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Fifty-fifty

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d.r.

Meta estabelecida: a Netflix está apostada em vir a ter um catálogo de oferta com 50% de conteúdos originais. “Já teremos feito de um terço a metade do caminho, até aqui”, esclareceu David Wells, o CFO (“Chief Finance Officer”) da empresa, durante a 25ª conferência anual Communacopia, organizada pela Goldman Sachs

Luís Proença

“Vamos levar mais um par de anos para assistir a um progresso significativo em direção aos 50%”, acrescentou o responsável financeiro da gigante da subscrição em “vídeo-on-demand”, através da internet. O investimento nos ‘originais Netflix’ é um “processo de transição a vários anos que possibilita à Netflix diferenciar a sua oferta de conteúdos, particularmente em mercados com elevados níveis de penetração de alternativas ‘over-the-top’”. Wells explica que nem todas as series têm de ser um sucesso retumbante de popularidade junto dos públicos, porque a Netflix pode ir construindo audiências ao longo do tempo.

d.r.

Os dados eletrónicos que a empresa recolhe junto dos subscritores sobre hábitos de consumo são importantes, porém, para ajustar a dimensão da audiência a cada projeto de conteúdo original, permitindo assim ter informação mais sustentada que auxiliem nos processos de decisão sobre aspetos relacionados com os investimentos e orçamentos, sublinhou David Wells. No entanto, estes dados não deverão ser tidos como absolutamente determinantes quanto à produção deste ou daquele conteúdo: “não são justificação e não substituem a grande criatividade na execução dos conteúdos”. Wells deixou claro que “não chegamos ao ponto de uma máquina fazer conteúdos para seres humanos. Talvez no nosso tempo de vida lá cheguemos, mas não é para já”.

Por entre apoiantes e detratores da Netflix, Les Moonves, o presidente da CBS, aproveitou a conferência Communacopia para dizer que a Netflix “não está a devorar o mundo”. Ajuda aliás a valorizar os conteúdos audiovisuais premium. Moonves aponta as empresas de serviços de subscrição televisiva “over-the-top” como um dos pilares essenciais do futuro da CBS. “Não acreditamos que estejam a tentar empurrar-nos para fora do negócio. Estão a produzir mais conteúdo original e isso é bom”.

Les Moonves, presidente da CBS

Les Moonves, presidente da CBS

d.r.

O presidente e CEO (“Chief Operanting Officer”) da CBS, um dos maiores operadores de televisão linear e igualmente um maioral produtor de séries televisivas, assinala que “tornaram o mundo inteiro (do audiovisual) muito mais competitivo, fazendo crescer positivamente o preço dos conteúdos premium”. A partir da perspetiva empresarial da CBS dá como exemplo o facto de “antigamente ser possível ir para grandes mercados como França ou a Alemanha e ter três compradores para os conteúdos. Agora com a subscrição de “vídeo-on-demand” há sete, oito ou nove compradores”. Moonves acrescenta que no caso da nova serie “Star Trek” da CBS que vai estar disponível nos Estados Unidos através da “CBS All Acess” (o serviço “over-the-top” desenvolvido pela estação), a Netflix “comprou os direitos para o resto do mundo e desta forma mais do que custearam a produção”.