura infeta, caverna de Caco [filho do Deus do Fogo Vulcano e de uma mortal, na mitologia romana] e alfobre de larápios”, como é definida na Galeria dos Criminosos Portugueses Célebres, em 1899, que as raparigas se conheceram.

A Canastra, de dados ainda mais nublosos, talvez um pouco mais velha, foi a mestre da amiga, pelo menos no que respeita à arte de surripiar artigos, encaixando-os debaixo dos braços, bem disfarçados pelo xaile, ou não fosse ela também conhecida por “rainha das ladras de sovaco” ou, mais simplesmente, por “rainha das sovaqueiras”. A amizade representou o passo decisivo para que a Caixeira deixasse a prostituição clandestina, o seu sustento juntamente com o roubo de clientes incautos, e passasse a dedicar-se a tempo inteiro à indústria do furto e roubo. E com sucesso, embora em 1899 tanto uma como outra já somassem mais de uma trintena de detenções por furtos, vadiagem, desordens e injúrias.

Talvez a Canastra, antes de ter esta alcunha por andar na venda de porta a porta, fosse a jornaleira de Coimbra de nome Maria Mendes (anos mais tarde, de uma das muitas vezes em que será detida, aparecerá como Maria Rosa Mendes), degredada em 1884 para Angola, com uma pena de três anos por ter furtado objetos de ouro, carne de porco e chouriço, no valor de 373 mil réis, uma quantia razoável se atendermos ao ordenado de um polícia, seis anos mais tarde (cerca de 12 mil réis por mês, depois de deduzidos os descontos para fardamento, caixa de reformas, imposto de rendimento e adicionais).

A descrição que dela, Maria Mendes, dá a professora universitária Selma Pantoja, em “A diáspora feminina: degredadas para Angola no século XIX (1865-1898)”, condiz com a personagem. A Canastra também tem cabelos castanhos claros e olhos azuis e foi condenada por furto a uma pena de degredo, provavelmente no ano de 1884, já que a reforma do Código Penal nessa data, como refere a historiadora, tende a aplicar a expulsão temporária para as possessões ultramarinas portuguesas como punição alternativa.

A Canastra pode muito bem ter nascido na região centro do país, talvez até tenha sido isso que a uniu tanto à Caixeira. Aliás, a dada altura, demasiado conhecidas em Lisboa, irão ambas morar para a cidade dos estudantes. E “trabalharam” no comboio de domingo, que transportava os operários entre Coimbra e Lisboa, até serem apanhadas na estação de Santa Apolónia, no dia 5 de outubro de 1890, “não por o que fizeram, no momento de serem capturadas, mas por o que têm feito”, como se lê no jornal “O Século”.

RECORTE. Artigo do jornal “O Século” com a notícia da prisão das amigas no ano do Ultimato Inglês

RECORTE. Artigo do jornal “O Século” com a notícia da prisão das amigas no ano do Ultimato Inglês

“Estes dois exemplares, únicos no seu género, merecem, pela sua originalidade, serem descritas. A Caixeira e a Canastra são muito amigas e tão amigas são que têm por amante um só Romeu. Não se limita aqui a originalidade. Têm ambas dado à luz o fruto daqueles amores e, alternadamente, servem mutuamente de parteiras”, contou “O Século” quando a polícia as apanhou a descer do chamado comboio-operário, no ano do Ultimato Inglês. Neste período, foram presas por furto 84 mulheres e 746 homens, no conjunto, o número mais alto verificado em cinco anos, entre 1888 e 1892.

Com a garantia do diretor da “Galeria de Criminosos” Santos Júnior, a cena que a seguir se conta “pode parecer fantástica a muitos dos nossos leitores, mas afirmamos-lhes que é desgraçadamente verdadeira, e mais ainda, que é desgraçadamente o símile de muitas outras que aí se dão, não somente nas baixas camadas da sociedade, mas até nas outras”.

“Por vezes, o aguilhão do ciúme estimulava a Canastra e davam-se então os espetáculos mais degradantes, em que a obscenidade da palavra, a descompostura do gesto, as unhas, as mãos e os pés em ação, os cabelos arrepelados e soltos ao vento divertiam e escandalizavam talvez os outros moradores das pocilgas do Pátio do Carrasco. Tudo, porém, serenava após a explosão da tempestade; momentos depois, a vida comum continuava da maneira anterior, as duas odaliscas despiam a máscara de megeras e cada qual se esforçava por merecer as boas graças e ternos carinhos do sultão, que via os touros de palanque, como quem diz que lhe eram indiferentes aquelas fúrias, certo de as chamar em breve tempo a bom caminho.”

Curiosamente, o nome do “sultão” nunca é mencionado, apesar de viverem os três debaixo do mesmo teto e partilharem filhos, segundo o jornal “Século” (o único a mencionar tal facto), além de terem sido presos várias vezes, especialmente quando resolveram fazer uma digressão pelo país e, por meterem a mão em algibeiras alheias, foram obrigados a visitar as prisões de Santarém, Salvaterra, Benavente, Setúbal…

Encontros desagradáveis...

Um dia andavam as duas pela cidade do Porto quando um polícia da capital, que se deslocara ali em serviço, as topou na passeata pela rua de Santo António, que com a implantação da República há de chamar-se 31 de Janeiro, com o Estado Novo voltará ao santo e com o 25 de abril de 1974 retomará o nome de homenagem aos “vencidos da revolução republicana”, aos participantes na primeira tentativa de transformar a monarquia numa República, os quais, depois de a proclamarem na varanda da Câmara Municipal, foram derrotados pelas tropas do rei, ao subirem a rua com o objetivo de tomarem o telégrafo e o quartel-general.

Pela data em que estas “manas” tiveram o encontro, estariam a ser libertados, graças a uma amnistia para presos políticos, alguns dos 250 civis condenados por se terem revoltado, contra o rei e à cedência ao Ultimato Inglês, em 1891, meses antes da assinatura do Tratado de Lisboa, em que Portugal “cedeu à Inglaterra vastos territórios africanos”, enterrando-se “numa crise financeira de que resultou a bancarrota parcial (declarada em Julho) e a subsequente estagnação do crescimento económico”, como refere Manuela Rego, em “1908, Do Regicídio à Ascensão do Republicanismo”.

Boas memórias da passeata pela rua de Santo António também não terão as duas Marias. Apesar de o encontro com o agente da autoridade ter parecido um encontro de amigos. O polícia abordou-as, perguntou-lhes o que andavam ali a fazer e levou resposta pronta: “Andamos a trabalhar, visto que vocês não nos deixam mexer à vontade lá por Lisboa”. Em tom de cumplicidade, o homem retorquiu: “E a polícia?”. A Canastra repete a interrogação, alicia-o com um tecido cortado para fazer calças, era só esperar uns cinco minutos. “Não tem mais que pedir por boca”, disse elucidando-o, mais ou menos assim: “Os caixeiros daqui estão ainda muito tapados para conhecer o nosso modo de trabalho. Estamos aqui há cinco dias e já não há casa de prego da idade que não tenha fazendas às nossas ordens. Quer ou não quer o corte de calça?”.

Elas tinham a sua tática, que a Canastra resolveu revelar ao polícia lisboeta quando este, depois de recusar a oferta, lhes perguntou como faziam para não serem presas. “Nunca vamos as duas empenhar as coisas que roubamos. Uma vez vou eu, outra vez vai esta. Nunca vamos duas vezes à mesma casa de penhores”, disse ela, enquanto a Caixeira permanecia sem dizer palavra. Sentia-se tão à-vontade que à despedida aproximou-se do agente e, baixando o tom, ainda lhe disse: “Olhe lá, veja agora se vai assoprar isto que lhe cantei agora”.

É claro que o polícia, talvez o Antunes ou o Miguel que sabiam de cor a “folha corrida” de ambas, que é como se referiam ao cadastro dos criminosos, foi contar o que acabara de ouvir da boca da mestre ladra. No dia seguinte, acabou-se-lhes o reinado, “as duas estavam filadas e fotografadas”. A sorte foi terem dinheiro para pagar a fiança, uma espécie de taxa de libertação de pequeno montante que evitava a permanência na cadeia até o suspeito ser presente ao juiz, habitualmente uma quantia mais baixa para os reincidentes do que para os estreantes.

Louvado seja Deus (a descoberta das libras)

Libertadas no Porto, esqueceram a obrigação de se apresentarem ao juiz e rumaram a Lisboa. Em três tempos, a Canastra volta a ser presa por furto, desta feita de um lenço de malha de lã numa loja do largo do Conde Barão. Gertrudes, uma apalpadeira das mais antigas ao serviço da polícia, havia de encontrar o lenço entre as saias da Canastra. Antes, porém, deu com um xaile arrumadinho à cintura, um xaile que fora surripiado numa loja situada no Livramento, para os lados do Palácio das Necessidades, por esta época ocupado pelo rei dom Carlos, que sucedeu ao pai dom Luís, em 1889.

Apostados na descoberta, os polícias Antunes e Miguel resolveram fazer uma busca a casa da mulher que acabavam de deter. Numa vista geral parecia não haver nada a apontar, mas… “Ouça cá, vossemecê dá cá em casa colégio de meninos?”, perguntou-lhe o polícia mais experiente, olhando para os quatro ou cinco banquinhos de madeira, novos, ali na sala de entrada. “Ora essa! Porque me faz essa pergunta, senhor Antunes?”, retorquiu a Canastra, sorrindo, fazendo menção de os levar dali.

O polícia, preparando-se para impedir a fuga dos bancos, ainda a elucidou: “Ora, porque estes bancos são novos e parecem feitos para um colégio”. Diz-lhe a famosa larápia, começando a pegar nos bancos em direção a um quarto interior: “Deixe-se disso, senhor Antunes”. Mas o polícia não se deixou ir na cantilena, examinou um dos assentos e descobriu-lhes um fundo falso. Todos possuíam tal esconderijo, “verdadeiro armazém de fazendas”.

Enquanto isto, o agente Miguel fazia revista à roupa que estava pendurada, examinando bolsos e bainhas. E encontrou, “ocultas no rodapé de uma saia, nada menos que nove libras autênticas, em bom ouro inglês”. Perante a descoberta, a Canastra desabafa: “Louvado seja Deus! Nem os lenços escaparam nos bancos nem as libras nas saias! Tinha esse dinheiro oculto às vistas do meu homem, vem vossemecê e leva-mo!”.

“Agora aqui sou rainha”, disse a Canastra entrincheirada no balcão da taberna

A dada altura, presume-se que já perto do final do século XIX, a Canastra agarrou uma oportunidade e deixou as ruas para se dedicar à gerência de uma taberna no bairro de Alfama, no Largo de Santo Estêvão, de onde se continua a ter uma das panorâmicas mais bonitas da cidade de Lisboa. Escusado será dizer que eram os seus habituais amigos e conhecidos que ali faziam despesa, daí que a autoridade resolvesse fazer-lhe uma visita. Foi o princípio das muitas que lhe acabaram com o negócio.

Ao ver os dois polícias seus conhecidos, apressou-se a fechar a portinhola do balcão. “Agora aqui sou rainha. Vocês não entram aqui sem chamar o juiz de paz, e se entrarem, apito sobre vocês”, atirou-lhes. “Não se incomode, apito eu”, respondeu-lhe o agente Miguel soprando o apito “como um desesperado”, até que chegaram outros polícias na certa, já que o instrumento de som servia para isso mesmo, de alerta à autoridade.

Estes episódios são contados nos fascículos da “Galeria dos Criminosos Célebres em Portugal”, pouco depois de mais uma detenção das duas amigas do alheio. Foi a 29 de setembro de 1899, a notícia saiu nos jornais com o título “Canastra & C.ª”. A razão? O furto de uma porção de flanela no valor de cinco mil réis. Desta vez, elegeram o estabelecimento de fanqueiro, na rua da Princesa, que em 1910 passou a chamar-se rua dos Fanqueiros, dada a concentração de lojas de tecidos de linho, algodão, lãs e afins.

Passados cinco anos, os jornais dar-lhes-ão ainda mais destaque. Uma ovarina aparece morta numa azinhaga em Lisboa. Tratou-se de um caso que apagou por um longo período as notícias da investigação ao regicídio perpetrado no mês de fevereiro e que resultara na morte de dom Carlos e do príncipe herdeiro Luís Filipe. A miúda de 14 anos andava a vender peixe quando foi estrangulada e roubada. A polícia ficou “às aranhas”, as suspeitas recaiam, dizia-se, sobre duas conhecidas gatunas, muito amigas.

RECORTE. Jornal “A Vanguarda”, notícia de 1899 sobre “Canastra & Ca.”

RECORTE. Jornal “A Vanguarda”, notícia de 1899 sobre “Canastra & Ca.”

Dias depois, a 5 de agosto de 1908, a Polícia Judiciária enviou um telegrama para todas as autoridades do país requisitando a captura das “célebres gatunas a Canastra e a Caixeira”, como as designa o “Diário Ilustrado”, acrescentando: “Não há, rigorosamente, suspeitas sobre elas, mas como são carteiristas e gatunas atrevidas, o interrogá-las sempre é bom”. Pela mesma razão, já se encontrava presa Maria Rosa, a Giraldinha, e será levada a tribunal a sua amiga Josefa Colares, no final de tudo ilibada da acusação de cumplicidade no assassínio.

“A polícia segue agora a pista das duas célebres gatunas a Caixeira e a Canastra, que moram para os lados da Graça e que são mestras em roubos de objetos de ouro às crianças, tendo por costume andarem de xaile e lenço, sendo a Caixeira alta, feia e forte. Estas duas gatunas foram vistas em casa [da vítima], rua do Cardal, à Graça, e Travessa do Olival, no dia do crime e desapareceram depois. Têm por uso e costume praticar furtos em Lisboa e irem depois para a província vender os objetos roubados”, escrevia a “Vanguarda” no dia 6 de agosto, baseando as suspeitas na descrição de testemunhas que viram uma mulher fugir do local do crime.

A Canastra foi presa no Porto, um dia após o alerta da polícia; muito embora se dissesse que tinha ido para a cidade invicta para tentar vender o produto do roubo, foi libertada logo após ter sido ouvida e a polícia concluir que não estava envolvida no estrangulamento. A Caixeira, apesar das ovarinas afirmarem terem-na visto na morgue, enrolada num xaile negro, e ouvido comentar que seria difícil descobrir o autor do crime, custou mais a ser encontrada, mas também não foi implicada no assassínio de Maria dos Anjos. Por outras razões, terá ficado mais tempo encerrada no Aljube, onde o médico António Augusto Mendes Correia, numa das visitas que efetuou à cadeia a encontrou, antes de ser condenada ao degredo e encontrar a morte em África.

Conhecendo-lhe a história e estando a escrever o livro “Os criminosos Portugueses”, a ser publicado em 1913, o estudioso de antropologia criminal Mendes Correia refere-a como um dos exemplos da prática de crimes “por cópia e mero psitacismo”, já que “o fenómeno dá-se especialmente nas mulheres”. “As prostitutas copiam-se mutuamente os seus gestos mais inconvenientes e condenáveis. Conheço gatunas que tomaram por tipo uma hábil larápia e procuram imitá-la nos seus processos.” Mendes Correia, resumindo o caso de a Caixeira, que “teve por principal professora a Canastra”, lembra que estas travaram relações no Pátio do Carrasco e, “a despeito da sua boa conduta anterior, logo a imitou e se industriou na prática do crime, em que veio a adquirir foros de profissional exímia”.

Em 1932, quando “parece que já lá vai o tempo das ladras célebres e gatunas de respeito que tinham tanta fama e tão triste nome em Lisboa”, o repórter de crime Eduardo Fernandes Esculápio lembra na revista “ABC” as “duas gloriosas sucessoras da Giraldinha”, a ladra mais famosa do século XIX. “Ambas constituíam uma razão social, uma ‘pareja’, como dizem os espanhóis e, inseparáveis, cometeram os mais descarados roubos, tendo também um cadastro de muitas prisões.”