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Saiba onde comer, tomar um copo e “outras cenas” em Braga

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O Convento do Carmo, situado no centro de Braga, entre a Igreja do Carmo e o Mercado Municipal, preserva um ambiente de refúgio acolhedor

Rui Duarte Silva

Conhecida desde o Império Romano como Bracara Augusta, a cidade dos arcebispos reinventa-se constantemente. É um manancial de tradições, sabores e animação. O Expresso deixa-lhe cinco sugestões para uma experiência sensorial rica e diversificada. Há restaurantes, bares, hamburguerias artesanais e muito mais.

Quando a dificuldade aguça o engenho

d.r.

A ideia surgiu em 2014, quando Anabela Silva ficou desempregada e, juntamente com o marido Pedro Mesquita, consultor de vinhos, decidiu criar o “Tábuas, Copos e Outras Cenas”. São de Guimarães, mas as rivalidades regionais pouco importam numa casa onde tudo se harmoniza. “O nome faz sorrir. A ideia foi essa”, conta Anabela acerca do conceito do espaço. Nesta casa, o cliente dispõe de uma variada oferta de tábuas com enchidos e queijos portugueses e para acompanhar uma refeição ligeira – mas completa – opte pelo vinho a copo ou uma cerveja. Os produtos nacionais cruzam-se com ingredientes e ideias provenientes de outras latitudes e é aí que entram as “outras cenas”. Há os montadinhos de cavala com broa de Avintes (4€), o carpaccio de bacalhau fumado (6€), a bruschetta de queijo de cabra, presunto e mel (3,5€), o salmão com requeijão, o polvo à galega ou os cogumelos salteados com tomate e queijo parmesão. “O mundo não é isto. O mundo é bué cenas, não é só o que está à frente”, já dizia o humorista Bruno Nogueira e esse bem podia ser o lema da casa. Entrar neste espaço descontraído e familiar é explorar um universo de sabores.

TÁBUAS, COPOS E OUTRAS CENAS Rua D. Gonçalo Pereira, 54. Braga. Tel. 936 706 108. Terça a sábado das 16h às 23h

Paladares com sotaque

lucília monteiro

Sem sair da mesma rua, a dança pelos sabores de Braga prossegue e o Bira dos Namorados é paragem obrigatória. O estabelecimento funciona como uma hamburgueria e pregaria artesanal, mas é também um espaço para venda de produtos regionais. Este Bira – com pronúncia do Norte – começou a ser dançado em julho de 2014 por Mariana Marques e Diogo Carvalho. Ela é licenciada em Gestão. Ele em Administração Pública. A restauração foi um desafio novo para ambos, mas rapidamente aprenderam os passos do negócio. Todos os hambúrgueres e pregos servidos nesta casa muito minhota e tradicional, com capacidade para mais de 70 pessoas, têm nomes de danças tipicamente portuguesas. Os hambúrgueres com mais saída são o “Malhão”, com queijo minhoto, (6,95€) e o “Machadinha”, com alheira grelhada e cebola frita (6,75€). Para os mais arrojados, há o “Bailinho”, com banana caramelizada, queijo da ilha e bacon, trazendo até Braga os sabores insulares. Relativamente aos pregos, “Dança da Roda” (7,5€) é o que mais se pede, mas há também o “Fandango” (6€) ou a “Braguesa” (7€). A decoração é pautada por cores intensas e primárias. A ornamentação assenta na reutilização de produtos, tal como paletes, bidons ou canecas antigas.

BIRA DOS NAMORADOS Rua Gonçalo Pereira, 85. Tel 253 039 571.
Segunda das 19h30 às 24h; terça a sexta 12h/15h e 19h30/23h; sábado 12h30/15h e 19h30/23h)

Petiscar Portugal

d.r.

Numa antiga loja de antiguidades nasceu a “Dona Petisca”, pitoresca e acolhedora, concebida por Susana Carvalho e pela irmã, que sempre teve jeito para a cozinha. Localizado numa rua movimentada, especialmente à noite, o estabelecimento veio suprir uma falha na oferta de petiscos. Em junho de 2015, “Dona Petisca” mostrou-se à cidade e tem como cartão-de-visita as tábuas de enchidos e queijos de origem portuguesa e oriundos de várias regiões do país. A mais pequena, de 25 centímetros, fica por 15 euros, a intermédia, com meio metro, custa o dobro e a tábua mais completa – com um metro! – tem o preço de 45 euros. “A ideia é termos um pouco de Portugal numa só tábua”, explica Susana. As tábuas sortidas são bastante “generosas”, descreve, pois vêm sempre acompanhadas com bolinhos de bacalhau, pataniscas, fruta e compotas caseiras. A juntar a isto, há ainda as sandes (com preços que oscilam entre os 3 e os 4,5 euros), onde se destacam diversas variantes regionais da bela bifana portuense. Há a bifana nortenha, a da Beira, a transmontana, a alentejana e a algarvia. O difícil é mesmo escolher!

DONA PETISCA Rua Dom Paio Mendes, 32. Tel 253 052 480
Terça a sábado 12h/15h e 18h/ 24h; domingo 18h/23h

Memórias conventuais

Rui Duarte Silva

Foi em 2014 que o arquiteto Pedro Moura e a socióloga Sílvia Moura deram uma nova e fulgurante vida a um convento que já tinha pertencido à Ordem dos Carmelitas, albergado o antigo Hospital Militar e, entre 1910 e 1994, morada do Colégio de Dublin. O Convento do Carmo, situado no centro, entre a Igreja do Carmo e o Mercado Municipal, preserva um ambiente de refúgio acolhedor. É possível almoçar, jantar, petiscar e tomar um copo entre amigos. Para quem for um bom garfo, neste convento presta-se tributo ao Frango Conventual, ao inevitável bacalhau ou à “Coxa de Pato à Convento”. Para acompanhar a refeição, pode optar pelo vinho a copo ou pela vasta variedade de cervejas, desde as mais reputadas às mais artesanais. No entanto, o prato forte no Convento do Carmo é outro. Com a gerência de Pedro e Sílvia o espaço tornou-se num importante polo criativo de Braga. Possui uma sala de espetáculos, uma galeria e apresenta uma programação multifacetada. Atualmente está fechado para férias, mas este santuário artístico na cidade dos arcebispos reabrirá brevemente.

CONVENTO DO CARMO Travessa do Carmo, 16. Tel 929 255 229.
Terça a quinta 18h/02h; sexta e sábado até às 06h

O segredo está na mistura

d.r.

Para fechar a noite numa cidade onde a tradição e irreverência se mesclam, nada como visitar o bar “Destilado” onde as misturas são palavra-chave, desde as bebidas até aos géneros musicais. “Sair para um copo é uma experiência que reflete um estilo de vida. No Destilado, elevar a sua experiência de beber é o nosso desiderato”, este é o lema do espaço gerido por Simão Vilaverde, de 33 anos. Com uma experiência de vários anos como barman, Simão decidiu abrir esta casa de diversão noturna com capacidade para garantir a animação de, aproximadamente, 40 pessoas. A decoração é sóbria mas aconchegante, clássica mas com toques de modernidade. Lá está, as misturas estão sempre presentes num espaço bastante eclético, onde sonoridades como o rock, o funk e o soul têm lugar cativo, mas onde é possível ouvir também jazz ou blues. O “Destilado” conta com uma oferta ampla e interessante de gins. Além disso, há a habitual caipirinha (5€), whiskies premium e bebidas mais exóticas como o pisco, o mezcal e a tequila.

DESTILADO Rua D. Afonso Henriques, 33. Tel 933 923 425.
Segunda, quinta e domingo 17h/24h; sexta e sábado 17h/2h

SUGESTÕES: entre mercados e música

Parque da Cidade em ritmo sunset

O maior parque urbano do país é o palco de mais uma edição do Aquaporto, evento organizado pelas Águas do Porto na zona envolvente ao Pavilhão da Água e que tem este ano como grande novidade vários concertos em formato sunset. Amanhã, sábado 1 de outubro, Dia Mundial da Música e Dia Nacional da Água, sobe ao palco o pianista e compositor Mário Laginha, concerto durante o qual será projetado um filme do artista plástico Pedro Huet. A festa prolonga-se até domingo ao som de Luís Bettencourt, do coro pBp, do Quinteto de Jazz do Conservatório de Música do Porto, dos Retimbrar, do saxofonista Bruno Soares e o grupo de rap NEXUS. O evento contará ainda com iniciativas de animação, arte e ciência.

Parque da Cidade, Porto

Arte e modas solidárias

A sede do Espaço, associação portuense de combate à exclusão social através da criação artística, volta a abrir as portas a um mercado solidário de venda de produtos gourmet, vinhos, vestuário de várias marcas portuguesas, peças de arte e de decoração de designers nacionais e estrangeiros. No Mercado de Vilar, as receitas da venda de todos produtos revertem a favor do Espaço T, encontrando-se a mostra disponível ao público sábado e domingo, entre as 10h e as 19h.

Rua do Vilar, 54, Porto

Braga mais criativa

Chama-se BRG Collective e junta António Rafael e Miguel Pedro (guitarrista e baterista dos Mão Morta) a Luís Fernandes (Peixe: avião) e à pianista Joana Gama. No entanto, o coletivo é mais extenso e a sua atividade não se restringe apenas à música, procurando estimular o cruzamento artístico e criar pontes de intervenção. Ao quarteto de músicos alia-se o artista digital João Martinho Moura e o fotógrafo Manuel Correia. Durante o fim de semana, 1 e 2 de outubro, pelas 21h30, o Theatro Circo receberá o primeiro encontro deste coletivo interartístico, no momento em que Braga prepara a candidatura a Cidade Criativa da UNESCO para as Media Arts.

Theatro Circo, Av. da Liberdade, 697, Braga