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Oslo: o calor de uma cidade fria

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A tecnologia torna tudo mais simples numa cidade de natureza rica e de experiências magníficas

Pode pensar-se que a capital da Noruega é uma cidade fria, onde é complicado passear e deleitar-se num bom parque ou mesmo numa pequena esplanada. Nada mais errado. Os nórdicos sabem de facto o que fazem e viver bem e confortavelmente é um dos seus grandes prazeres. E passa a ser o nosso, visitantes de um universo construído para dele tirarmos o que há de melhor. A tecnologia alia-se à simplicidade e a vida em Oslo flui quase sem darmos por ela.

Foto 2

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d.r.

A cidade não é grande. Os transportes públicos são sempre pontuais e muito frequentes. Em muito pouco tempo conseguimos percorrer a maior parte dos quarteirões mais apetecíveis e melhor podemos perder-nos por lá. Uma das primeiras visitas e talvez das mais prolongadas a fazer é à enorme Opera House (foto 1), um projeto de arquitetura ímpar, levado a cabo por um dos ateliês líderes do mercado internacional, o Snøhetta, que inclui um gabinete de design topo de gama. Não só toda a construção da ópera é absolutamente deslumbrante, caracterizada pela união da engenharia ao desenho artístico e à experimentação, como é também um autêntico parque de diversões. O teto do edifício cola-se ao chão e o desafio é subi-lo a pé, de patins ou de esquis, conforme a estação do ano. Lá em cima a vista sobre uma imensa baía, dentro do Fiorde de Oslo, uma região privilegiada pela riqueza natural, rodeada de florestas, lagos e ilhas. Nada que se possa perder numa passagem por aquelas paragens.

d.r.

A mesma máxima deve ser adotada para os gigantescos portos, onde agora os barcos de recreio ocupam cada vez mais espaço à grande e tradicional indústria náutica de Oslo. Uma nova baía nasceu há menos de dez anos e com ela uma vida noturna, onde os restaurantes e os bares têm todo o protagonismo. Mas, neste capítulo, mais vale o regresso ao centro da cidade. Ruas estreitas, aquecimentos em cada esquina, muita animação e uma hospitalidade sem nada a apontar. Como curiosidade quase obrigatória, o Ice Bar de Oslo (foto 2), feito de gelo, obviamente e como o nome indica, obriga-nos a vestir aqueles fatos muito quentes e impermeáveis para perscrutar os segredos do frio com um copo de vodca quente na mão e muitas luzes fluorescentes à mistura. É engraçado, sim, mas a experiência em Oslo sobe de tom depois de visitarmos o histórico Engebret Café (foto 3). Uma verdadeira instituição na cidade. Sofisticado, elegante, delicado, o café mais famoso da cidade serviu de abrigo a nomes como Ibsen, Grieg ou Munch, e conserva aquele ambiente solene da criação artística. De resto, o Engebret é também, desde 1800, o café dos atores e das atrizes que o reclamaram para si naquela zona tradicional de Bankplassen.

Continuando pela capital da Noruega adentro, o ideal é deixar-se ir ao sabor das energias. Há o Museu Viking para ver, mas também há todos os pormenores arquitetónicos modernos de uma cidade que cuida bem até do mobiliário de rua. Tudo está perfeito e preparado para um clima frio e húmido no inverno e bastante caloroso no verão.

Mas há mais. Oslo é uma cidade dinâmica, onde há sempre muito a acontecer. Dos ciclos de cinema, aos festivais de teatro, das artes performativas às conferências sobre design e arquitetura... tudo mexe. E mexe precisamente na rua e nos cafés, nas esplanadas também. Há wi-fi por todo o lado e há muito que os postos de trabalho deixaram de ter direito a uma cadeira e a uma secretária num escritório qualquer. As reuniões acontecem em todo o lado e trabalha-se onde for mais aprazível. Há mais tempo para tudo!

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Com a música no ADN
Ir a Oslo e não assistir a um concerto é como ir a Roma e não ver o Papa, diz quem lá vive à laia de brincadeira. Mas não deixa de ter a sua razão. A música ao vivo faz parte da identidade cultural e social da cidade, e, todos os anos, de verão e de inverno, os clubes e grandes salas de espetáculos da capital da Noruega acolhem milhares de concertos, showcases e afins. Os protagonistas são muitos, dos talentos locais às grandes estrelas internacionais. E dividem-se também pelos palcos de vários festivais de pop e rock, estes sobretudo na estação estival, mas também em festivais que vão da música de câmara ao heavy metal, passando pelo jazz ou pelo hip hop. A oferta é para todos os gostos.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 24 de setembro de 2016