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Forte de Peniche: Alegre e Assis 
juntam-se às críticas do PCP

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Históricos socialistas estão contra a entrega do forte de Peniche a privados aliando a sua voz às críticas dos comunistas

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A entrega do forte de Peniche à exploração por privados, como pretende o ministro da Economia, “é um atentado a um dos locais mais puros e sagrados da nossa história”, denuncia Manuel Alegre. O histórico socialista recorda o forte, destino de muitos presos políticos durante o Estado Novo, como “um local de sofrimento mas também de glória — onde, em certo momento da nossa história, os únicos verdadeiramente livres eram os que ali estavam presos”. Não vê como isso possa ser compatibilizado com uma exploração privada: “O forte de Peniche pertence ao país”.

Alegre, por uma vez, tem Francisco Assis do seu lado. O eurodeputado tem sido crítico da aliança do PS com os partidos à sua esquerda, mas no que respeita à concessão a privados do forte de Peniche “compreende e apoia” a posição dos comunistas. “Acho escandaloso que o Governo pense alienar um símbolo da nossa memória coletiva”, disse ao Expresso. “Há símbolos que devem ser preservados”, defende o eurodeputado, recordando que já em 2005 se manifestou contra a transformação da sede da PIDE, em Lisboa, num condomínio de luxo. “Tivemos uma longa ditadura, altamente repressiva e isso não pode ser esquecido”.

A abertura a privados foi alvo de duras críticas do PCP esta semana. Isto apesar do presidente da Câmara de Peniche, António José Correia, eleito pela CDU, ser um dos grandes defensores do projeto.

Contactado pelo Expresso, o Ministério da Economia não quis comentar. Entretanto, a diretora-geral do Património garantiu na TSF que o museu do forte vai coexistir com a pousada prevista.