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Comida inteligente

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A revolução alimentar está em curso. Saiba que alimentos protegem de doenças ou prolongam a vida

Somos o que comemos”, afirmava Hipócrates, médico grego do século V a.C. e ‘pai’ da medicina moderna. Dizia também: “Deixa a comida ser a tua medicina e a medicina ser a tua comida.” Nunca esta frase foi tão válida como nos dias de hoje. Cada vez mais se investiga a relação entre o que ingerimos e o que acontece ao nosso corpo. Há inúmeros estudos científicos a comprovar relações efetivas entre alimentação e cancro, doenças cardiovasculares ou neurodegenerativas. Depois de Francisco George, diretor-geral da Saúde, afirmar que “metade das causas de doença e de morte em Portugal têm relação direta com a alimentação”, esta é uma excelente altura para nos debruçarmos sobre o livro “A Revolução Smartfood”, da jornalista italiana Eliana Liotta, em colaboração com dois médicos do Instituto Europeu de Oncologia, que já se encontra nas livrarias (ed. Arena).

Aos 48 anos, Eliana é editora de uma revista de saúde e sentiu-se na obrigação de partilhar o seu conhecimento. Amiga de longa data de Pier Giuseppe Pelicci e de Lucilla Titta, cientistas do Instituto Europeu de Oncologia, conhecia bem o projeto Smartfood, dirigido por esta nutricionista. Iniciado em 2011, reúne investigadores, nutricionistas e médicos, com o intuito de identificar os alimentos que protegem a saúde e comunicar os resultados da ciência da nutrição. Eliana lembrou-se de divulgar “uma dieta científica, fácil de seguir: a dieta Smartfood. Ciência pura, ao serviço das pessoas”.

Apesar de estar na área da saúde há anos, Eliana aprendeu muito sobre “a relação entre a nutrição e o genoma”. “Certas moléculas inteligentes estão ligadas a genes do envelhecimento, como o p66 e o Tor, e estimulam os genes da longevidade, como o Sirt. Quando se come em demasia, os genes do envelhecimento ativam-se; com a restrição calórica, os genes da longevidade disparam. Existem sete ‘moléculas inteligentes’ que mimetizam os efeitos dessa restrição, como o resveratrol das uvas ou a fisetina das maçãs”, explica.

O frigorífico de Eliana “está cheio de Smartfood”. Diz ela: “Nunca lá falta alface, que como todos os dias (tem uma ‘molécula inteligente’ chamada quercetina), alcaparras, cebolas e chocolate negro — recomendo a ingestão de 30 gramas por dia. Também tem frutas e vegetais azuis ou roxos (couve roxa, mirtilos, beringelas) e frutos vermelhos, coloridos por pigmentos chamados antocianinas.” “A Revolução Smartfood” identifica 30 superalimentos que induzem a longevidade ou protegem o organismo (alho, fruta e legumes, azeite extravirgem, nozes, grãos integrais) e revela uma lista de alimentos que ajudam a prevenir doenças oncológicas, cardiovasculares, neurodegenerativas ou metabólicas. Um guia inteligente para prolongar a vida.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 24 de setembro de 2016